Brasileiro dá dicas de cervejas de Luxemburgo 2022 22 Foto Marina Sousa Cabral Fernandes (2)

Brasileiro dá dicas de cervejas de Luxemburgo

por CLAUDIO SCHAPOCHNIK

Em um dos grupos de Whatsapp que participo, um reúne pessoas que estudaram na turma do curso de jornalismo da PUC-SP que se graduaram em 1993 — nossa, ano que vem… Trinta anos de formado! Lá também estão pessoas que não concluíram o curso por “n” motivos. Um deles é o meu amigo paulistano Márcio Cabral Fernandes, que trocou o jornalismo (ele frequentou este curso nos dois primeiros anos) por outra linda e prestigiosa carreira, o direito. Por questões que ele vai explicar mais à frente também, trocou o Brasil por Portugal e, depois, pelo Grão-Ducado de Luxemburgo, pequeno país de regime monarquista constitucional parlamentarista na Europa Ocidental.

Sempre participativo no grupo, Cabral — sim, ele era e ainda é chamado pelo nome do meio — começou a postar fotos segurando sua caneca do Corinthians cheia de cerveja, com a garrafa da bebida ao lado. Aí que surgiu a ideia de o Cabral dar dicas das cervejas para vocês, caros(as) leitores do QUE GOSTOSO!.

Brasileiro dá dicas de cervejas de Luxemburgo
No alto Márcio Cabral Fernandes posa na sua casa com garrafas de cervejas luxemburguesas que ele gosta e analisa, já destacando a preferida, neste entrevista (foto Marina Sousa Cabral Fernandes) e, acima, a localização do Grão-Ducado de Luxemburgo no mapa da Europa , com a bandeira nacional ao lado (mapa Wikipedia)

Como vocês irão ler abaixo, em uma entrevista feita por email e Whatsapp, o Cabral tem muito bom conhecimento sobre umas das bebidas mais antigas do mundo e, no caso, sobre os rótulos e as características da cerveja produzida em Luxemburgo. Por quê? Porque ele gosta bastante de beber o “pão líquido” — correta definição de outro grande amigo, no caso, alemão e também jornalista, Jan Kummer — e estuda o tema como apreciador (ele não é sommelier de cerveja) apaixonado pela bebida.

Mas por que o Luxemburgo especificamente?

“Filho de imigrantes portugueses, que conheceram as maravilhas do Brasil logo após a Segunda Grande Guerra e ali se fixaram até os tempos atuais, decidi fazer o caminho inverso dos meus pais e emigrar para Portugal, onde vivi com a minha esposa, Cibele, até 2003, na belíssima linha do Estoril”, explica o Cabral por email.

“Ao final daquele ano, com o nascimento do nosso primeiro filho, Diogo, decidimos procurar outro país, que oferecesse um solo mais firme para fincar as raízes daquela família que começava a se expandir”, continua ele.

Brasileiro dá dicas de cervejas de Luxemburgo Cidade de Luxemburgo
A Abadia de Neumünster, na Cidade de Luxemburgo (foto Pixabay)
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Lata da marca produzida pela Brasserie Nationale (foto Marina Sousa Cabral Fernandes)

Aqui no Brasil Cabral graduou-se em direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, também em São Paulo. Antes foi tenente do Exército Brasileiro. Na capital portuguesa, ele advogou por dois anos e meio.

“Tendo concluído um master em direito na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, fiz algumas candidaturas para tribunais internacionais sediados na Europa. As cidades de Haia, na Holanda, de Estrasburgo, na França, e de Luxemburgo, no país com o mesmo nome, compuseram a short list dos nossos planos. O Tribunal de Justiça da União Europeia, sediado na Cidade de Luxemburgo, respondeu positivamente à minha chamada e me ofereceu inicialmente uma bolsa de estágio de cinco meses, que se transformou em um emprego temporário, para depois se converter em uma função pública europeia, que me acompanhou por 18 anos.”

