Uvas incomuns: de coadjuvantes a protagonistas

Uvas incomuns: de coadjuvantes a protagonistas

por Lucia Grimaldi*

Olá, internautas amantes do vinho! Todos com saúde? Espero que sim!

No clima do último artigo, em que falei sobre vinhos exóticos, hoje quero apresentar a vocês alguns vinhos elaborados com uvas um tanto quanto incomuns, no sentido de que são menos populares que as famosas protagonistas Cabernet Sauvignon, Merlot e Chardonnay, entre outras estrelas. De coadjuvantes, alçaram papéis principais em vinhos, no mínimo, surpreendentes. Que tal?

Pecorino: a uva com nome de queijo
Quem nunca viu uma receita de uma massa à carbonara que tinha como ingrediente o queijo pecorino? E qual não foi a minha surpresa ao procurar um vinho da região italiana de Abruzzo, mais especificamente da Província de Chieti, onde nasceu o meu avô, me deparei com a uva branca “pecorino”. É uma casta autóctone italiana (ou seja, nasceu ali mesmo) e leva este nome porque o cultivo se dá em áreas de criação de ovelhas, que em italiano recebe o nome de “pecora”. Daí também o nome do queijo pecorino, feito com o leite de “pecora”.

Vinho Tor Del Colle Pecorino, no www.evino.com.br (fotos Lucia Grimaldi)

Provei o vinho Tor de Colle, um vinho muito refrescante, com acidez elevada, ideal para o verão, e notas de frutas brancas, como pera e maçã, e cítricas, como lima e casca de laranja, além de flores brancas. Seus delicados toques minerais de sílex conquistaram o meu coração.

Detalhe do tom amarelo claro brilhante do vinho Tor Del Colle, no www.evino.com.br

Muscat Petit Grain: quando tamanho não é documento
Todo mundo conhece o vinho moscatel. Mas sabia que o nome moscato, na verdade, se refere a uma antiga e grande família de uvas, com cerca de 200 castas diferentes, brancas e tintas, como a moscatel, a muscat, a moscato gialo, a moscato de Alexandria e a muskateller. Com origens que remontam o Egito e a Grécia antigos, a moscato produz vinhos muito aromáticos, com destaque para uvas maduras, damasco, mel e flor de laranjeira. Estudos sugerem que a uva matriarca seria a muscat à petit grains, uma casta branca de bagos bem pequenos, daí o nome, e cachos densos.

Vinhedo de Petit Grains no Vale das Colinas, em Garanhuns/PE

Em visita ao Vale das Colinas, na cidade de Garanhuns, no Agreste pernambucano, onde há um cultivo recente de uvas Muscat à Petit Grains, entre outras variedades, provei o vinho Dona Cecília, um varietal desta casta. É um vinho jovem, fresco, levemente aromático, cuja vinificação é feita no município de Petrolina.

Vinho Vale das Colinas Dona Cecília 2020

Moscato Giallo
A moscato giallo, ou muscat amarela, é uma variedade da família moscatel com cultivo predominante na região Norte da Itália e produz excelentes vinhos de sobremesa, graças ao potencial dulçor. Degustei um vinho varietal desta casta, produzido em Alto Feliz, na Serra Gaúcha, muito refrescante e aromático, com notas de frutas tropicais como melão, abacaxi e maracujá maduros, além de mamão papaia e flores brancas.

Vinho Don Guerino Sinais Moscato Giallo 2020, no www.donguerino.com.br

Moscato de Alexandria
A uva moscato de Alexandria é uma variedade originária da cidade de Alexandria (claro!), à beira do majestoso rio Nilo, no Egito. Diz-se até que a famosa rainha egípcia Cleópatra degustava vinhos moscatel. Hoje também é cultivada predominantemente no Norte da Itália, mas no Brasil, a Vinícola Cristofoli produz um belo varietal em Bento Gonçalves (RS).

Diferente dos anteriores, tem acidez elevada, mas bastante equilibrada, com uma nota untuosa apaixonante. É um vinho fresco, com aromas delicados e sabores de maracujá, pêssego fresco, mamão papaia, mel e alecrim.

