QCeviche Mercure Copacabana RJ 7 Foto Claudio Schapochnik Que Gostoso

QCeviche! capricha no sabor peruano em Copacabana

por Claudio Schapochnik_Rio de Janeiro/RJ*

A riquíssima e saborosa culinária do Peru com, por exemplo, os peixes e frutos do mar bem frescos e o tempero acentuado puxado pelos ajís (pimentas), encontrou um ponto pra lá de privilegiado na Cidade Maravilhosa. E mais: tem tudo a ver com informalidade e o gosto semelhante do carioca quando o assunto é comida. Trata-se do restaurante QCeviche!, marca gastronômica da rede francesa Accor Live Limitless (ALL) criada em São Paulo e liderado pelo chef peruano Manuel Velásquez. A casa fica no Mercure Rio Boutique Hotel Copacabana, reinaugurado após ampla reforma no início do mês de julho passado. Apesar do nome, o cardápio vai além dos (excelentes) ceviches. A reportagem do QUE GOSTOSO! visitou o novo estabelecimento, conversou com os envolvidos na operação e, claro, almoçou por lá semanas atrás e conta agora como foi a (ótima) experiência.

Segundo a gerente de Alimentos e Bebidas do hotel, Gabriella Fiúza, o QCeviche! nasceu anos atrás no hotel Ibis Styles Barra Funda, na Zona Oeste da capital paulista, quando a gastronomia peruana “explodiu” no mundo.

“O tema desta unidade é a América Latina, e a ALL teve a ideia de criar uma marca própria de restaurante com essa pegada peruana. Não apenas para este hotel, mas para outros também. Resultado: deu super certo”, explicou Gabriella, carioca graduada em história pela UFRJ e hotelaria pela Estácio.

“Com a unidade do QCeviche! aberta no Rio de Janeiro, agora há quatro restaurantes da marca funcionando em hotéis da ALL no País — os demais ficam em São Paulo (dois) e Curitiba (um)”, contou a gerente, que passou por vários empreendimentos da rede e é fã da comida peruana.

No alto, o ceviche maravilhoso De Verano (atum com manga e melancia em leite de tigre de suco de caju, finalizado com massa de gyosa frita, castanhas e maionese picante) e, acima, a gerente de A&B do Mercure Copacabana, Gabriella Fiúza, e o chef do QCeviche!, Manuel Velásquez, no restaurante (fotos Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)
Vista parcial do salão do QCeviche!
O bar do restaurante

ADAPTAÇÃO E DESCONTRAÇÃO
Em relação às receitas, Gabriella disse que ocorreram adaptações. “´Cariocamos´, ou seja, incorporamos ingredientes locais para não só reproduzir a receita original”, explicou ela, que exemplificou. “Usamos muito o cherne, um peixe que o carioca gosta bastante”, emendou ela. O fundamental ají, por exemplo, é nacional e vem de um fornecedor de Minas Gerais.

De acordo com ela, como o restaurante ainda é bem novo, estão previstas muitas novidades “mais para frente”.

Sobre o conceito da casa, a gerente assegurou que é “bastante informal e o mais próximo do cliente possível. Queremos que ele fique à vontade”.

Painel com os ingredientes do drinque pisco

O QCeviche! tem entrada independente e também por dentro do hotel. O salão é bem grande, com várias mesas, bar com cadeiras, paredes de tom salmão, ótimo ar condicionado (fundamental no Rio de Janeiro) e painéis com receitas de ícones como ceviche e pisco sour (que o Chile também reivindica como sendo “seu”).

Já pensando no cenário de maior liberalização, com o avanço da vacinação contra a Covid-19, e mesmo na pós-pandemia do coronavírus, Gabriella ressaltou que a casa está apta para receber eventos corporativos. “Temos um espaço aqui que comporta cerca de 40 pessoas em pé ou 32 sentadas.”

O BAR
No bar da casa o destaque é dado ao pisco, coquetel que é um ícone peruano similar à nossa caipirinha, porém à base de aguardente de uva e limão. O mixologista Pablo Lopes criou uma seção com seis opções do drinque resgatando os “macerados” — infusionados com especiarias e temperos. Entre as opções, há o Qkion, com pisco macerado de gengibre e canela, suco de laranja e limão, e o Ekeko, com pisco macerado em folha de coca, polpa de maracujá, limão e bitter de laranja. Ambos custam R$ 29 cada.

A bartender Thamiris de Oliveira e uma de suas criações (foto divulgação)
Garrafas de pisco peruano com várias infusões

A bartender Thamiris de Oliveira, responsável pelo bar, assina os coquetéis autorais. Natural de Niterói, é formada em Serviço Social pela UFRJ e teve o primeiro contato com a área em 2018, quando trabalhou na cozinha do restaurante vegano Annapoorna, em Jacarepaguá (Zona Oeste do Rio de Janeiro).

