Comida coreana: Priscila troca marmitas pelo B2B

Comida coreana: Priscila troca marmitas pelo B2B

por CLAUDIO SCHAPOCHNIK

Durante mais de um ano e meio, de março de 2020 a dezembro de 2021, portanto um ciclo dentro da pandemia do novo coronavírus, a aderecista Priscila Jung, brasileira de origem sul-coreana, trocou o serviço de fazer e vender comida coreana em marmitas ao consumidor final para o B2B. “Vou parar de atender o consumidor final e levar meus pratos aos mercadinhos, empórios e mercados de São Paulo”, disse Priscila ao QUE GOSTOSO!, durante a feira Comida de Herança realizada no Espaço Gap, no mês passado na capital paulista. A conversa foi numa pausa de dez minutos da cozinha, onde ela servia os frequentadores do evento criado por Fawsia Borralho.

Comida coreana: Priscila troca marmitas pelo B2B
No alto a cozinheira Priscila Jung na feira Comida de Herança (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!) e, acima, marmitas preparadas por ela (foto Instagram pessoal)

A primeira entrega de marmitas coreanas de Priscila foi em 31 de março de 2021, portanto, no início da pandemia do vírus causador da Covid-19. “Depois de milhares de marmitas, vou trabalhar com a minha marca Nurundi, que significa ´arroz queimado´ na tradução do coreano para o português”, contou ela.

“Atuando no B2B, terei uma capilaridade que não tenho como atingir com o serviço das marmitas”, justificou Priscila, que é formada em artes e veio do segmento audiovisual. “Queria ir para a gastronomia e cai meio que de paraquedas na área, e a minha referência querida e maravilhosa é a minha avó materna”, completou, orgulhosa, se referindo à senhora Eun Joo Ki, com quem aprendeu tudo o que sabe sobre a comida coreana.

Comida coreana: Priscila troca marmitas pelo B2B
Priscila junto com a avó materna (centro) e a mãe num jantar típico coreano na cada delas (foto Instagram pessoal)

“Meu objetivo indo para o B2B é que mais e mais brasileiros conheçam e consumam pratos coreanos. Para dar escala, pretendo importar uma máquina da Coreia do Sul”, explicou a super simpática, autêntica e descolada Priscila. Num primeiro momento, ela quer distribuir seus produtos, geograficamente, na cidade de São Paulo. “Depois quero ir para outras cidades paulistas e outros Estados.”

A cozinheira revelou ainda que já vende seus produtos para alguns restaurantes de São Paulo.

Comida coreana: Priscila troca marmitas pelo B2B
O bibimbap que comi na Comida de Herança: prato chega arrumado e depois você tem de desarrumá-lo , comendo-o na forma de um mexidão; é a tradição coreana (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)

CARDÁPIO
Priscila Jung já definiu os primeiro dois produtos que vai levar aos mercados paulistanos: os hiper tradicionais kimchi (acelga fermentada) e mandu (pasteizinhos recheados para cozinhar, assar na chapa ou fritar).

“O kimchi será vegano [grande parte das receitas utilizam molho de peixe e/ou ostra], e os mandus serão de vários recheios, como carne, vegetariano e vegano (kimchi com tofu)”, adiantou ela, que é super ligada e ativa nas redes sociais, sobretudo no Instagram.

No entanto, ela vislumbra mais produtos. “Há outras receitas na fila”, revelou a cozinheira sem revelar nomes ou prazos.

Comida coreana: Priscila troca marmitas pelo B2B
Cartaz desenhado pela Priscila (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)
Comida coreana: Priscila troca marmitas pelo B2B
Priscila exibe seu bibimbap: agora só em feiras, não mais em marmitas (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)

PARTICIPAÇÃO EM FEIRAS
Priscila elegeu o B2B seu novo foco, mas não abandonará completamente o consumidor final. “Pretendo participar mais de feiras”, assegurou ela. Possivelmente será no mesmo formato onde esteve na Comida de Herança: finalizando a comida e a servindo em pequeno salão, com pratos, talheres e copos descartáveis.

O QUE GOSTOSO! deseja sucesso à Priscila Jung nesta nossa fase.

Pessoalmente, nesta edição da Comida de Herança, foi a primeira vez que vi e entrevistei a Priscila. Ela ganhou o meu respeito e a minha admiração pela sua perseverança, sua educação, pelo seu empreendedorismo numa época muito delicada no mundo, pelo seu respeito ao consumidor e por fazer uma culinária que adoro pra caramba, a coreana.

Via Instagram, onde mais de 10 mil pessoas a seguem, cheguei a escrever pra Priscila — e ela me respondeu! Perguntei se o meu bairro era atendido pelos serviço dela, e não era. “Então vem aqui retirar”, ela me respondeu, não querendo perder a venda. Aí virei fã!

Só provei a sua gostosa culinária, no caso o hiper tradicional prato coreano de nome bem bonitinho, bibimbap, na Comida de Herança. Esperava o molho de pimenta, que pedi para temperar o meu almoço às 15h30, seria bem ardido, como os coreanos gostam, mas não estava. Entendo que ela tem de dar uma “calibrada” para atender ao paladar médio do brasileiro. No evento fui apresentado à jovem cozinheira pela criadora da feira, a querida Fawsia Borralho.

Parabéns, Priscila Jung!

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