O delicioso Festival do Arenque do Escandinavo (SP)

por Claudio Schapochnik

Em janeiro passado, portanto longe desta loucura da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), vi no Instagram do restaurante Escandinavo, aberto em junho de 2018 em Pinheiros (Zona Oeste de São Paulo), que a casa iria fazer um Festival do Arenque – ou hering, entre outros nomes que o peixe tem dependendo do país. Na hora já fiquei “doido”, salivando, e marquei a data pra não esquecer: sexta, dia 10. Na foto acima, um de meus pratos.

Sou louco por este peixe típico dos mares Báltico e do Norte, na Europa, desde criança. O hering, sobretudo nas formas em conserva e com creme de leite, é muito presente na mesa judaica asquenazita – judeus de origem do Centro e do Leste Europeu, regiões de onde vieram minhas queridas avós (Esther e Sarah) e meus queridos avôs (Henrique e Jayme), todos falecidos há muitos anos. Então estou acostumado a comê-lo e aprecio muitíssimo, sempre com cebola e pão preto, entre outros produtos.

A mesa do Festival do Arenque: linda e gostosa (fotos Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)
A chef Denise Guerschman (foto/reprodução da página do restaurante no Instagram)
O hering que mais gosto: marinado no óleo com pimenta e cebola

“Sabe qual era o café da manhã do vovô Jayme, Claudio?”, perguntou meu pai, Edison (1931-2014), para mim quando era criança. Respondi que não sabia. “Hering bem gordo e vodka”, explicou o meu pai, me deixando bastante surpreso. Imagino que o peixe era traçado em cima de fatias de pão preto. Hummmm… Tudo isso para enfrentar as temperaturas de 15° C a 20° C negativos no rigoroso inverno na então Bessarábia – atualmente República Moldova, pequeno país entre a Romênia e a Ucrânia. Quando? Creio que na década de 1920, por aí, imagino.

Além de comer no Brasil, já comi hering na Alemanha, Polônia, Belarus e Holanda e nos Estados Unidos. Nestes países, o peixe é barato, muito acessível, fácil de encontrar e faz parte da cultura gastronômica. Uma beleza!

Manteiga, dill (endro) seco e outro ingrediente seco: olha o capricho da pedra e das colheres!
O pão do festival
Ovo cozido fatiado

Só conhecia o Escandinavo de reportagens na imprensa e do Instagram. Pois bem, adorei a casa. É um misto de café, mercadinho e restaurante que pertence à chef Denise Guerschman, que viveu e trabalhou na Escandinávia – daí o nome da casa, que trabalha a cozinha de países desta região.

Naquele dia 10 de janeiro, uma sexta-feira, cheguei por volta das 11h ao Escandinavo. Estava em Pinheiros, onde tive compromissos mais cedo, e depois fui para a primeira edição do Festival do Arenque, que saiu por R$ 50 por pessoa. Fui o primeiro a chegar!

Minha “breja” e um dos meus pratos no festival; branco em cima da fatia não é maionese, é creme azedo
Cebola crisps; olha o design da peça para você se servir

SALÃO É UMA LINDA SALA DE ESTAR
Havia uma mesa linda toda arrumada com os produtos do festival no salão da parte do café e mercadinho da casa – há outro salão ao lado, separado por uma parede, onde fica o restaurante.

O salão do café e mercadinho é um charme só. Decorado com bom gosto, parece o espaço de uma residência ou de um apartamento. Senti-me literalmente em casa. Disse que vim para o festival, e a simpática chef Denise me apresentou os itens.

Tudo disposto com muito bom gosto, com acessórios e cerâmicas lindas. Show! Ícone do festival, o arenque era da Dinamarca e estava em três versões: tradicional (conserva com louro, pimenta e cebola), com especiarias e com molho de tomate. Uma característica comum: o peixe estava sempre cortado em postas de cerca de dois dedos de largura. Sensacional!

Para acompanhar o hering havia manteiga, pão (não o preto), pepino em conserva, cebola em crisps, ovo cozido em fatias, limão fatiado, mostarda, ketchup e creme azedo. Destes acompanhamentos, creio que só o crisps de cebola não era produzido na casa. Tudo gostoso!

Para beber, pedi uma cerveja dinamarquesa em lata chamada Beer Bear (R$ 24). Muito saborosa e caiu bem com o hering. Também tomei água sem gás da casa, aromatizada naturalmente – sem custo.

Hering com molho de tomate
Plaquinha com o preço na primeira edição
Hering com especiarias

ADOCICADO E SALGADO
Sentei-me numa mesa com outras três cadeiras e comecei a me servir. Comi o hering com pão, puro, com os molhos – destaque para mostarda, super diferente, e o creme azedo – , e com o pepino. Este estava bom, mas prefiro um que fica mais tempo curtido na salmoura com alho e pimenta e, quando pronto, adquire uma cor verde escuro. Nossa, me fartei de comer hering.

Dos três tipos de hering, provei e comi de todos, mas preferi o tradicional, sem dúvida. O com especiarias e o com o molho de tomate não são ruins, mas não fazem parte da minha relação de décadas com o peixe.

Uma coisa em comum, que me deixou bastante surpreso: os herings do festival, todos da Dinamarca, tinham uma “pegada” adocicada. Sempre comi hering na forma salgada. Seja no Brasil ou nos demais países que citei no início deste texto. Entre o adocicado e o salgado, prefiro o último.

Mas mesmo com esta surpresa, a experiência na primeira edição do Festival do Arenque do Escandinavo foi bem positiva. Conheci um novo restaurante, provei novas formas do peixe enfim… Valeu!

Antes desta loucura do novo coronavírus (Covid-19), o Escandinavo chegou a fazer a segunda edição do Festival do Arenque – R$ 50 por pessoa na compra antecipada e R$ 60 por pessoa na hora. Desta vez não fui. Espero que após esta pandemia a casa volte a atender normalmente e faça novas edições do festival. Recomendo.

Arte da promoção do primeiro festival (imagem/reprodução da página do restaurante no Instagram)
O pepino servido no festival
Fatias de limão e raminhos de dill (endro): capricho na arrumação

Neste momento de reclusão coletiva na cidade, a casa trabalha apenas com entregas por aplicativo. Vale a pena enviar um DM (Direct Mail), via Instagram, e perguntar o que há. A casa faz muitos produtos originários e inspirados na Escandinávia. Não os provei, mas pela “cara” deles, quando fui lá, parecem ser muito bons. Prestigie. E viva o hering!

SERVIÇO:
Escandinavo – Restaurante e Café Nórdico
Rua Deputado Lacerda Franco, 141/145, Pinheiros, São Paulo/SP
Instagram

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