Após passar por outros restaurantes como garçonete, ela decidiu se especializar em coquetelaria, formando-se pela Bar Skull. Começou no Gusto Cucina Bar e Boleia Bar.

Em entrevista por email, pois no dia da visita Thamiris estava de folga, ela me contou sobre sua relação com a culinária e as bebidas do Peru. “Não tive contato com a culinária peruana até dois meses atrás. Mas a surpresa foi super positiva! Nós do QCeviche! tivemos degustação de comida e bebida, e está sendo uma ótima oportunidade de desenvolvimento do meu paladar. Em relações aos drinques, consegui ver uma aproximação de gosto/agrado pessoal, em composições picantes e frutadas, como por exemplo o uso de pimentas e gengibre. A chicha morada, bebida típica peruana, também me remeteu uma memória afetiva com chá de hibisco e xarope de canela.”

Painel com os ingredientes do ceviche tradicional

Segundo ela, o processo criativo veio com o treinamento com a equipe. “Primeiro pensei no bairro de Copacabana, e fiz o Deu Mate numa junção do melhor da praia para o interior do restaurante. A refrescância do chá mate com o biscoito de polvilho, popularmente conhecido pelos frequentadores de praia. O coquetel Elis foi pensando na região do Beco das Garrafas, no início da Bossa Nova, e a presença da cantora Elis Regina nos bares ao redor. O Colheita, dentre alguns ingredientes, traz o aroma do café, e abacaxi, símbolo da hospitalidade. Por fim, Afrodite, com sabor de coco, próximo a praia e os mistérios e beleza da maresia, que nem só de sol vivem os cariocas.”

Ainda que a casa tenha cerca de dois meses de operação, Thamiris enumera quais são os drinques mais pedidos pelos clientes. “Da carta peruana temos o Ekeko. Mais picante, o Qkion é o mais expressivo. Dos autorais, Deu Mate — refrescante, adocicado e levemente cítrico. E dependendo do paladar do público varia bem entre Colheita e Afrodite.”

Para quem gosta de cerveja, há o rótulo peruano Cusqueña nas opções Golden (R$ 15), Red (R$ 17) e Trigo (R$ 17).

O CHEF
Peruano da capital, Lima, e do lindo bairro de Miraflores, o chef Manuel Velásquez formou-se na Escola de Alta Cocina Cenfour. Como estagiário, trabalhou no hotel Bahia Principe, em Punta Cana, na República Dominicana. De volta ao seu país, em 2010, trabalhou por quatro meses, “14, 16 horas por dia” no aclamado e estrelado Astrid y Gastón, um dos principais restaurantes peruanos modernos.

O simpático e competente chef peruano Manuel Velásquez

No ano seguinte veio para o Brasil, em Brasília. Trabalhou no restaurante Taypá Sabores del Peru, primeiro restaurante de comida peruana da Capital Federal, e faz mais cursos. Voltou para Lima, onde estagiou numa casa japonesa. “Nunca parei de estudar e gosto de me reinventar”, disse o jovem e simpático Velásquez, que fala um bom português com acento espanhol e gosta das expressões como “pra caraca” e “na real”.

No cardápio, destacou o chef, há peixes, frutos do mar, ceviches, “dei uma ´cariocada´ com a inclusão do chuchu”, pratos com arroz e opções veganas. “Neste mês de setembro vou trazer novidades”, adiantou ele, “com a entrada de mais opções de frango no cardápio”, exemplificou, sem dar detalhes. “Estou realizando um sonho trabalhando aqui no QCeviche!

O CARDÁPIO
O menu do restaurante oferece alguns tipos de ceviches, desde o Clássico, feito com peixe branco marinado em leite de tigre, cebola roxa e coentro, acompanhado de batata doce glacê cozida em especiarias e milho torrado (R$ 37), a versões diferentes como o De Verano, de atum com manga e melancia em leite de tigre de suco de caju, finalizado com massa de gyosa frita, castanhas e maionese picante (R$ 39). Para os veganos, há o Verano Vegano, chuchu cozido com temperos da casa, avocado, manga e melancia em suco de caju cítrico (R$ 32); e para os vegetarianos, o Del Huerto, com cogumelos paris, cebola roxa, coentro, caju em mix de pimentas peruanas e suco de limão (R$ 32), ambos são servidos com massa de gyoza frita.

Há ainda mais opções de petiscos, que o carioca gosta tanto, como Causa Bravaza, mini causas verdes com tartare de salmão e atum picante, aioli e maionese de azeitona (R$ 39, três unidades); Croquetas de Camarones, bolinhos de camarão com massa de mandioca e pimentas peruanas sobre creme de queijos da Serra (R$ 48, quatro unidades); e Las Brochetas, espetos marinados de filé mignon (R$ 15); de frango (R$ 15) e de peixe branco (R$ 15), entre outras.

