Champagne - garrafas - Foto Mamoru Masumoto - Pixabay

Enoturismo na Champagne: melhor reservar antes

por Claudio Schapochnik

No sábado passado (dia 17/7) a França abriu as fronteiras também para os brasileiros totalmente vacinados contra a Covid-19 — valem, por enquanto, as vacinas Pfizer, Astra Zeneca ou Janssen, além da Moderna, ainda não utilizada no Brasil. Para quem pode viajar para o país europeu e gosta de enoturismo, a dica é a aproveitar a região que une champagne e patrimônio histórico: a Alsácia Lorena Champagne Ardenne. Lá estão cidades intimamente ligadas à cultura da bebida borbulhante como Reims, Épernay e Troyes. A região é vizinha à de Île-de-France, onde fica a capital francesa, Paris.

Todos estes pontos e muito mais foram tratados, de forma bastante didática e cheia de simpatia e conhecimento, na live “Enoturismo na Champagne”. O encontro foi promovido e realizado pela diretora para América do Sul da Atout France, Caroline Putnoki, com o enólogo da Moët Hennessy Brasil (leia-se grupo LVMH), François Hautekeur. O encontro virtual ocorreu na Data Nacional da França, o 14 de julho, quando se lembra a Queda da Bastilha e o início da Revolução Francesa no final do século 18.

No alto garrafas de champagne (foto Mamoru Masumoto/Pixabay) e, acima (reprodução), momento descontraído da live, com Caroline Putnoki (Atout France) e François Hautekeur (Moët Hennessy Brasil)
No mapa: a capital francesa, Paris, assinalada na região da Île-de-France e, em vermelho, a região da Alsácia Lorena Champagne Ardenne

A sigla LVMH é como se conhece mais o grupo francês Louis Vuitton Moët Hennessy. Proprietária de várias marcas de luxo em diversos segmentos, a companhia apurou no ano passado faturamento de quase € 45 bilhões. Na região da Champagne a LVMH é dona, entre outras, das maison Veuve Clicquot Ponsardin, Ruinart, Dom Pérignon e Moët & Chandon. Todas têm programas de visitação e degustação, entre outros programas mais privativos.

“Eu imploro: façam reservas!”, disse Caroline. A diretora da Atout France enfatizou esse fato para tornar a visita dos brasileiros por lá mais, digamos, produtiva e evitar decepções. De fato: se reservar antes a visitação e, se necessário, contratar guias de de turismo fluentes em português, a viagem fica redondinha.

Além de dominar o conhecimento técnico e do negócio da uva e do vinho, Hautekeur conhece como poucos a região da Champagne. Motivo: ele viveu 12 anos em Reims, três anos como engenheiro (sua primeira formação) numa montadora de carros e nove anos como enólogo na maison Veuve Clicquot Ponsardin. “As primeiras garrafas da marca chegaram no Brasil em 1818, portanto, estamos aqui há muito tempo”, disse ele.

O enólogo da Moët Hennessy Brasil estudou enologia por dois anos em Toulouse. “Enologia é a minha paixão e estudar o que se ama é maravilhoso”, recorda ele, que depois voltou pra Reims.

Vista geral da Basílica de Saint Remi, em Reims (foto Leonardo Marchini/Pixabay)

Reims é pertinho de Paris, cerca de 45 minutos de trem (com o TGV), e dá para fazer um bate e volta desde a capital francesa: conhecer as maison, fazer degustações, almoçar, passear e voltar”, sugeriu Caroline.

Ainda em Reims, o turista deve, segundo os dois profissionais, conhecer o rico patrimônio histórico-religioso. O ícone da cidade é a catedral gótica do século 13, onde foram coroados quase todos os reis da França. “Lá dentro estão os famosos vitrais do pintor Marc Chagall (1887-1985) com a marca dele: a cor azul”, destacou Caroline. “Do lado de fora, a estátua do anjo sorrindo é outro destaque”, emendou ela.

O famoso anjo sorrindo na entrada da Catedral de Reims (foto Dezalb/Pixabay)

“Há ainda a Basílica de Saint-Remi (século 11) e o centro da cidade, que é lindo e ideal para passear”, completou Hautekeur.

Em relação à visitação na maison Veuve Clicquot Posardin, o enólogo disse que a visitação ocorre de 1º de abril a 31 de outubro. “Lá há muitas atividades para turistas, como visitar o vinhedo a pé ou de bicicleta, fazer picnic”, exemplificou ele. “Há ainda o lindo jardim, estilo ´místico chic´, silencioso e com um enorme cedro do líbano. Este passeio é para grupos de até 20 pessoas.” Para conhecer a oferta de atividades, clique aqui.

Já no subsolo da maison Clicquot há 24 quilômetros de túneis recheados de garrafas de champagne. “Lá a temperatura é constante a 11º C, a mesma temperatura média anual de Reims.”

Outra dica de ambos os profissionais é ir a cidade de Épernay, a “capital da champagne”. O título foi dado orgulhosamente dos próprios habitantes, cerca de 25 mil — “praticamente quase todos trabalham de uma forma ou de outra com a bebida”, disse Hautekeur. Lá está a Avenue de Champagne, a “Champs-Élysées” da bebida visto que reúne algumas maison como a Moët & Chandon.

“Embaixo da M&C há 28 quilômetros de galerias com milhões de garrafas de champagne, e a loja da maison é linda, suntuosa”, assegurou o enólogo. Para conhecer as atividades por lá, clique aqui.

Túnel da maison Moët & Chandon (reprodução do site)

Em Épernay dá para visitar ainda a maison Dom Pérignon, de 1668, que leva o nome do monge beneditino (1638-1715) ligado à história do aprimoramento das técnicas de cultivo de uvas a da elaboração de vinhos e, equivocadamente, do champagne.

No final da live, Caroline lembrou de outra cidadezinha imperdível da região: a medieval Troyes. “É linda e lá se come muito bem”, recordou Hautekeur. “Uma curiosidade: o mapa da cidade lembra a rolha de uma garrafa de champagne”, disse ele.

Caroline e Hautekeur na live: muito aprendizado

A live não trouxe muitas opções de dicas de o que comer e onde saboreá-las. Obviamente quanto ao que beber… Champagne, champagne, champagne. Para comer os profissionais recomendaram a andouillette, uma linguiça feita com tripas de porco típica de Troyes, e provar um queijo produzido com leite cru de vaca e detentor do selo de Denominação de Origem Protegida (AOC, na sigla francesa), o Chaource. “Este queijo harmoniza muito bem com um champagne rosé”, finalizou Hautekeur.

Ao assistir a live, um filme datado de quase 20 anos passou na minha mente. Orgulhosamente, fui premiado como “Jornalista Revelação” pela Comissão Europeia de Turismo (CET) no Brasil, na edição da Premiação Imprensa CET 2002. À época trabalhava na Panrotas. Naquele ano o prêmio para todos os vencedores foi uma viagem à França, justamente na região, que naquela época, ainda se chamava Champagne-Ardenne. Ah, conheci muita coisa que a Caroline Putnoki e o François Hautekeur abordaram. Somente a entrega do certificado ocorreu fora da Champagne: foi em uma das áreas do Château de Versailles. Foi uma viagem maravilhosa, divertida e inesquecível!

Deixe uma resposta