Vinho Cristofoli Moscato de Alexandria 2019, na www.vinhoscristofoli.com.br

E o belo rótulo, que traz um inseto estilizado, é referência ao fato de as uvas moscatel atraírem abelhas e moscas “musky” devido ao dulçor marcante.

No alto e acima, detalhes do belo rótulo do vinho Cristofoli Moscato de Alexandria

Grüner Veltliner
A Áustria é reconhecidamente o berço da valsa, todos sabemos. Mas sabiam que o país também produz vinhos excelentes? E a uva branca Grüner Veltliner é uma das mais cultivadas na nação do Centro da Europa. Muito versátil, produz desde vinhos frutados e refrescantes a tipos mais complexos, com grande potencial de guarda. Provei o vinho Grüner Veltliner Qualitätswein 2018, da tradicional vinícola austríaca Lenz Moser. De acidez elevada, aromas e sabores de frutas cítricas, como abacaxi e maracujá mais verdes, e toques minerais, pode ser apreciado sozinho ou com entradas e pratos leves.

Acima e abaixo, o vinho Lenz Moser Grüner Veltliner Qualitätswein 2018, no www.evino.com.br
Uvas incomuns: de coadjuvantes a protagonistas

Furmint
Quem pensa que a Hungria é apenas um país de grande riqueza histórica vai se surpreender ao saber que também é um dos maiores produtores de vinhos, e maravilhosos diga-se de passagem, do Leste Europeu.

O vinho Pajzos T Tokaj 2015, no www.wine.com.br

A casta Furmint é a responsável por este vinho húngaro branco, da vinícola Pajzos. É meio seco, mas com boa acidez, e aromas de frutas cítricas e brancas, como pêssego, nectarina, lichia e abacaxi. O que mais me chamou a atenção foram as notas de mineralidade, que me lembrou um Chablis, muito bem integradas com os toques de amêndoas. Um vinho muito gastronômico, que vale a pena provar.

Detalhe da cor amarelo claro brilhante do vinho Pajzos T Tokaj 2015

Glera: a uva do Prosecco
Conhecem a uva Glera? Provavelmente dirão que não, mas posso garantir que conhecem, sim! É a uva que produz o famoso espumante italiano Prosecco, uma respeitada Denominação de Origem Controlada e Garantida (DOCG) localizada na região Nordeste da Itália, mais especificamente no Vêneto e na Friuli Venezia Giulia. Da Família Valduga, tradicional produtora brasileira de espumantes do Vale dos Vinhedos (RS), o premiado Ponto Nero Glera, é um espumante brut muito bem elaborado, com aromas cítricos e notas florais, perlage rico, suculento e refrescante na boca. Fácil de encontrar nas redes de supermercados, tem um excelente custo benefício.

Espumante Ponto Nero Live Celebration Glera, no https://loja.famigliavalduga.com.br

O mundo dos vinhos tem vastos caminhos a serem explorados. E os últimos tempos nos mostraram o quanto é preciso explorar o novo, reinventar caminhos e sair do lugar comum… Que tal começar degustando vinhos de uvas diferentes? Enoaventurem-se e contem pra gente!

Um brinde!

*Lucia Grimaldi, colunista do Que Gostoso!, é graduada e pós-graduada em fonoaudiologia e direito e possui a certificação internacional Wine & Spirit Education Trust (WSET) nível 2. Contatos: grimaldipervino@gmail.com e o @grimaldipervino

6 comentários sobre “Uvas incomuns: de coadjuvantes a protagonistas

  1. Mais um excelente texto de Lúcia Grimaldi.
    Como bem disse” o mundo do vinho tem vastos caminhos a serem explorados” e a nova ordem mundial é de fato reinventar-se em todos os sentidos.
    Obg por nos mostrar novos caminhos e possibilidades nesse universo tão rico!
    Um brinde a Vida🍷👏

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  2. Muito interessante ,quanto mais conhecemos o mundo dos vinhos mas temos certeza que a muito a aprender, um brinde a essa bebida que carrega em sua essência sempre uma peculiaridade e muita história ,parabéns .

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