Dare (SP) serve ótima culinária típica coreana

Dare (SP) serve ótima culinária típica coreana

por Claudio Schapochnik*

A comida coreana, da qual sou fã, precisa ser mais conhecida dos brasileiros. Há alguns traços em comum com a nossa culinária como, por exemplo, a forte presença do arroz e da carne suína e ser muito bem temperada — com uso de pimenta, alho, gengibre etc. Mas a manipulação, os preparos e as combinações são bastante diferentes, resultando também em uma rica e deliciosa gastronomia. Para quem quer se iniciar ou se aprofundar nesta fantástica cozinha que vem de tão longe, sugiro o muito bom Dare Restaurante. É lá no primeiro andar da casa que são servidos mais de 30 pratos típicos coreanos.

O restaurante fica no incrível bairro multiétnico do Bom Retiro, na região central de São Paulo. É lá que vive e trabalha grande parte da comunidade coreana (imigrantes e descendentes já nascidos no Brasil). Portanto lá estão também várias outras opções de restaurantes, além de mercados coreanos.

No alto, o popular prato coreano bibimbap (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!) que comi no almoço e, acima, a fachada do restaurante (foto redes sociais)
O salão no térreo, onde é servido o almoço no sistema bufê por quilo (fotos Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)

Antes do Dare, fui a outros três estabelecimentos de comida coreana na cidade sempre para comer o churrasco estilo coreano — na Aclimação, na Liberdade e no Bom Retiro. Os dois primeiros bairros também têm comunidades coreanas.

No Dare, então, foi minha primeira incursão na comida coreana fora do Korean BBQ. Em alto estilo, pois estava tudo saboroso. Almocei no começo deste mês de maio com uma amiga de longa data, a Adriana Weizmann, da Hai Imóveis, e que conhece muito, mas muito bem, o Bom Retiro. Foi dela a dica para conhecer o lugar.

Pratos de origem japonesa do bufê por quilo do Dare
Também no bufê: pasteis e berinjela fritas e abóbora assada
Há muitas opções no bufê da casa

TRÊS PISOS
O restaurante fica em um prédio de dois andares que, gastronomicamente, é assim dividido: térreo — almoço estilo bufê (R$ 84 por quilo), com pratos brasileiros, japoneses e churrasco e jantar Korean BBQ; primeiro andar — serviço coreano à la carte (almoço e jantar); segundo andar — espaço para eventos, apenas sob reserva.

“Ao todo, temos cerca de um mil m² de salões e três cozinhas para atender o nosso cliente muito bem”, me contou o Matheus Kim, um dos sócios da casa, durante entrevista no estabelecimento pouco antes do início da “loucura” do serviço de almoço.

“Fundamos o Dare em 2004 no Bom Retiro. Neste prédio estamos desde 2017″, disse Kim, sul-coreano nascido na capital Seul. Ele veio para o Brasil com sua família na década de 1990. “Continuamos no setor onde mais pais trabalhavam em Seul”, completou. A mãe, Song, e o pai, Kim, eram donos de um restaurante, o Manna. Portanto, a família tem know how no business da comida.

Numa grande parede do estabelecimento, o artista plástico Adriano M. Franchini retratou acima o Museu de Arte de São Paulo (Masp) e, abaixo, um templo em Seul; ambos são cortados pelo rio Cheonggyecheon, que cruza a capital sul-coreana

“No primeiro prédio, nosso foco era atender os coreanos. Com o tempo, japoneses, chineses e muitos brasileiros também passaram a nos prestigiar”, recordou Kim. “Resolvemos mudar de prédio [na mesma rua] para atrair mais brasileiros. Muitos deles vieram até nós pelo interesse do Kpop, estilo musical sul-coreano, que tem muitos admiradores por aqui.”

O sócio ressaltou ainda que os brasileiros já vêm por conta própria saborear a comida coreana. “Antes os coreanos vinham com seus amigos brasileiros para apresentar a culinária de seu país. Os brasileiros tomaram gosto pelos nossos pratos e agora vêm sozinhos e trazem mais amigos.”

A frequência brasileira na casa cresceu tanto que, no cenário pós-pandemia de Covid-19, Kim tem planos de abrir outra unidade em São Paulo. “Vamos para outro bairro e com um cardápio diferente deste daqui, mas sem deixar a essência coreana”, adiantou ele, sem dar mais detalhes.

O nome do estabelecimento em coreano e português
O meu nome escrito no alfabeto coreano pelo Kim

MITO DA PIMENTA E O AÇÚCAR
Sim, os coreanos amam demais as pimentas. Mas não deixe de provar a comida coreana caso você não goste ou é mais comedido no uso delas na cozinha.

