Sitio Fontebasso Jundiai SP 2021 4 Foto Claudio Schapochnik Que Gostoso

Sítio Fontebasso serve boa lasanha em ambiente rural

por Claudio Schapochnik_Jundiaí/SP

No início do mês passado, eu e minha família aproveitamos um domingão de tempo lindo e fomos almoçar no interior próximo de São Paulo. O velho e bom bate-e-volta. Escolhemos Jundiaí. Distante cerca de 60 quilômetros da capital paulista pela rodovia Anhanguera, a cidade foi destino de muitos imigrantes italianos. É conhecida também pela produção de frutas e vinhos e possui roteiros de turismo rural. Por lá almoçamos no Restaurante e Adega Sítio Fontebasso, uma síntese do que escrevi linhas acima. Gostei bastante, pois oferece comida saborosa num lugar bonito — mas tem de chegar cedo, se não pega fila, que pode demorar.

A verdadeira saga no Brasil dos Fontebasso, família de gente trabalhadora, começou em 1887, quando o italiano Santo Fontebasso imigrou da região do Vêneto para o interior paulista. Ele, ainda solteiro, trabalhou numa fazenda de café na cidade de Itatiba e, depois, quase voltou à Itália. Pelo conselho de um amigo, mudou de ideia e comprou uma propriedade no bairro de Caxambu, em Jundiaí. Para lá ele se mudou já casado, com Matilde Paschoalotto, e com sua família. E o negócio com a uva e o vinho só prosperou.

Mais de um século depois, em 2012, os descendentes do casal Santo e Matilde tiveram a ideia de abrir um restaurante. O plano se concretizou sete anos mais tarde, com a inauguração da casa. No comando está Vitor Fontebasso, da quinta geração da família.

No alto a lasanha quatro queijos e, acima, videiras no parreiral do Sítio Fontebasso (fotos Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)
Sítio Fontebasso serve boa lasanha em ambiente rural
Vista geral do galpão, onde há mesas e a cozinha, e do gramado do restaurante

O restaurante ocupa um galpão defronte a um amplo gramado. O lugar é bonito, com clima total de campo. Assim que você entra na propriedade, há um estacionamento à direita e a adega à esquerda, onde vale a visita após o almoço para comprar vinho e suco de uva. Uma estrada leva ao restaurante e a outro bolsão, bem maior, para os carros estacionarem.

Como escrevi no início deste texto, há que chegar cedo se você tiver fome. Eu e minha família chegamos por volta do meio-dia e faltavam poucas mesas para o estabelecimento lotar dentro do possível, por causa dos normas de distanciamento devido à pandemia de Covid-19.

Além de bananeiras, gramado da casa tem antigos instrumentos de trabalho na roça

LASANHA: TRÊS TAMANHOS; NA VERDADE, TRÊS PESOS
Conseguimos uma mesa e já fizemos o pedido do prato principal: a lasanha, um dos ícones do menu do restaurante. Todas as lasanhas da casa, está escrito no cardápio, levam cerca de uma hora até chegar à mesa. Pedimos a de quatro queijos (massa caseira, molho branco, muçarela, catupiry, provolone, gorgonzola e parmesão ralado). Também pedimos uma salada, que chegou rapidinho. Para beber, água e suco de uva da casa (bom).

Os sabores das lasanhas (bolonhesa; queijo e presunto; quatro queijos; berinjela à bolonhesa; e berinjela com presunto e queijo) são apresentadas de uma forma que nunca tinha visto antes: por peso. Há três categorias: de um quilo, de 2,5 quilos e de cinco quilos. Caramba… Lasanha de cinco quilos! A nossa, de quatro queijos, foi de 2,5 quilos ao preço de R$ 88. “Será que exageramos?”, pensei logo após o garçom anotar o pedido. Bem, se sobrar, a gente pede pra embrulhar. Mas não foi necessário…

CARDÁPIO CRIATIVO: ÍTALO-CAIPIRA
O menu, literalmente, é um grande destaque do restaurante. Os títulos das seções estão escritos no ítalo-paulista na versão contemporâneo. É criativo, engraçado e, só se o leitor for muito carrancudo, chato e sem graça, não vai rir.