Brasileiro dá dicas de cervejas de Luxemburgo Cidade de Luxemburgo
Panorama parcial da parte baixa da Cidade de Luxemburgo (foto Pixabay)
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Garrafa da luxemburguesa Brasserie Battin, fundada em 1937; em 2004, a cervejaria foi comprada pela Brasserie Nationale (foto Marina Sousa Cabral Fernandes)

Recentemente, há poucas semanas, ele trocou o Tribunal de Justiça por outra instância da União Europeia: a Comissão Europeia. Esta divisão, que pode ser entendida como o governo da União, compartilha a sede entre Bruxelas, na Bélgica, e Luxemburgo — ele trabalha nesta segunda.

Quase aos 50 anos, Cabral vive e trabalha em Luxemburgo há 18 anos, com a esposa, Cibele, e os dois filhos do casal — Diogo, de 18 anos, e Marina, de 17 anos, que nasceu em Luxemburgo.

“Cheguei ao Grão-Ducado de Luxemburgo, no mês de fevereiro de 2004, para ´preparar o terreno´ para a chegada da minha esposa e do nosso então pequeno bebê. A minha primeira estada foi na pequena cidade de Bascharage, nas proximidades da fronteira do Grão-Ducado com a Bélgica, em um hotel chamado Carpini, de propriedade de imigrantes italianos, onde se come excelentes pizzas e massas. Bascharage é também a sede de uma das mais conhecidas brasseries do pequeno país europeu, a Brasserie Nationale. Desse modo, o destino reuniu os ingredientes para despertar a minha adoração pela cerveja.”

Confira a entrevista abaixo e, logo após, mais dicas de cervejas luxemburguesas.

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Garrafa da cerveja pils da Simon, cervejaria 100% luxemburguesa (foto Marina Sousa Cabral Fernandes)

QUE GOSTOSO! — A história do país, antes da independência no século 19, é muito ligada à Alemanha e à França, respectivamente, com tradição de bebidas como vinho e cerveja (mais para a segunda) e basicamente vinho. Na sua opinião, Luxemburgo puxou para a tradição mais germânica e mais ligada à cerveja?
Márcio Cabral Fernandes — Enquanto a França, assim como a Itália, a Espanha, a Grécia e Portugal desenvolveram ao longo de séculos a tradição da fermentação da uva e da consequente produção dos famosos e deliciosos vinhos, a Bélgica, a Holanda, o Grão-Ducado de Luxemburgo e a Alemanha centraram a produção alcoólica na produção de cervejas, embora muitos alemães e alguns luxemburgueses também alimentem paixões secretas pelo vinho.
Outros países, como a República Tcheca e a Eslováquia também têm uma tradição cervejeira muito importante, mas a história que levou os três pequenos países do Benelux a se dedicarem à arte da fermentação do malte de cevada pela ação da levedura, temperada com o delicioso amargor do lúpulo tem uma sagrada particularidade: os primeiros produtores artesanais da cerveja nesses países foram monges que, isolados durante os seus longos retiros nas abadias e nos mosteiros, produziam tradicional e artesanalmente queijos, pães e o sagrado néctar da cerveja.

QUE GOSTOSO! — Como você define a cerveja luxemburguesa de um modo geral?
Fernandes — A cerveja luxemburguesa, de um modo geral, se aproxima da cerveja alemã, que muito inspirou a cerveja brasileira. Tal descrição pode se afirmar porque a maior parte das cervejas luxemburguesas é do tipo “lager”, ou mais precisamente do subtipo “pilsner”.
As “pilsners” são normalmente cervejas leves e refrescantes, principalmente por terem baixo teor de levedura e uma só fase de fermentação a baixa temperatura, o que lhe atribui geralmente graduações alcoólicas baixas, em torno de 4% ou 5 % (4 ou 5 graus GL, ou Lussac).