“Aqui no Dare nossos garçons perguntam ao cliente se é a primeira vez que ele come comida coreana. Se sim, recomenda pratos sem pimenta. Se já comeu mais de uma vez sem pimenta, aí ele sugere provar com o ingrediente picante”, explicou Kim.

“E tem mais: há variações da presença de pimenta”, destacou o sócio. No cardápio — corretamente inclusivo, pois tem fotos e é bilíngue (coreano-português) — as opções são marcadas com uma a três pimentas, a mais forte. “É comum ainda o cliente pedir pra colocar menos pimenta, e a gente atende.” Agora, pra quem já come e gosta de pimenta, ele deu um recado: “comida coreana não assusta”.

O cardápio do Dare

Em relação ao açúcar, produto que o brasileiro gosta demais, Kim explicou que o ingrediente é usado “para equilibrar a comida”. Segundo ele, o coreano de um modo geral não come açúcar como nos doces e nas sobremesas. “Coreano gosta mais de sabores salgados e com pimenta.”

O que não pode faltar na mesa coreana, enfatizou Kim, é o kimchi. Trata-se de uma conserva de vegetais com, entre outros ingredientes, alho, pimenta e gengibre. “Os kimchis mais tradicionais são feitos com acelga e nabo. Kimchi é como o arroz com feijão do brasileiro”, contou ele.

As cinco entradinhas opara quem pede pratos à la carte no Dare
Talos de acelga preprados no modo de kimchi: muito, muito bom
A porção de butchimgue, uma espécie de fritada de legumes coreana: bem saborosa

A EXPERIÊNCIA DO ALMOÇO
No almoço, como escrevi acima, dividi a mesa com a minha amiga Adriana. Pedi dois pratos: jae yuk bok kum (R$ 58), que é carne de porco com legumes e pimenta, e o já conhecido bibimbap (R$ 47), combinação de arroz com variedade de legumes, proteínas e ovo frito com pasta de pimenta vermelha e óleo de gergelim.

Ambos os pratos figuram na lista do ranking Top 5 mais pedidos pelos brasileiros no Dare, segundo o Kim me contou: 1º) bibimbap (adoro a sonoridade do nome), 2º) costela bovina, 3º) anchova, 4º) carne de porco (panceta) e 5º) jae yuk bok kum.

A anchova da casa (foto redes sociais)

Antes da chegada dos pratos, o garçom trouxe cinco entradinhas, que acompanham quem pede pratos no serviço à la carte, no primeiro andar: salada verde, kimchi de acelga, ovos cozidos, berinjela e uma fritada de legumes chamada butchimgue.

De acordo com Kim, as entradinhas estão se tornando raras tanto na Coreia do Sul como em São Paulo.

Eu adorei todas, com destaque para os “coreianíssimos” kimchi (acelga crocante com picância razoável e deliciosa) e butchimgue (pelo conjunto do sabor).

Em relação aos dois pratos principais, a carne de porco veio com uma porção de arroz branco (porção extra custa R$ 10). Os pratos são bem servidos e deu bem para duas pessoas comerem.

Minha estreia com o famoso bibimbap foi com louvor. O prato chegou fumegante à mesa, pra quem não gosta não tem pimenta e é uma refeição completa, pois tem arroz, vegetais e proteína animal. Antes de comê-lo, Kim finalizou o prato misturando tudo. É um verdadeiro mexidão coreano. Adorei! O mais gostoso é comer a camada de arroz frita, no fundo da cumbuca onde é feito.

No início deste texto, o bibimbap quando chega à mesa e, acima, pronto para comer: opção completa e bem nutritiva

O prato suíno estava maravilhoso: pedaços graúdos de carne e vegetais em um molho consistente e coberto com um pouco de gergelim, tudo muito bem temperado. Na classificação do Dare quanto à picância, leva três pimentas, a mais alta. Neste quesito, para mim estava uma picância suave. Não achei forte. Tudo isso com o arroz branco… Show, gostei.

O jae yuk bok kum
Meu prato com o arroz branco e um pouco do jae yuk bok kum: adorei

Pra quem preferir, os pratos à la carte da casa são entregues via Ifood e pelo aplicativo próprio. Também é possível encomendar e retirar os pratos.

E afinal de contas, Dare tem algum significado? Sim. Kim, que escolheu o nome, explica que trata-se de uma fruta semelhante ao kiwi que nasce nas montanhas da Coreia do Sul. “Não é comum”, explicou ele “o pulo do gato” para a escolha do nome.

Mais pratos do bufê por quilo do Dare

Super recomendo o Dare: amplo, menu típico, preços razoáveis, bom atendimento e comida de primeira. Se for comer lá, melhor ligar antes para saber os horários.

*A reportagem do Que Gostoso! almoçou a convite dos proprietários.

SERVIÇO:
Dare Restaurante
Rua Correia de Melo, 54, Bom Retiro, São Paulo/SP
Tel. (11) 3337-2533
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