Aconchegante, Don Zé (SP) peca no risotto

Aconchegante, Don Zé (SP) peca no risotto

por Claudio Schapochnik

Acho decepcionante quando você lê no cardápio de um estabelecimento a descrição do prato escolhido e, quando este chega à sua mesa, as duas pontas não se encaixam. E também quando falta um traquejo quando, por algum motivo, o cliente pede para tirar um item do prato. Foi isto o que passei no aconchegante e lindo Don Zé Restaurante, localizado na Vila Romana, na Zona Oeste de São Paulo. A casa tem menu à base de cortes de carnes e culinária contemporânea.

O estabelecimento foi aberto em 2014 e ocupa uma casa bem grande na pacata rua Espartaco. Possui um salão interno, com mezzanino, e uma área externa, sendo esta bem disputada pelos clientes. A casa tem muito verde, graças às plantas sobretudo na parte de fora e nas paredes.

Vale destacar que os pratos, tanto os que eu e minha família comeram quanto os que vi sendo levados pelos garçons e também no site da casa, são muito bonitos, portanto, bem montados. As louças, de cerâmica, são de bom gosto.

Ponto positivo: no site do Don Zé, o menu traz os preços. Para vê-los, clique aqui. É de se surpreender, pois o que tem de estabelecimento que vende comida por aí e não coloca os preços. Por quê? É vergonha, é pra não “assustar” o cliente? Todos deveriam ter esta informação.

CADÊ A LINGUIÇA?
Fui almoçar com minha família semanas atrás em um domingo — logo após a saída da rígida fase roxa do combate à pandemia de Covid-19 pelo Governo do Estado de São Paulo, onde os restaurantes só podiam funcionar para entregas e retiradas, sem o salão aberto.

O atendimento dos garçons foi correto, mas seco. Não vi qualquer traço de simpatia.

Pedi um risotto de abóbora com linguiça artesanal e queijo meia cura (R$ 52). Minha esposa foi de gnocchi de batata roxa, purê de beterraba e queijo de cabra (R$ 48). Meus enteados pediram galeto desossado com purê de abóbora assada e farofa de bacon (R$ 66) e spaghettino carbonara com azeite de trufas (R$ 48).

Desses quatro pratos, o mais lindo foi o da minha esposa. Que cores, que harmonia… Nota dez! Provei um gnocchi e estava muito saboroso.

No alto, o meu risotto e, acima, o gnocchi da minha esposa (fotos Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)
O meu risotto assim que chegou à mesa

Em relação ao meu risotto, chegou num prato lindo com a comida quente e o arroz arbóreo no ponto certo. Bom sabor. No entanto fiquei procurando a linguiça o tempo todo e não a encontrei até terminar de comer.

Está bem, havia linguiça no risotto, mas a proteína animal estava tão, mas tão dissolvida que, praticamente, não foi possível sentir o gosto. Eram [desculpe a redundância] pedacinhos super pequenininhos, como grãos de areia.

Ouso imaginar quantos pratos desse risotto dá para fazer com um — eu escrevi um — gomo de linguiça: 20, 30, 40? Que mancada. Paguei 52 pratas para um prato incompleto, pela praticamente ausência da linguiça, e cujo tamanho da porção deixou a desejar também. Que decepção!

FARINHA SECA
No caso do meu enteado, ele pediu pra tirar o bacon da farofa. Quando o galeto dele chegou à mesa, não havia uma farofa, mas um punhado de farinha de mandioca — pura. O garçom, quando ouviu a solicitação, nem sugeriu algo como “você quer uma farofa de ovo”, por exemplo? Faltou algo — literalmente no prato e no atendimento ausente de cortesia. E custou 66 pratas…

Voltaria ao estabelecimento? Por enquanto não. Quem sabe daqui a um bom tempo. Quem sabe até lá eles possam ter melhorado.

SERVIÇO:
Don Zé Restaurante
Rua Espártaco, 484, Vila Romana, São Paulo/SP
Tel. (11) 3294-0399 e Whats App (11) 94267-5933
www.donzerestaurante.com.br

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