Mazal tov! Shoshana reabrirá com chef Caffarena

Mazal tov! Shoshana reabrirá com chef Caffarena

por CLAUDIO SCHAPOCHNIK

Os apreciadores da culinária judaica podem celebrar — e bastante. Nesta terça-feira (28), exatamente um ano e uma semana após o fechamento (21/12/2020), o restaurante Shoshana Delishop reabre as portas para um happening no bairro mais multicultural e cool de São Paulo, o Bom Retiro — ou Bomra para os mais íntimos. O evento, chamado de Mishmash Shoshana, promete ser icônico. A palavra que antecede o nome da casa, na tradução do iídiche, a língua dos judeus da Europa Oriental, pode ser compreendido como mistura, mix, mistureba.

No Mishmash Shoshana os novos sócios-proprietários, Arthur Hirsch, Benjamin Seroussi e Inês Mindlin Lafer, vão comemorar os 30 anos da casa, fundada pelo casal Shoshana, primeira chef do lugar, e Adi Baruch. Pena que Adi não estará presente: ele morreu recentemente. No início o lugar era uma delikatessen, que vendia comida judaica. Depois que tornou-se restaurante.

Mazal tov! Shoshana reabrirá com chef Caffarena
No alto o imóvel na rua Correia de Melo onde voltará a funcionar o restaurante (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!) e, acima, o novo logo da casa (imagem Instagram)

NOVO CHEF
Na ocasião o trio também vai anunciar novidades. Uma delas é a chegada do competente e aclamado Fred Caffarena como chef da casa.

Formado em gastronomia e pesquisador apaixonado da culinária dos países banhados pelo Mediterrâneo na porção mais a Leste, como a Turquia (onde chegou a morar), Caffarena é também chef do Make Hommus Not War e passou, no mesmo cargo, pelo Kebab Salonu e Firin Salonu (fechado temporariamente e que será reaberto) — todos na capital paulista.

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O chef Fred Caffarena (foto reprodução R7)

MARÇO DE 2022
Uma outra novidade é o anúncio da abertura plena do restaurante prevista para o próximo mês de março, após a reforma do imóvel na Correia de Melo — rua onde morou por muitos anos a minha querida avó materna, Esther. As obras começam no início do próximo mês. O novo Shoshana Delishop tem a colaboração do arquiteto André Vainer, da designer Laila Szafran, do consultor Edu Scott e de um grupo formado por cerca de 20 apoiadores.

Uma primeira tentativa de reabrir o restaurante, vale recordar, não vingou. A iniciativa ocorreu com outros sócios. Isso foi no início deste ano, e a então abertura que jamais houve foi noticiada nas redes sociais para o dia 16 de março.

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Shoshana e Adi Baruch, o casal fundador do casa (foto Facebook)

COMIDA DA DIÁSPORA
Quem for ao Mishmash Shoshana também vai encontrar comida, é óbvio! Com preços entre R$ 15 e R$ 25, o público vai provar alguns clássicos da casa revisitados pelo chef Caffarena.

“O Mishmash Shoshana junta referências que vão do Mediterrâneo à Europa Oriental, passando pelo Oriente Médio, seguindo a rota da comida judaica diaspórica. Este é o mote do restaurante”, afirmam os novos sócios por meio de um comunicado.

Arthur Hirsch, Benjamin Seroussi e Inês Mindlin Lafer são amigos que se conheceram na Casa do Povo, centro cultural sediado na Rua Três Rios. Neste prédio funcionou, por décadas, o colégio judaico Sholem Aleichem — nome do escritor judeu (1859-1916) nascido numa cidadezinha (shtetl, em iídiche) no antigo Império Russo, mais precisamente próxima de Kyiv, a capital da Ucrânia. A recepção do casamento dos meus pais, Eva e Edison, em 1960, foi num salão do Sholem. Meus três irmãos e alguns de meus primos estudaram lá. A escola fechou no início dos anos 1980.

A Três Rios é talvez a via icônica do multiculturalismo bomretiriano que, no aspecto culinário, junta estabelecimentos que servem comida do Brasil, da Colômbia, da Coreia do Sul e da Síria. Até pouco tempo atrás, pois fechou, a doceira Burikita funcionava no mesmo endereço, no número 136. A casa, fundada por imigrantes judeus da ex-Iugoslávia, fazia, entre outros produtos, doces desse antigo país dos Bálcãs e também da Hungria.

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Melhor prato que já comi no Shoshana Delishop: shpronda (costela magra bovina cozida) com varenikis de batata: inesquecível (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)

RESGATE
“As tradicionais iguarias judaicas da casa são o ponto de partida para manter e reinventar esse patrimônio, para resgatar a história única da culinária judaica diaspórica e, com ela, a história do Bom Retiro”, dizem Hirsch, Seroussi e Inês.

“É uma história de resiliência e reinvenção diaspórica, contada pelo paladar. É uma gastronomia familiar e viva, antiga e nova. É a comfort food antes da comfort food, com pitadas de muitos lugares do mundo. É uma forma de acolher a todas e todos”, completam os sócios.

“Construído de forma coletiva, que o último restaurante judaico do bairro seja o primeiro de uma nova geração”, finalizam eles.

Nos 30 anos da casa, só almocei lá apenas duas vezes, ambas em 2019: uma com um amigo e uma com minha esposa. Que gostooooooso! Para saber mais dessas experiências, clique aqui.

Que o Mishmash Shoshana seja um sucesso e o prenúncio de outro êxito: a abertura e o funcionamento pleno do Shoshona Delishop. Local de celebrar, não só com o estômago, a cultura judaica-iídiche tão marcante no Bom Retiro e em São Paulo, para quem faz (como eu, com muita alegria) ou não parte dela. Mazal tov e Le chaim! (respectivamente parabéns e um brinde à vida, em hebraico)

SERVIÇO:
Mishmash Shoshana
Data, terça-feira, 28 de dezembro de 2021
Horário: 18h às 22h
Rua Correia de Melo, 206, Bom Retiro, São Paulo/SP (acesso pela Estação Tiradentes, Linha Azul do Metrô)
E-mail: delishoprestaurante@gmail.com
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