por Claudio Schapochnik
Atrás de uma porta de aço no coração da Lapa, a Pastelaria Aurora acalenta os clientes do bairro da Zona Oeste de São Paulo e de outras paradas com uma linha de salgados desde 1962 — não sei se no mesmo local — deliciosa, pouco “vento”, com bom tempero; muitos sendo preparados na hora, como os pastéis.
Havia muitos anos que não ia à Aurora. Até esta visita, tinha ido uma única vez. Guardei boas recordações dos sabores. E as boas lembranças voltaram.
O estabelecimento é pequeno de largura e extenso de comprimento. Sentei-me no balcão e pedi um pastel de pizza (R$ 7), uma esfiha fechada de carne (R$ 7) e um caldo de cana com limão (R$ 6), bem refrescante.


Ao meu lado estava uma “escultura de guardanapo” bem típica das pastelarias de São Paulo, incluindo as que servem pastel nas feiras — ainda que o acessório para limpar a boca e o entorno possa estar dentro de um cestinha de plástico. Acho um barato este tipo de “guardanapo”, que deste não tem nada. É uma folha de papel, muitas vezes grossa, usada com este fim.
O apresentador Philip “Phil” Rosenthal, da série documental original Netflix que une sobretudo gastronomia e turismo (sem mostrar o hiperexplorado de cada lugar) Somebody Feed Phil, reclamou desses papéis travestidos de guardanapos. Foi nos episódios de Buenos Aires e Seul. Ela reclamaria seguramente se comesse pastéis em São Paulo.

SABORES
A esfiha chegou primeiro. Sim, quase sempre as esfihas em pastelarias são fechadas. Nunca as vi abertas. Logo em seguida veio o pastel com o caldo de cana com limão. Delicioso e geladinho.
Comecei o lanche pelo pastel, que estava bem quente e sem aquele furo para sair o vapor pelando. Foi a segunda vez que comi pastel em pastelaria — a primeira foi a Yoka, na Liberdade —, ambas de japoneses, que não “quebram” suavemente a massa para exalar o vapor. Será que é norma deles? Talvez…
Hummmm… O pastel estava perfeito! Com muçarela, tomate, orégano e azeitona. Iria comer com os molhos de ketchup, mostarda e pimenta, mas todos estavam em sachês de plástico. Esta forma de embalagem creio que não combina com prevenção de Covid-19. Então não os coloquei.


Muita gente não consegue abrie os sachês e os coloca no lugar e aí vem outra pessoa e pega o mesmo sachê. Tinha de vir em um copinho com uma colherzinha, ambos de plástico. Usou, vai pro lixo. Acho mais higiênico.
A esfiha de carne tinha a massa leve e estava muito bem recheada. Carne temperada “da hora”. Salgado delicioso.
Sim, fiquei com vontade de comer mais, mas fica para uma próxima visita. Ainda bem que não moro longe. Pastelaria old school. Super recomendo. Para saber os horários, melhor ligar antes.

SERVIÇO:
Pastelaria Aurora
Rua Martim Tenório, 139, Lapa, São Paulo/SP
Tel. (11) 3836-4010
Tenho 59 anos e ainda me lembro que minha mãe me levava para comer pastéis em frente ao corpo de bombeiros, tinha na ocasião 8 ou 9 anos de idade. Adorava comer pastel com caldo de cana e ficava observando os caminhões de bombeiro na frente da pastelaria aurora.
Tenho saudades de um pastel que comi quando era garotinho a massa tinha um sabor inigualável que nunca mais provei.alguem sabe de uma massa assim?