por Cristiane Betemps – EMBRAPA CLIMA TEMPERADO
Novo resultado de pesquisa da Embrapa, a batata-doce BRS Prenda chega ao mercado como alimento biofortificado e reúne qualidades de interesse dos produtores e consumidores. A produtividade é alta – é possível colher acima de dois quilos por planta, desempenho considerado excelente em cultivos de hortaliças. A nova cultivar apresenta boa resistência a pragas e doenças, otimizando o uso de insumos. A arquitetura das plantas com ramas curtas e eretas facilita o cultivo e a colheita. Além disso, as batatas resistem por até três meses em boas condições, superando desafios relacionados ao armazenamento pós-colheita. É destinada a consumo de mesa, e a polpa tem cor amarelo-intensa.
O pesquisador Luís Antônio Suíta de Castro, responsável por conduzir o trabalho nos campos experimentais da Embrapa Clima Temperado, em Pelotas (RS), reforça que a nova cultivar supre demandas de produtores e consumidores. “Buscamos chegar a um material genético que apresentasse alta qualidade nutricional, boa aparência, tempo estendido de consumo após a colheita, e que fosse mais fácil de ser colhida, uma vez que as outras cultivares se espalham pelo solo.”
Segundo o pesquisador, a BRS Prenda se assemelha em doçura e em polpa amarelo-intenso à BRS Amélia, outra cultivar da Embrapa.
O pesquisador ressalta ainda que a nova batata-doce pode ser identificada como os chamados ´superalimentos´, e se enquadra nos biofortificados devido à alta concentração de carotenoides.

BATATA DIFERENCIADA PARA CULINÁRIA
Além das propriedades nutricionais para consumo de mesa, a nova cultivar de batata-doce é atraente pela casca rosada e polpa amarela, em tons intensos. Isso confere usos variados na cozinha gourmet ao possibilitar pratos coloridos e diferenciados.
“A BRS Prenda é uma batata muito bonita, pelo formato arredondado e por apresentar melhor aparência quando comparada às disponibilizadas no mercado, e isso atrai ainda mais o consumidor”, destaca Castro.
Ele comenta que a cultivar apresenta um tempo um pouco maior de cura — entre dez a 16 dias — do que as outras. Se for servida assada, o tempo de cozimento é de cerca de 80 minutos, a 200 °C.
A cura é um processo em que as batatas são submetidas a condições específicas de temperatura e umidade para intensificar o sabor, aumentar a doçura e melhorar a textura. Esse processo é fundamental na durabilidade e na qualidade da batata no armazenamento.
O tempo de cura da batata-doce é o período pós-colheita, geralmente de 4 a 7 dias. É o tempo em que também converte o amido em açúcar, deixando a polpa mais doce e saborosa.

ORIGEM DA BATATA-DOCE
A BRS Prenda, nome comercial da cultivar BD 179 – BRS Prenda, foi identificada a partir de uma seleção local no Sul do Brasil, seguida de excelente adaptação às condições edafoclimáticas em plantios realizados nos campos experimentais da Embrapa Clima Temperado, em Pelotas (RS).
Ali, avaliaram a produtividade com prospecção de produção, realizaram a descrição botânica e analisaram as qualidades nutricional e pós-colheita e observaram boa resistência a pragas e a doenças durante oito safras consecutivas.
A cultivar pertence ao Banco Ativo de Germoplasma da Batata-Doce da Embrapa Clima Temperado. “A Prenda foi obtida de sementes disponibilizadas por produtores rurais, em que o processo de hibridação ocorreu de forma espontânea. Pelas características botânicas, agronômicas e nutricionais diferenciadas foi avaliada em relação às demais introduções locais e cultivares. Assim, demonstrou ter potencial como nova cultivar de batata-doce para plantio na região Sul do Brasil, mas a sustentabilidade e a qualidade in natura das batatas as tornam aptas ao processamento nas principais regiões produtoras do País”, afirma Castro. “A BRS Prenda veio atender às demandas do mercado por alimentos mais nutritivos, produtivos e com menos insumos na produção”, reforça o pesquisador.
O trabalho de pesquisa teve o envolvimento da Embrapa Hortaliças (DF).

CARACTERÍSTICAS AGRONÔMICAS DA BATATA
A produtividade média de dois quilos por planta corresponde a aproximadamente 50 toneladas por hectare em lavouras bem conduzidas. A cultivar apresenta plantas compactas, com ramas curtas, eretas, de cor verde e com baixa pilosidade. As folhas apresentam cinco lóbulos profundos – folha tipo “pé de galinha” – diferentes dos observados nas cultivares atuais, são de cor verde-clara e medem entre dez e 15 centímetros.
As batatas têm boa aparência, com ausência de veias, rachaduras e poucos defeitos na superfície. A produção atende à exigência do mercado por alto percentual de batatas de tamanho médio. A BRS Prenda ciclo de cultivo varia de 120 a 140 dias.
O armazenamento pós-colheita permite manter a qualidade das batatas em boas condições por até três meses em temperatura ambiente. A arquitetura da planta, a qualidade das batatas produzidas, os componentes nutricionais e a produtividade são os pontos diferenciais em relação às cultivares atualmente comercializadas.

A PRODUÇÃO DE BATATA-DOCE NO RIO GRANDE DO SUL
A área cultivada de batata-doce no Brasil atingiu 65,6 mil hectares em 2024, com uma produção de 907 mil toneladas. O Rio Grande do Sul é um dos maiores produtores, especialmente no Centro-Sul do Estado e no município de Mariana Pimentel.
O RS produz 150 mil toneladas por ano, o que representa cerca de 18% da produção nacional, com ênfase no cultivo de base familiar e, em algumas áreas, no uso de ambiente protegido.
É uma cultura amplamente difundida, com forte presença em pequenas propriedades, e é considerada de subsistência. A batata-doce é fundamental para a diversificação agrícola e a segurança econômica dos pequenos produtores.
O plantio de novas áreas ocorre frequentemente após a safra na Região Sul, onde os meses de agosto a dezembro são ideais para o desenvolvimento das novas plantas.