Hering, bêigale, wurst… O delicioso lanche judaico asquenazita

por Claudio Schapochnik

Semanas atrás, ainda antes do confinamento para evitar a propagação do novo coronavírus (Covid-19), meus cunhados, o casal Angelo e Ida, que vivem numa cidade no Estado do Rio de Janeiro, estavam aqui em casa, em São Paulo. Conversa vai conversa vem, saiu papo de comida e, não sei por qual motivo, a palavra hering – o peixe, não a indústria têxtil catarinense – apareceu. Pronto! A menção evoluiu para a ideia de fazermos um lanche, à noite, com uma mesa asquenazita – ou seja, com quitutes apreciados pelos judeus do Centro, Leste e Norte da Europa. Hummm… Estava tudo muito bom!

Encomendei no Emporium Brasil Israel – para ler sobre a casa judaica clique aqui – pães de cebola, bêigales duros e pepino caseiro em conserva. Melhor encomendar antes de sair. As vezes a sorte não está do seu lado e você, como aconteceu comigo, sai do empório com alguma vontade.

Parte da porção de hering do Empório Net Drinks (fotos Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)
Bêigale duro, do Emporium Brasil Israel: bom pra caramba

Antes do almoço, o app trouxe a estrela do lanche: o hering. Comprei meio quilo no Empório Net Drinks de Higienópolis – há outra casa em Pinheiros. É um ótimo mercado com muitas gostosuras judaicas.

O hering do Empório Net Drinks faz mais o meu gosto do que os herings dinamarqueses que já comprei no restaurante e café Escandinavo, em Pinheiros. Por quê? Porque são mais para o salgado e não para o adocicado. Leia mais sobre essa comparação numa matéria que escrevi no Que Gostoso! aqui.

O que pesa em relação ao hering aqui no Brasil é o preço deste peixe. Veja a nota abaixo do Net Drinks: quase R$ 100 o quilo! É muito caro. Ao contrário da Europa.

A nota comprova: hering no Brasil é caro
Pepinos em conserva do Emporium Brasil Israel: maravilhosos

Depois do almoço, eu, Angelo e Ida fomos ao Bom Retiro. A primeira parada foi no Emporium Brasil Israel, onde peguei minha encomenda. Ida localizou em uma das geladeiras um novo item para o lanche: wurst. Trata-se de um salame de carne bovina e, nesse caso, kasher – apto para comer para um judeu que segue estritamente as regras alimentícias reunidas num conjunto de normas chamada Cashrut.

Havia décadas que não comia wurst – fala-se vurst. Sim, décadas. Verdade. No apartamento de um casal de primos, Gelse e Jaime, muitos anos atrás, os aniversários por lá eram celebrados com muito wurst fatiado bem fininho e pão preto, entre outras itens saborosos da tradição judaica. Meu avô paterno, Jayme (Z´L), também adorava wurst.

Sim, wurst é o mesmo nome, em alemão, para salame – no caso de lá, de carne suína. O idioma iídiche, falado pelos judeus da Europa Oriental e pelos judeus ortodoxos e escrito com as letras do alfabeto hebraico, tem, sei lá, 90% origem no alemão da Idade Média. Daí o mesmo nome para o embutido, porém com características bem distintas.

DOCES E AGUARDENTE DE AMEIXA
A segunda parada no Bom Retiro foi na Rua Três Rios, numa doceria que ainda vou escrever um texto aqui no Que Gostoso! É a Burikita, que produz, entre outras coisas, doces de países do Leste Europeu, como da antiga Iugoslávia, terra natal do dono, e da Hungria. Como meu cunhado, Angelo, é filhos de húngaros, achei que ele ia gostar de conhecer o lugar. E gostou. Que bom.

Lá na Burikita, meus cunhados compraram a sobremesa do lanche. Entre os doces, havia um só com damasco e figo. Com as sacolas cheias, voltamos pra casa.

Wurst bovino e kasher: boas recordações familiares
Meu prato: bêigale, pepino, hering e a shlivovitsa

Lá pelas 19h comecei a arrumar a mesa, com todas essas delícias que compramos. Estava linda e muito saborosa. Fiquei contente que Angelo e Ida ficaram satisfeitos em comer, após muito tempo, eles salientaram, o hering. Gostaram muito.

Ah! Para beber, água e shlivovitsa – aguardente de ameixa, bebido em todo o Leste Europeu, com várias grafias e diversos nomes, porém bem semelhantes. O que escrevi acima é a transliteração da palavra em sérvio. O Angelo falou o nome em húngaro, bem parecido a este em sérvio. Ele conhecia a bebida. Então resolvi abri-la em sua homenagem. Ah, foi muito bacana!

A garrafa pet de shlivovitsa comprei em Belgrado, a capital da Sérvia e da antiga Iugoslávia, em 2015 durante uma viagem de férias. É muito forte!

A shlivovitsa que comprei em Belgrado e abri nesse lanche: bebida é bem forte
A nota do Emporium
Os pães de cebola do Emporium

Fiquei muito feliz em termos feito um lanche tão bacana, bem asquenazita. Foi uma delícia!

Como vivemos a pandemia do Covid-19, caso você, caro(a) leitor(a), quiser comprar algo que escrevi neste texto, ligue antes para saber se estão abertos e se aceitam encomendas e/ou entregam. Evite sair. Depois que tudo isso passar, aí sim, de um pulinho pessoalmente nas três casas. Valem a pena.

SERVIÇO:
Net Drinks
Rua Baronesa de Itu, 481, Higienópolis, São Paulo/SP
Tel. (11) 3666-6268 e (11) 3666-0078
www.netdrinks.com.br

Emporium Brasil Israel
Rua Guarani, 114, Bom Retiro, São Paulo/SP
Tel. (11) 3228-6105 e 3229-6819
E-mail: emporiumbrasilisrael@hotmail.com

Doceira Burikita
Rua Três Rios, 138, Bom Retiro, São Paulo/SP
Tel. (11) 3227-2654
www.burikita.com.br

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