por Claudio Schapochnik_Cunha/SP
Lugar lindo e aconchegante, o restaurante O Olival serve com comida caseira muito boa e possui uma localização ímpar — na Serra do Mar, a 1.260 metros de altitude, na zona rural de Cunha, cidade distante cerca de 230 quilômetros de São Paulo. O nome não é aleatório, pois a casa fica ao lado de um olival, com 1,3 mil oliveiras. De quatro cultivares (Grappolo, Koreineke, Arbequina e Maria da Fé), foram plantadas em 2013 e 2015 com o objetivo de extração de azeite de oliva extra virgem.
Se tudo isso não bastasse, após deixar o carro no estacionamento e seguir a pé para o restaurante — cerca de 200 metros —, você começa a ouvir música clássica. Graças aos alto-falantes espalhados no olival. Segundo os proprietários, este tipo de música influencia positivamente o cultivo das oliveiras.


A explicação “peguei” do site da casa: “Sim, é isso mesmo! Nossas oliveiras desenvolvem-se ao som de música clássica. A onda sonora é uma vibração mecânica que carrega energia. Parte-se do pressuposto de que a música organizada pode entrar em ressonância com frequências de oscilação natural das folhas, afetando o estado energético das clorofilas e aumentando, consequentemente, a fotossíntese”.
Por todo este conjunto, ir a´O Olival é uma experiência muito bacana e deve estar na agenda de quem viaja para Cunha. Vale lembrar que o restaurante, que funciona para almoço e jantar, não aceita reservas. Por causa da pandemia de Covid-19, é melhor ligar antes para saber os horários das duas refeições.



ALMOÇO: MENU FIXO
Fui almoçar com minha esposa em um dia no mês passado. O local é bem sinalizado na SP-171 e há estacionamento gratuito na propriedade — o Sítio São Jorge, que possui área de 4,2 alqueires.
O restaurante é uma “caixa de vidro” vizinho ao olival e perto de uma linda e alta araucária. Chegamos por volta das 12h30, meia-hora após a abertura num sábado, e já havia bastante clientes. Conseguimos uma mesa na hora. No entanto, o lugar que dá vista ao olival já estava ocupada.
A decoração da casa é informal, cheia de objetos, livros e produtos alimentícios (todos à venda). O atendimento é ótimo, de gente bem simpática e atenciosa. O cardápio é fixo, onde você escolhe uma opção, sempre entre três, de entrada, principal e sobremesa. Quase tudo é produzido no local. Naquele dia custou R$ 57 por pessoa. Bebidas à parte.



Naquele sábado havia: entrada — salada de grãos e folhas com vinagrete de balsâmico; profiterólis com couscous marroquino; e caldo de feijão com bacon; principal — linguine com ragu à bolonhesa; spaghetti de abobrinha ao molho mediterrâneo; e risotto de funghi; sobremesa — mousse de chocolate com azeite; malabie; e sorbet de frutas vermelhas.
Fui de profiterólis com couscous marroquino, linguine com ragu à bolonhesa e mousse de chocolate com azeite. Minha esposa foi de: salada de grãos e folhas com vinagrete de balsâmico, spaghetti de abobrinha ao molho mediterrâneo e sorbet de frutas vermelhas. Para beber, água.



Enquanto a entrada não chegava, a garçonete nos trouxe o couvert — incluso no menu: torradas com azeite de oliva saborizado com pimenta. Gostoso. Estamos num olival, mas estas oliveiras estão bem longe da maturidade comercial para a produção de azeite, que leva 25 anos. Quando isso ocorre, será necessário cerca de dez quilos de azeitonas para produção de apenas um litro de azeite.
Então de onde vem o azeite consumido por lá? De dois parceiros, segundo ouvi dos proprietários: um nacional, o Capolivo, do Rio Grande do Sul, e um estrangeiro, de Portugal. Eu já tinha me informado antes e sabia que o azeite utilizado não era da propriedade.
As entradas não demoraram a chegar. A minha causou uma agradável surpresa, pois pensei que o profiterólis era “oco” e, ao contrário, era recheado de uma ótima ratatouille. Combinou super bem com o couscous. Ótima. A salada da minha esposa, provei um pouco, estava boa.


Sobre os principais, meu linguine estava ótimo, com um ragu à bolonhesa bem temperado. Pedi queijo ralado e fui prontamente atendido. Dei uma garfada no spaghetti de abobrinha ao molho mediterrâneo que minha esposa pediu e estava ótimo também. Gostei do molho rústico, com tomates cereja.
Em relação às sobremesas, meu Deus… O sorbet (“sorvete” sem leite) estava maravilhoso. As frutas, como a amora, vêm do pomar local, que fica ao lado do estacionamento. Doce sem exagero e azedinho na medida certa. Um escândalo de bom. O meu mousse… Achei a consistência pastosa demais, mas o sabor é muito bom. Havia um fio generoso de azeite de oliva e essa mistura com o chocolate mandou muito bem e adorei. Sobremesas excelentes.



Depois de um almoço desse, vale a pena explorar a propriedade até o estacionamento e tirar fotos das oliveiras, com aquelas folhas de cor cinza-verde, conhecer as espécies na horta. Show de odores e cores. O lugar, que recebe ainda grupos e excursões para alguns tipos de visita e experiências sensoriais com reservas prévias. é imperdível.


SERVIÇO:
O Olival
Rodovia SP-171, Km 58,3, Cunha/SP
Whats App: (11) 99628-1302
visita.oliveiras@gmail.com
www.oolival.com.br
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