por CLAUDIO SCHAPOCHNIK*
Numa parte tranquila da agitada Vila Madalena – na rua Natingui, Zona Oeste de São Paulo – fica um espaço ímpar e, que ótimo, aberto ao público. Tanto no quesito comer (bastante) bem quanto na atmosfera, que impregna a pessoa com aromas de cafés especiais. Que gostooooooso! Se isso não bastasse, há ainda uma super biblioteca e uma cozinha que torna o local ainda mais especial.


Tudo isso fica no Le Cordon Bleu Café e Kofi & Co. O lugar está instalado do Culinary Village, espaço multi-uso aberto em setembro de 2023, que integra a filial paulista do mundialmente icônico instituto francês de ensino culinário Le Cordon Bleu – que em 2025 celebra 130 anos de fundação.
No Brasil o Cordon Bleu está presente desde 2018, quando foi inaugurada a filial paulistana. Há outra unidade no Rio de Janeiro.
Conheci o Le Cordon Bleu Café e Kofi & Co no mês passado. Fiquei encantado com a proposta do local – unir a tradição da França com pães, doces e pratos e a tradição do Brasil com cafés especiais.




O ESPAÇO
O Le Cordon Bleu Café e Kofi & Co fica no primeiro andar de um prédio – 100% ocupado pela escola francesa.
Para acessar o local, a pessoa precisa se identificar na portaria. Achei o procedimento ótimo. Segurança sempre é bom.
No primeiro andar basta seguir as placas do Culinary Village e pronto. Lá que está o Le Cordon Bleu Café e Kofi & Co.
Um grande salão se abre com o balcão à esquerda. De lá saem gostosuras à francesa como salgados – croissants, croque-monsieur etc –, doces – a vitrine onde se encontram é um desfile de cores e formatos de hipnotizar qualquer um – e os cafés, que têm a assinatura da Kofi & Co.



Em frente ao balcão ficam diversas mesas, e a vista, ao fundo, é para a rua Natingui.
COZINHA E BIBLIOTECA
No mesmo espaço, à direita, localiza-se o Memorial Nina Horta. No local estão a cozinha e a exposição de objetos culinários da cozinheira e escritora Nina Horta (1939-2019).



Mineira de Belo Horizonte, Nina viveu grande parte de sua vida em São Paulo. Nessa cidade, entre outras atividades, ela foi sócia do Buffet Ginger e colunista no jornal Folha de S.Paulo.
Quando escrevi acima, a “cozinha”, de fato é a cozinha de Nina que está lá. Fruto de uma doação da cozinheira – incluindo sua biblioteca –, tudo foi transladado da casa dela e montado exatamente como era.


Ao lado do Memorial Nina Horta, está outra preciosidade: livros, livros e mais livros, em português e outros idiomas, todos ligados de forma mais ampla possível ao tema do comer e beber, que pertenciam às bibliotecas de Nina Horta e Heloiza Biscaia Leme – já falecida e cofundadora do então portal Basílico.
Todos os livros também foram doados.


“A biblioteca de Nina reuniu 3 mil obras e de Heloiza, 1,5 mil; todos foram indexados e estão à disposição dos professores, alunos, pesquisadores e clientes do café”, conta a bibliotecária do Culinary Village, Adriana Aparecida Magalhães. “O que temos aqui é uma parte desses dois acervos que, periodicamente, são trocados”, completa ela.
Vale destacar que todas as obras ali dispostas nas prateleiras podem ser consultadas e lidas. E a simpática Adriana pode ajudar no que for necessário.
Dá para passar um bom tempo nessa área, entre cafés, doces e pães, que mescla o Memorial Nina Horta e parte das duas bibliotecas. Que gostooooooso!
CAFÉ: INFORMAÇÕES E SABOR QUE VALEM
Na hora de provar o café, onde toda a curadoria do produto cabe à Kofi & Co, fui surpreendido positivamente pelo excelente atendimento da barista Priscila Prado.
Primeiro a barista da Kofi & Co perguntou de que forma gostaria de tomar a bebida, e respondi “coado”. “Ok”, ela respondeu e se ausentou.
O que veio a seguir recomendo para você, caro(a) leitor(a).