Na sequência chegam as Ensalada Amazônica, mix de folhas com palmito assado em azeite de ervas, cebola roxa, pimentão, abacate, picles de rabanete e ovos de codorna em molho vinagrete (R$ 34), e Ensalada Criolla, mix de folhas com quinoa, cebola roxa, picles de beterraba, azeitonas verdes, ovos de codorna, tomates cereja em molho vinagrete criollo, finalizada com queijo minas padrão ralado (R$ 32).

O El Pescado Carioca (filé de cherne grelhado com crosta de quinoa servido com fettuccine ao pesto de manjericão, basílico e espinafre (R$ 80)
O Ossobuco Norteño

Entre os principais estão o Pescado a Lo Macho, filé de dourado sob torre de frutos do mar em molho picante acompanhado de arroz branco (R$ 62); Tacu Tacu de Mariscos, mix de arroz e feijão temperado, crocante por fora e macio por dentro, servido com molho de frutos do mar levemente picante (R$ 59); El Ossobuco Norteño, risotto de parmesão com ossobuco cozido lentamente no vapor e molho norteño (R$ 55); e Arroz con Pato, magret e coxa de pato cozidos lentamente no vapor, acompanhados de arroz norteño e salsa criolla picada (R$ 102, para duas pessoas).

Na categoria de sobremesas há Suspiro Limeño, creme à base de leite condensado com especiarias, sob merengue italiano de vinho do Porto (R$ 16); Los Picarones, rosquinhas fritas de abóbora e batata doce com mel de rapadura, figos e canela (R$ 16); e La Chocoteja, releitura do chef para a tradicional sobremesa de chocolate com doce de leite e nozes (R$ 18).

A seleção de ceviches que provei

O ALMOÇO
Eu amo ceviche, e fui na dica de um dos garçons muito simpático que me atendeu para provar uma entrada: a degustação de quatro tipos de ceviches (R$ 68). Escolhi esses: Clássico, De Verano, Verano Vegano e Del Huerto. Todos estavam muito bons mesmo.

A presença do coentro, erva que não gosto (sou anticoentrista), não causou tanto com minha pupilas gustativas. Ainda bem. Será que meu organismo está mudando de opinião?

Dos quatro que pedi, me surpreendi bastante com o De Verano. Muitas novidades juntas para mim: atum, frutas que adoro (manga e melancia), leite de tigre de suco de caju e maionese picante. Arrasou. Adorei demais. O vegano também me chamou a atenção por ter chuchu cozido, avocado e novamente manga e melancia em suco de caju. Prato vegano com sabor e presença. Os outros dois também estavam muito bons.

O ceviche De Verano: simplesmente excelente
O ceviche Verano Vegano: com chuchu — novidade

Como principal, pedi o Nosso Lomo Saltado (cubos de filé mignon salteados com pimentão, cebola roxa e tomate acompanhados de arroz branco e batatas fritas, R$ 55). Comi algumas vezes esse prato numa viagem que fiz com amigos ao Peru, em 1987. A carne chegou no ponto solicitado, de mal a ao ponto, e veio com um molho suculento e super bem temperado, que caiu bem misturando com o arroz. Prato bem saboroso.

Também provei um prato da cozinha chifa — a fusão promovida pelo imigrantes chineses da sua culinária com a culinária do novo país de adoção, o Peru, utilizando a panela wok. Pedi o El Chaufita: arroz, cogumelos e legumes fritos com molho oriental e gergelim. Bom demais. Muito bem temperado, arroz fritinho, bons legumes e o sabor e odor marcantes do gergelim.

O Nosso Lomo Saltado: sabor ótimo e recordações de minha viagem ao Peru, em 1987
O El Chaufita: representante da cozinha chifa e bom demais

Na sobremesa, também provei duas opções: o tradicional Suspiro Limeño e o até então desconhecido La Chocoteja. O primeiro estava bem saboroso e bastante doce, quase um doce brasileiro. O segundo, pelo contrário, tinha um doce bem suave. Muito bom.

Para finalizar, creio que o QCeviche! é uma grande e agradabilíssima surpresa na cena gastrô carioca. Pelo que provei no almoço, só posso recomendá-lo com louvor. Vida longa à casa. Que gostooooooso!

O Suspiro Limeño: bastante doce e muito bom
A La Chocoteja: surpresa muito agradável

*A reportagem do QUE GOSTOSO! almoçou a convite da Accor Hotels

SERVIÇO:
QCeviche! — Mercure Rio Boutique Hotel Copacabana
Avenida Atlântica, 2.554, Copacabana, Rio de Janeiro/RJ
Tel. (21) 3545-5100
Horário: segunda a sexta, das 12 às 15h e das 19h às 23h; sábado e domingo, das 12h às 16h e das 19h às 23h
Aceita todos os cartões de crédito e débito
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