por CLAUDIO SCHAPOCHNIK
“Descoberta” pela minha esposa, que tem um ótimo feeling para encontrar bons lugares para comer e também se hospedar, a Casa da Tanea é um pequeno restaurante de cozinha brasileira e comida de boteco sensacional. Pertence à cozinheira paulistana Tanea Romão, nascida no mesmo bairro de seu estabelecimento – a Vila Romana, na Zona Oeste de São Paulo. Ela faz uma comida simples e saborosa, mas com muito conhecimento, muita técnica e sem qualquer ultraprocessado por trás.


Mas, acredito, que além disso tudo, senti que a Tanea faz seu trabalho com amor e paixão. Deu para senti-los no sabor da comida e na sua personalidade.
Simpática, verdadeira, sorridente e atenciosa. Foi assim que ela se portou quando conversamos por alguns minutos, logo após o almoço no seu restaurante com minha esposa e meus enteados.
Fiquei fã da Tanea.
Preciso provar os demais pratos de sua casa.

O restaurante ocupa uma casa espaçosa, e as mesas estão dispostas pelas antigas áreas da sala e dos quartos. Em relação à decoração, é simples e brasileira. Vi objetos de barro e um interessante lustre feito com raladores.


O almoço foi num domingo. Pedimos o único prato do cardápio domingueiro, aquele bastante presente na casa dos paulistanos: frango na brasa, talharim caseiro com molho de tomates frescos, batatonese e farofa. Valor: R$ 45 por pessoa.
Por R$ 55, além do principal, há ainda entrada, sobremesa e café. Bebidas e serviço (taxa de 12%) são pagos à parte.

O ALMOÇO
Antes de chegar a comida, pedi uma cajuína (R$ 15, 480 ml), bebida docinha de caju e de procedência cearense. É produzida em Chorozinho, distante 72 quilômetros ao Sul de Fortaleza. Adorei demais. Que gostooooooso!

Comecei meu almoço com frango e cebolas assadas, farofa – farinha, da de mandioca, no meu modo de entender, pois não havia outros ingredientes misturados – e batatonese. Gostei do nome deste último item, outra forma de chamar uma maionese de batata.
O frango estava ótimo, suculento, macio e bem temperado. A pele deliciosa. Que gostooooooso! Lembrou grivalach – pele de frango, neste caso frita, típica da cozinha judaica asquenazita (Norte e Leste da Europa).

O frango comi “molhando” os pedaços na farinha com as cebolas assadas. Bom demais. Que gostooooooso!
A batatonese leva batata, ovo cozido e maionese. Menos é mais. Estava deliciosa e repeti mais de uma vez. Que gostooooooso!

Depois provei o macarrão. O talharim estava bom, de massa leve e molho que você percebe mesmo que também é caseiro. Que gostooooooso!
É possível pedir reposição dos itens, sem pagamento extra, e assim o fizemos para o frango e a batatonese. Que gostooooooso!

Essa refeição lembrou em parte os almoços de domingo que minha mãe, Eva, fazia quando vivíamos ela, meu pai, Edison, e meus irmãos – Nelson, Marcelo e Arnaldo – na mesma residência na Casa Verde, Zona Norte de São Paulo.
Papai compra o frango numa padaria, e a mamãe preparava o macarrão – de pacote, geralmente de marca italiana –, com o molho de tomate sensacional feito por ela. Maionese era raro, e a salada mais presente era de folhas, tomate e bastante cebola.

Olha só que bacana o que li na página dela no Instagram: a Tanea trabalha há 20 anos com mulheres da Zona Rural e remanescentes de quilombos. Desse contato, ela recupera receitas e ingredientes esquecidos ou rejeitados.
“Sou uma cozinheira e pesquisadora de ingredientes, saberes e sabores tradicionais”, se autodefiniu, também em seu Instagram.
A Tanea dirigiu por sete anos o restaurante Kitanda Brasil em Gonçalves e Tiradentes – duas cidades mineiras que adoro demais e que são conhecidas ainda pela ótima gastronomia.

Pela trajetória, pelo profissionalismo, pelo amor que dedica à sua culinária e pelo sabor da sua comida, super indico a Casa da Tanea.
SERVIÇO:
Casa da Tanea
Rua Catão, 893, Vila Romana, São Paulo/SP
Whatsapp: (11) 94288-8007
Horário: quarta a domingo, 12h30 às 17h30
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