Minutinhos depois, Priscila volta com seus instrumentos de trabalho para preparar o café especial na minha mesa, oriundo de um microlote de uma fazenda mineira, por meio de dois métodos de coar até então desconhecidos por mim batizados com nomes bem diferentes: Eva Solo e Chemex.
Ambos formam o chamado Rituais Extremos, do menu da casa. Custa R$ 48.
Entre outras diferenças, o Chemex utiliza coador de papel, e o Eva Solo, coador de metal.
O resultado dos cafés preparados é bem diferente na boca. Apreciei ambos – que não têm cor preta e, sim, uma mistura de ocre e laranja – e preferi o Chemex. Que gostooooooso!

Não adocei nenhum dos cafés – a regra é não adoçar café especial. Estavam ligeiramente doces e me agradaram nesse quesito. Que gostooooooso!
No processo do preparo das bebidas, Priscila, pausadamente, descrevia os métodos e passava informações valiosas. Valeu demais.

DOCES FRANCESES “FORA DA CAIXA”
No momento de provar a parte que cabe à Cordon Bleu no café – as comidas, todas feitas localmente –, novamente fui surpreendido positivamente.
Iniciei minha degustação com um croissant (R$ 19,90 cada) servido com uma pequena porção de manteiga. Algo bastante francês. Simplesmente super – ótimo, na tradução para o português.
Crosta brilhante, levemente crocante e morena – não curto pão com a superfície branca – e interior macio. Que gostooooooso!


Logo após fui à vitrine dos doces e escolhi dois que jamais tinha comido antes.
O primeiro foi o Diplomat. “É um flan feito com croissant, calda de laranja confit, caramelo e uvas passas”, descreveu o maître do espaço, Bruno Felipe.
O segundo foi o Entremet Cerise (R$ 39,90 cada). “Base de crocante de chocolate com mousse de chocolate, compota de cereja amarena, originária da Itália, e kirch, aguardente de cereja”, explicou Felipe.

Ambos estavam simplesmente sensacionais. Que gostooooooso! Por um milímetro de vantagem na minha escala gustativa, o Diplomat venceu o Entremet Cerise.


Grosso modo, o Diplomat lembrou um pudim de pão, só que mais incrementado. O flan de croissant embebido com a calda de laranja confit e o caramelo estava espetacular. Que gostooooooso!

Depois que escolhi o Entremet Cerise pela forma, linda de se ver, questionei com meus botões: “Será que vai ter aquele gosto enjoativo de remédio sabor cereja?” A memória gustativa de alguns doces lá atrás me fez um “estrago”.
Logo na primeira garfada, minha dúvida se dissipou. Que ótimo. O doce é maravilhoso, com sabores bem distintos e saborosos de chocolate e cereja. Que gostooooooso!


Ah, o pessoal da Le Cordon Bleu Brasil, de fato, é fora de série. Parabéns.
O local serve ainda pratos no almoço. Não cheguei a prová-los. Ciente da formação de quem os faz e da qualidade dos insumos, o menu deve ser ótimo. Espero almoçar por lá em breve.
O Le Cordon Bleu Café e Kofi & Co, fabulosa parceria entre as duas empresas, oferece elementos para uma experiência fantástica. Vida longa à iniciativa. Super recomendo.
*O QUE GOSTOSO! conheceu o Le Cordon Bleu Café e Kofi & Co a convite do Le Cordon Bleu Brasil
SERVIÇO:
Le Cordon Bleu Café e Kofi & Co
Rua Natingui, 862, 1º andar, Vila Madalena, São Paulo/SP
Horário: segunda a sexta, 10h às 19h30; sábado e feriado, 9h às 17h; fecha domingo
www.lecordonbleu.com.br
www.instagram.com/kofiandco/
NOTA DA REDAÇÃO: texto atualizado em 07/2/2025, às 9h30.