QUE GOSTOSO! — A indústria cervejeira luxemburguesa é grande? Há algo como uma Ambev, dona de várias marcas, ou o mercado é capilarizado com muitas cervejarias pequenas e artesanais?
Fernandes — Além dos recentes produtores artesanais que surgiram recentemente pelo Grão-Ducado, Luxemburgo tem três principais grupos cervejeiros, que detêm boa parte da produção nacional.
Fundada em 1764, a Brasserie Nationale produz em Bascharage a cerveja da marca Bofferding, a mais conhecida dentre as cervejas luxemburguesas, além da Battin, também muito conhecida dentre os luxemburgueses, e da Funck-Bricher, um remake biológico da tradicional marca de bière blonde.
A Brasserie de Luxembourg, por sua vez fundada em 1871, é responsável pela produção das cervejas das marcas Diekirch e Mousel, também importantes marcas no país. A cervejaria pertence desde 2002 ao grupo mundial AB-InBev e distribui em Luxemburgo, além das próprias cervejas, diversas marcas mundialmente conhecidas.
Uma terceira cervejaria luxemburguesa se orgulha de manter os procedimentos de produção de modo idêntico, nas mãos de proprietários luxemburgueses, há cinco gerações: trata-se da Brasserie Simon, que produz a cerveja com o mesmo nome Simon Pils e mais oito variedades, incluindo uma IPA, uma triple, uma biológica e até mesmo uma sem álcool.

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Cabral exibe outra marca de cerveja do Grão Ducado, país onde ele vive há quase 20 anos (foto Marina Sousa Cabral Fernandes)

QUE GOSTOSO! — Quais são os estilos mais apreciados aí? E quais são os estilos que você mais gosta?
Fernandes — Assim como os vizinhos alemães, os luxemburgueses típicos apreciam a cerveja tipo “lager” e principalmente a suavidade e o frescor das “pilsners”, mas as cervejas de tradição “trapiste” também são muito difundidas no Grão-Ducado, sobretudo durante o inverno.
Os responsáveis por essa influência “trapiste” são os vizinhos do Oeste, os belgas, que adoram esse tipo de cerveja, fermentadas duas, três ou até quatro vezes, o que proporciona uma maior concentração alcoólica e um reforço do sabor do malte de cevada.
Além da fermentação em várias fases, as “trapistes”, ou as “bières d´Abbey” (cervejas de abadias), têm nas secretas receitas uma maior proporção de levedura, com um amargor bastante mais pronunciado que as “pilsners”.
Pessoalmente sou mais atraído pelas “trapistes”, com os aromas encorpados, e mais particularmente, pelas “triples” e “quadruples”, muito amargas e com forte sabor do malte de cevada, que acompanham perfeitamente pratos de carnes, caça, queijos e grãos.
Contudo, admito que a leveza e o frescor das “pilsners” combinam de modo estupendo com os dias quentes de verão, principalmente acompanhando um bom churrasco ao sol.
O baixo teor alcoólico das “lagers” permite o consumo de grandes quantidades do néctar dourado, o que proporciona uma amenização do calor.
Algumas das grandes marcas de cervejas luxemburguesas têm opções de IPAs, de orgânicas e até mesmo de “bières d´Abbey”, mas essas opções são recentes e pouco ligadas à tradição cervejeira luxemburguesa.

QUE GOSTOSO! — Em termos de marcas, qual é ou quais são as suas favoritas? Por quê?
Fernandes — Dentre as cervejas luxemburguesas mais populares e tradicionais, tenho uma preferência pela Bofferding, da Brasserie Nationale, de Bascharage, e pela Simon Pils.
A minha preferência se dá primeiramente pelo fato destas duas terem os sabores mais encorpados que as concorrentes Clausel, Battin e Diekkirch.

QUE GOSTOSO! — Dê alguns exemplos de preços no mercado e num bar ou restaurante?
Fernandes — Seguem alguns exemplos:

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Brasileiro dá dicas de cervejas de Luxemburgo
A cerveja mais barata, comprada em supermercados, na lista elaborada por Mácrio Cabral Fernandes (foto Marina Sousa Cabral Fernandes)

Os preços dessas cervejas em bares ou em restaurantes podem ser multiplicados por três ou quatro vezes.
Uma cerveja “pilsner” comum custa cerca de € 3 ou € 4. Em bares, um pouco mais na moda, pode-se pagar até € 8 (cerca de R$ 50) por uma cerveja de qualidade superior.