Essa forma de comunicação foi amalgamada após a chegada de milhares de italianos a partir do final da segunda metade do século 19 ao Brasil, que foram trabalhar sobretudo nas fazendas de café no interior paulista. O ítalo-paulista era o dialeto desses trabalhadores já residentes há muito tempo e seus descendentes na região e também na capital paulista, já que misturavam o italiano ou o dialeto de sua região com o português, no caso o falado no Estado de São Paulo.

Ao ler as seções do cardápio do restaurante, lembrei-me automaticamente de Juó Bananére. Este era o pseudônimo do escritor, poeta e engenheiro paulista Alexandre Ribeiro Marcondes Machado (Pindamonhangaba, 1892 — São Paulo, 1933). Apesar de não ter raízes italianas, Machado escreveu “As Cartas d´Abax´o Pigues” no jornal O Pirralho, entre 1911 e 1917, em ítalo-paulista. São textos muito engraçados e, muitas vezes, difíceis de ler numa mistura macarrônica de italiano, português e sei lá mais o quê.

Página do cardápio: “Pá cumê”
Outra página do menu: “Pá enche a pança”

Aos interessados em saber mais sobre Juó Bananére, o ítalo-paulista e as cartas sugiro a leitura de Juó Bananére: As Cartas d´Abax´o Pigues, de Benedito Antunes (Editora Unesp, 1998). Um livro sensacional.

Voltando ao cardápio do restaurante Fontebasso, seguem os nomes das seções: “Os vinhos que nóis faiz”; “Pá nóis vê o mundo girá”, com as bebidas alcoolicas; “Árco cum limão isprimido i açuca”, com as caipirinhas e caipiroskas; “Pá nóis num ficá beubo”, com sucos, águas, refrigerantes; “Pá nóis entorta o caneco”, com as cervejas; “Pá acumpanhá”; “Uns mato sardave”, com as saladas; “Pá enche a pança”, com as massas — meia porção com 500 g e porção inteira com um quilo; e “Pá petiscá” — meia porção com 500 g e porção inteira com um quilo, que pode ser isca de tilápia, linguiça, panceta e polenta etc.

No menu há ainda regras para atender clientes com restrições a glúten e lactose e que tenham dieta vegetariana. Muito bacana.

A salada completa que comemos
Trecho do cardápio: “Uns mato sardave”, sensacional

O ALMOÇO
Depois de comer a salada e cerca de uma hora depois do pedido, o garçom trouxe a lasanha, que chegou linda numa telha. Assim que a coloca na mesa, ele maçaricou a cobertura de parmesão. Um show a parte que deixou essa parte da massa crocante.

A lasanha tem a massa leve e bastante recheio. Deu pra sentir todos os queijos ali presentes. Gostei, valeu. Minha esposa não quis, mas eu e meus enteados repetimos. Que gostooooooso! Raspamos a telha.

A lasanha que saboreamos: cobertura crocante após ser maçaricada
Há diversas mesas no gramado: boa opção, mas precisa chegar cedo

Com o almoço pago, fomos à adega e compramos vinho e suco de uva. Por falar em vinho, o restaurante cobra taxa de rolha em R$ 30.

O almoço, o ambiente rural e as risadas que dei ao ler o cardápio por causa do ítalo-paulista valeram. Foi um programa muito legal naquele domingo de sol no Sítio Fontebasso. Super recomendo e pretendo voltar.

A conta do almoço
Antigo implemento agrícola na propriedade dos Fontebasso
A horte de onde saem as verduras para a cozinha do restaurante: tudo fresquinho

SERVIÇO:
Restaurante e Adega Sítio Fontebasso
Avenida Humberto Cereser, 7.405, Caxambu, Jundiaí/SP
Atende aos sábados, domingos e feriados
Horários: ligue, escreve ou veja no Instagram
Whats App: (11) 97205-2698
Instagram

Deixe uma resposta