Finalmente comi o suã que meu pai falava

Finalmente comi o suã que meu pai falava

por Claudio Schapochnik_Gonçalves/MG

Na visita mais recente à linda e maravilhosa Gonçalves, cidadezinha localizada na Serra da Mantiqueira no Sul de Minas Gerais, fiz uma refeição que me remeteu ao meu querido e saudoso pai, Edison. Há muito tempo ele me falou, apaixonadamente, de um tal de suã com arroz. Quando ele me disse essa recordação alimentar, creio que ele falava de quando ainda morava no interior de São Paulo — ele nasceu em Cruzeiro e depois mudou-se para Lorena, ambas no Vale do Paraíba, sempre com sua família. Essa fala com gosto do papai e uma grande vontade de provar a iguaria ficaram anos na minha mente e, há algumas semanas, pude provar essa (delícia) de suã no Bar e Restaurante Boteco do Japão, no centro. Ah, meu pai tinha razão… Como é gostoso!

Suã é o conjunto formado pela espinha dorsal e a carne ali contida do porco. Parece que receita mais famosa que é o suã cozido junto com o arroz. Creio que era desta forma que meu pai comia.

O Boteco do Japão é um restaurante popular, de preços camaradas, onde grande parte da freguesia é da própria cidade. Possui um grande movimento tanto no salão, que por causa das medidas contra a pandemia de Covid-19 recebe bem menos gente, quanto para viagem, com as marmitas.

No alto a sua excelência o suã em destaque no prato e, acima, a saladinha servida em cima do jogo americano de papel (fotos Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)

Meu pai gostava de comer pratos comerciais em butecos como esse. Nossa, quantas vezes almocei com ele em lugares semelhantes em São Paulo! Para ele tinha de ter, no mínimo, arroz, feijão, bife bovino (mal passado) e salada (com cebola). Para beber, sempre uma garrafa de guaraná Antarctica. Portanto, ele iria gostar do clima e do ambiente do Boteco do Japão.

Quando vi no cardápio a palavra “suan”, decidi: era aquele prato. Finalmente iria provar o famoso prato que o papai tanto gostava. O menu do Boteco do Japão é escrito a mão e fica lado de fora do estabelecimento. Sempre oferece três opções diferentes por dia. Sim, estava escrito “suan”, com “n” — no Houaiss é com “ã”. Minha esposa foi de bife de contra filé acebolado.

Acima, o logo do estabelecimento onde almocei e, abaixo, o cardápio da casa, que é escrito a mão e varia todos os dias

OS PRATOS CHEGARAM
A fome era grande, pelo menos a minha. Primeiro chegou a saladinha, com alface, tomate e repolho roxo. Sem cebola! Eu nem liguei pela falta desta pois estava centrado no suã. Meu pai se estivesse lá… Ele iria pedir pra colocar cebola, ô! Todos os Schapochniks amam cebola.

Poucos minutos depois chegaram os pratos. Confesso que invejei o bife de contra filé acebolado da minha esposa, que “sumiu atolado numa montanha” de cebola frita!

Eu olhei pro meu prato e disse: “Chegou o dia. Muito prazer, suã!”. Duas unidades chegaram com arroz, feijão, farofa e mandioca frita. Sim, pedi a pimenta da casa, muito boa.

Quando provei o suã, uau… Que carne gostosa, tenra, bem temperada. Ah, foi “amor a primeira vista”. De fato, a peça tem mais osso que carne. Deveria ter comido com as mãos, mas nesta estreia fui de garfo e faca.

Os acompanhamentos estavam ótimos também e harmonizaram com a carne suína. A mandioca frita, então, derretia na boca. Que almoço… O meu prato custou R$ 18, e o da minha esposa creio que o mesmo preço.

O prato principal completo: que gostoso!
O osso do suã

Se pudesse, gostaria muito de dizer ao meu pai que, agora, eu o entendi perfeitamente quanto ao sabor do suã. Saudades…

Super recomendo o Boteco do Japão, lugar de comida simples e demais saborosa. Não coloquei o endereço, mas todos no centro conhecem o lugar. Basta perguntar para alguém da cidade.

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