QUE GOSTOSO! — Luxemburgo tem limites com Alemanha e Bélgica, países com grande tradição cervejeira. Vale a pena cruzar as fronteiras para comprar cervejas nestes países, em termos de preço e da qualidade do produto? Você faz isso? Se sim, quais marcas de cerveja belgas e alemãs indica?
Fernandes — Não vale a pena viajar para cruzar as fronteiras para comprar cerveja. As cervejas de todos os países limítrofes podem ser facilmente encontradas nos supermercados do Grão-Ducado, em grande variedade e com preços muitos similares aos praticados nos seus respectivos países de origem.
Dentre as marcas de cervejas belgas nomeadamente “Trapistes”, recomendo estas: Orval, Chimay, La Trappe, Rochefort, Westmalle, Duvel, Leffe, Grimbergen, La Chouffe, Karmeliet e Deus.

QUE GOSTOSO! — Sobre harmonização. Quais são as “dobradinhas” que você gosta de beber/comer? Por quê?
Fernandes — Triple Karmeliet ou Rochefort 9 com carnes de caça (gibier) formam uma combinação deliciosa! Orval com queijo de cabra, ou tête de moïne ou ainda com um roquefort também combinam de maneira admirável! E para lembrar de algo bem luxemburguês, uma Simon Pils vai bem com um bom sanduíche de metwurst (linguiça luxemburguesa de carne vermelha, ligeiramente picante), em um dia de calor. Também serve para animar um bom passeio em um dos inúmeros parques luxemburgueses.

QUE GOSTOSO! — Há cervejarias luxemburguesas que recebem visitantes? Se sim, quais? Você já fez um passeio desse?
Fernandes — Há algumas cervejarias que recebem visitantes, inclusive com programas organizados para isso.
A Brasserie Nationale, em Bascharage, tem programas para visitantes e tem uma tradição importante nas visitas guiadas e nas degustações das cervejas. O restaurante Big Beer Company também é interessante, pois se construiu em uma antiga brasserie e preserva as instalações, que ainda são utilizadas para a produção artesanal de cerveja.
Finalmente, vale conhecer a antiga e imensa Brasserie Mosel, no vale do rio Alzette, no bairro de Clausen na Cidade de Luxemburgo, que se transformou em um verdadeiro bairro noturno, com bares e restaurantes, que funcionam nas antigas instalações da cervejaria.

Brasileiro dá dicas de cervejas de Luxemburgo
Interior do restaurante Big Beer Company, que também produz a própria cerveja (foto reprodução/site)
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Prato de linguiças com mostarda servido no restaurante Big Beer Company (foto reprodução/site)

QUE GOSTOSO! — Quais bares e restaurantes em Luxemburgo você indica para quem adora cerveja?
Fernandes — Quase todos os bares da Cidade de Luxemburgo oferecem uma larga escolha de marcas e de variedades de cervejas. Alguns exemplos são The Game, junto às instalações dos cinemas Kinepolis, no bairro de Kirchberg, The Britannia Pub, no bairro de Clausen, e o Scott´s Pub, no bairro do Grund (ambos no vale do rio Alzette). Todos estes são ótimos estabelecimentos para a degustação de boas cervejas.
No centro da cidade, o Palais, o Apoteka, o The Cube e outros bares também são pontos a conhecer e onde degustar cervejas em Luxemburgo.
Finalmente, os inúmeros bares do complexo Les Rives de Clausen, no bairro com o mesmo nome, oferecem um ambiente cervejeiro singular em Luxemburgo.

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Sugestões para comer do Scott´s Pub (foto reprodução/site)
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Petiscos do Palais Bar (foto reprodução/site)
Brasileiro dá dicas de cervejas de Luxemburgo Cidade de Luxemburgo
Uma das belas praças na Cidade de Luxemburgo (foto Pixabay)

PÓS-ENTREVISTA: MAIS AVALIAÇÕES
“Você e a sua ideia despertaram a minha vontade de completar o capítulo da análise das cervejas luxemburguesas, então eu parti à busca de algumas variedades menos tradicionais, mas também interessantes”, diz o Cabral por meio do Whatsapp, depois que ele me enviou as respostas de minha entrevista por email.

