Rua em Paris concentra gostosuras judaicas

por Claudio Schapochnik_Paris/FRANÇA

Está a fim de comida judaica e falafel (bolinho frito de grão de bico e fava com temperos, originário do Egito) em Paris? A rue des Rosiers, no tradicional e badalado bairro do Marais e um dos mais antigos da capital da França, é o ponto. Em três quadras e meia desta rua – parte calçadão, parte que permite carros – há várias casas de especialidades nesta cozinha e neste sanduíche.

Placa da icônica rua do Marais, em Paris (fotos Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)

Grande parte dos moradores no Marais é de religião judaica. Daí a razão para ter sinagogas, açougues, restaurantes, padarias e docerias kasher – que seguem as normas dietéticas do judaísmo – por lá.

Comece o roteiro gastronômico na rue des Rosiers na esquina desta com a rue Vieille du Temple e siga até a rue Malher.

No início, a rue des Rosiers é bem estreia e só para pedestres
Em vermelho, o traçado da “deliciosa” rue des Rosiers

Caso você não esteja hospedado no Marais, peque o metrô, desça na estação Hôtel de Ville ou Saint-Paul e, respectivamente, vá à rue de Tivoli e vire à esquerda ou à direita na rue Vieille du Temple. Suba até a esquina com a rue des Rosiers. Pronto.

Na Rosiers, a primeira casa, andando sempre no sentido da rue Malher, é o restaurante Chez Hanna (número 54). Entre outros pratos, é conhecido pelo falafel e shawarma (carne assada no espeto, pode ser de boi, frango, peru e carneiro) servidos dentro da pita (pão sírio), com saladas e molhos. Ainda não comi no Chez Hanna.

A fachada do Chez Hanna

Logo após vem a boulangerie (padaria, em francês) Korcarz (número 29). O lugar serve doces, cafés, sanduíches, pães, pratos rápidos, sorvetes etc. Possui mesas na calçada. Não conheço os produtos de lá.

A fachada do Korcarz

Depois vem o restaurante Chez Marianne, na esquina com a rue des Hospitalières Saint-Gervais (número 2). Além de comida judaica, também serve falafel, entre outras opções. Possui mesas na calçada e uma fachada bem bonita, com a trepadeira fazendo a festa. Ainda não comi nesta casa.

A bela fachada do Chez Marianne

Seguindo em direção à rue de Malher, o restaurante a seguir chama-se Sacha Finkelsztajn (número 27). Como o nome denota, é de cozinha do Centro e do Leste da Europa (asquenazita) e foi fundado em 1946 pelo casal Itzik e Dora Finkelsztajn. No menu, entre outras opções, há guefilte fish (bolinho cozido de peixe, geralmente de carpa), hering (arenque, em algumas versões), tchoulent (“feijoada judaica”), gulasch (guisado de carne), kreplach (“raviolões”) etc. Não provei os pratos do lugar.

A fachada do Sacha

Em seguida vem o “arrasa-quarteirão” L´As du Fallafel (número 34), de comida do Oriente Médio. Dependendo da época, grandes filas são bem comuns por lá. Mas vale a pena. Já comi o sanduíche de falafel e é muito bom. Serve outras especialidades, como kaftas, shnitzel (bife à milanesa de boi, frango, peru) etc.

Dia de muito movimento no restaurante forma fila na Rosiers

Poucos passos à frente está o restaurante de comida do Oriente Médio Mi-Va-Mi (número 23, esquina com rue de Ecouffes). Parece que o prato mais procurado por lá é o sanduíche de falafel. Ainda não comi no Mi-Va-Mi.

O restaurante Mi-Va-Mi
Clientes esperam falafel no Mi-Va-Mi

Logo após há um açougue (boucherie, em francês) chamado Saada (número 17). Dá para comprar também frios e pepino em conserva, entre outras delícias, para comer no quarto do hotel com os maravilhosos pães franceses. Não conheço o lugar.

A vitrine do açougue judaico, que também vende frios e outros produtos
Menorá, candelabro judaico de sete braços, na Rosiers

Ande mais alguns metros e você vai encontrar, novamente, uma casa especializada no bolinho frito de grão de bico e fava: King Falafel Palace (número 26). Os sanduíches de falafel ou com carne são sempre dentro da pita e incluem homus, tahini (molho de gergelim), tomate, pepino, cebola frita e berinjela grelhada. Possui mesinhas na calçada. Não provei os pratos do lugar.

Clientes junto à entrada do King Falafel Palace

Logo após você chega ao mundo maravilhoso dos pães e, sobretudo, dos doces da Boulangerie e Pâtisserie Murciano (número 16), fundada em 1909! Pertenceu a dois outros donos quando foi comprada pela família Murciano em 1973. Já fui na Murciano e comprei doces árabes. São maravilhosos: bem molhadinhos e recheados. Recomendadíssima!

A padaria e doceria Murciano foi fundada em 1909

Interior da Murciano
O pão judaico Chalá na fachada da padaria
Travessa do doce harissa: delicioso
Outro doce da Murciano
E mais outro doce

Vizinho ao Murciano, há um pequeno café chamado Café des Psaumes. Portanto, se quiser tomar um cafezinho com as delícias da padaria, ali pode ser o local.

Poucos passos à frente, mas do outro lado da Rosiers e na esquina com a rue Ferdinand Duval – chamada entre 1500 e 1900 de rue des Juifs (rua dos Judeus) –, existia o restaurante judaico Goldenberg. Na minha primeira visita a Paris, cheguei a entrar nesta casa, mas não comprei nada. Após o fechamento, há alguns anos, virou uma loja de moda. No entanto, o toldo ainda preserva o nome da casa.

O Goldenberg sofreu um duro golpe décadas atrás. A casa sofreu um atentado antissemita em 9 de agosto de 1982, atacada com rajadas de fuzis e a explosão de uma granada. Resultado: seis mortos e 22 feridos. Uma placa preserva a memória do ataque terrorista e o nome dos mortos. Triste.

Do antigo restaurante, só sobrou o nome no toldo…
e a placa, que registra o que aconteceu no dia do ato terrorista e antissemita

Logo após, o roteiro na Rosiers termina com o restaurante kasher Bench (número 4B). Não comi no lugar.

Painel identifica o restaurante
Certificado kasher do restaurante Bench
O Bench fica em um prédio de triste história para os judeus franceses

Caso você só coma alimentos kasher, acredito que, se não a totalidade, grande parte das sugestões aqui presentes são kasher. Não custa perguntar antes.

Vale lembrar que nas vizinhanças da Rosiers há vários outros restaurantes judaicos. As sugestões acima foram coletadas nas vezes que visitei Paris – sobretudo na viagem em 2016. Aproveite!

Uma selfie na “gostosa” Rosiers, feita em 2016


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