por Claudio Schapochnik_Gonçalves/MG
Na linda e charmosa cidade mineira de Gonçalves há um programa que une esporte/contemplação e culinária — que pode ser feito junto ou separado. Eu e minha esposa fizemos juntos, duplamente: eu e ela subimos a Pedra Chanfrada, de 1.771 metros de altitude, num esforço hercúleo de minha parte pois estou fora de forma (leia-se acima do peso), e depois recuperamos as calorias consumidas na difícil subida e na descida cuidadosa com um bem gostoso almoço mineiro no ótimo restaurante Ao Pé da Pedra. A casa, em operação desde 1998, serve variadas opções no sistema de bufê à vontade (R$ 45 por pessoa, preço do início do mês de junho passado). Somente as bebidas são pagas a parte.
Sim, o restaurante tem este nome pois de fato fica perto do “pé” da pedra. Entre um e outro há muitas árvores, como araucárias maravilhosas, e uma plantação de tomates.


Chegamos na propriedade por volta das 11h e, com garra e coragem, começamos a fazer a trilha para o topo da Pedra Chanfrada. É autoguiada com placas e, por isso, pode ser feita sem guia ou ficar preocupado em se perder.
Segundo o pessoal do restaurante, a trilha tem 1.100 metros de extensão — parece mais — e tem nível médio a difícil, pois “é bem íngreme e em alguns momentos estreita”. Recomendam ainda subi-la até às 15h30. Motivo: para que a descida ocorra ainda com a luz do dia.



A subida foi difícil, bem difícil. Havia chovido ou garoado talvez no dia anterior, e a trilha tinha trechos escorregadios. Soma-se a isso o fato de ser íngrime em vários períodos do caminho.
No caminho, sem pressa, fomos admirando flores, araucárias e outras espécies e os fungos branco, laranja e vermelho nos grossos caules das árvores, indicativo de que lá o ar é puro.
Cerca de 50 minutos depois do início da trilha, chegamos num platô, bem no alto da Pedra Chanfrada. Não era o final da trilha. Faltava pouco, mas preferimos ficar onde alcançamos. De lá descortinou uma linda vista das montanhas da cidade. Valeu a pena o grande esforço físico.
A descida foi demorada também, visto que, como escrevi acima, havia trechos escorregadios que pediam mais atenção. Chegamos “mortos” ao restaurante e com o apetite a toda pra degustar o bufê mineiro.


O RESTAURANTE
O Ao Pé da Pedra ocupa uma casa onde ficam o salão com algumas mesas, o caixa, o bufê, a cozinha e os banheiros. Na parte externa, há mais mesas, um amplo gramado com vista para as árvores e dois bolsões de estacionamento para os carros.
Tudo por lá seguia o protocolo de enfrentamento à pandemia de Covid-19: álcool em gel 70%; fora da mesa, uso obrigatório da máscara; para se servir, havia luva descartável de plástico; e, se houvesse fila para se servir, o espaçamento de 1,5 metro seria estabelecido — não foi o caso. Fomos numa sexta-feira, e a casa estava bastante tranquila.
Sentamos na parte externa embaixo de uma árvore. Estava tudo bem até um grupo numeroso de maritacas-verdes, espécie de ave da família do papagaio, chegou e ocupou uma outra árvore. As maritacas estavam a toda, fazendo uma algazarra num volume bem alto.



O BUFÊ E O ALMOÇO
O bufê do restaurante é dividido em três partes: de salada, de pratos quentes e de sobremesas — este último é pago a parte também, e não nos servimos.
Muitos dos itens do bufê de saladas são cultivados na horta própria do restaurante. No dia do almoço havia duas plantas alimentícias não convencionais (pancs) por lá: azedinha e almeirão-roxo.

No bufê de pratos quentes, entre outras opções, havia tutu de feijão e feijão (ambos feitos com o carioquinha), feijão preto gordo (com carnes suínas), mandioca frita, torresmo, arroz branco, frango cozido, costelinha de porco, linguiça, lombo, couve e abobrinha refogadas, bolinho de mandioca, farofas e peixinho frito — este último é outra panc, que também só conhecia de ver em hortas e jardins.


Comecei meu almoço montando uma salada no prato, com folhas de azedinha, que tem um verde claro bem bonito, e almeirão-roxo, cujo nome vem da cor dos “veios”. Gostei do sabor de ambas. A azedinha é azedinha de leve, e o almeirão-roxo é, também como o verde que já conheço, amargo.
Logo após fiz um prato como se estivesse num boteco, só com acepipes para preparar o terreno para a comida de sustança: torresmo, linguiça, costelinha suína e a outra panc do bufê, o peixinho. Que gostooooooso! Torresmo sequinho, linguiça saborosa, costelinha bem temperada e peixinho na forma de tempurá — delicioso.
Depois fiz outro prato, desta vez com a sustança do arroz com feijão, farofa, abobrinha, mandioca frita e mais linguiça e torresmo. Ah, que gostooooooso!


A comida do restaurante é feita com amor, fresquinha e bem temperada. Adorei. Senti falta do frango com quiabo, mas tudo bem. O almoço fechou bem depois do exercício de subir e descer a trilha da Pedra Chanfrada.
Na hora de pagar a conta, que deu pouco mais de R$ 90, pois bebemos água, faltou energia elétrica e não pude passar o cartão. Sem problemas. O rapaz do caixa anotou meus dados, e quando cheguei no centro da cidade fiz o PIX para ele. Tudo resolvido na base da confiança.
Super recomendo o programa duplo: a trilha da Pedra Chanfrada e o almoço logo em seguida. Juntos, trata-se de uma experiência muito bacana. Vá com calma e saboreie devagar a comida mineira de raiz, apreciando o belo lugar e a atmosfera única de Gonçalves.
SERVIÇO:
Restaurante Ao Pé da Pedra
Estrada Terra Fria (prestar atenção às placas), Gonçalves/MG
Whats App: (35) 99910-3866
Horário: quinta a domingo, a partir das 12h
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