Então, seguem abaixo novas avaliações “sobre as cervejas um tanto quanto ´exóticas´ para a tradição das ´bières luxembourgeoises´”.

Grande Ducale: “uma pilsner um pouco menos filtrada. Mas não é ruim.”
Funck-Brichner: “é um remake da antiga loira (pilsner), com marca de nome idêntico, agora certificada bio e com algum caráter.”

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Cabral com a caneca com a Grande Ducale (foto Marina Sousa Cabral Fernandes)

Monk Clausel: “Essa sim, uma das se não a melhor cerveja luxemburguesa que já tomei, é uma versão ´bière d´abbey´ (de abadia ou dos monges), que segue as tradições das trapistes belgas. Encorpada, com graduação alcoólica mais elevada, com forte sabor do lúpulo, mas também com o tradicional sabor de cereais brutos, que se destacam nas cervejas com mais de uma fase de fermentação.
A Clausel é a denominação que substituiu as tradicionais cervejas Mousel, que se fabricavam nas antigas brasseries de Rives Clausen — que se transformaram em uma região de bares e de restaurantes no vale do rio Alzette. Essa versão da Clausel é chamada de Monk (monges, em português).”

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A garrafa e a cor da cerveja Monk Clausel (foto Marina Sousa Cabral Fernandes)
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Mesas na parte externa do restaurante Clausel, na Cidade de Luxemburgo (foto reprodução/site)

Simon IPA: “Aqui, a marca Simon seguiu as tendências mundiais e desenvolveu uma indian pale ale (IPA), baseada nas cervejas inglesas e estadunidenses dessa mesma denominação, que têm um amargor e uma acidez muito acentuadas, muitas vezes com fortes toques cítricos. Estão na moda, mas longe de ser o tipo de cervejas da minha preferência pessoal…”

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Outra variedade da cervejaria 100% luxemburguesa (foto Marina Sousa Cabral Fernandes)

Stuff: “Outra IPA, da jovem marca de cervejas Stuff, da cidade luxemburguesa de Steinsel, mas que se produz e engarrafa de modo terceirizado, na Bélgica. Há ainda outra variedade da marca, surgida em 2015: leve, pouco alcoólica e com adição de malte de trigo, caramelo, gengibre e toques de limão. Algo exótico…”

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Cabral com a melhor cerveja de Luxemburgo no seu gosto (foto Marina Sousa Cabral Fernandes)

Simon Triple: “Não tenho dúvida nenhuma: é a melhor cerveja luxemburguesa que já tomei. Tem teor alcoolico de 7% e um sabor bastante encorpado e amargo, além de uma ligeira acidez das IPA´s.
Fui pesquisar e li as letrinhas dessa Simon Triple: há um certo ´golpe de marketing´ nessa cerveja, mas eu a aprecio muitíssimo assim mesmo.
O termo triple que a marca empregou pode ser enganoso, pois leva a crer que há uma tripla fermentação, o que não é o caso. Parece que ela tem só uma dupla fermentação, feita de modo muito aprofundado e alongado, o que lhe atribui um caráter que se aproxima das “triple”.
O termo “triple” se deve ao fato da receita conter como ingredientes de base, além do lúpulo e da levedura, três cereais a saber: malte de cevada, malte de trigo e aveia.
O meu paladar não se enganou, quando eu disse que sentia algo que me lembrava das IPAs, pois a sua receita ainda leva “écorces d´orange” (cascas de laranja) e, pasme, coentro.
Todos os ingredientes são de origem bio ou biológica, ou como se diz no Brasil, orgânica, sem conservantes, sem pesticidas, sem fertilizantes químicos, sem aromatizantes, sem corantes, sem nada de diferente do que a mãe natureza ofereça diretamente ao consumo.”

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