Bistrô do Bosque (SP): saboroso e porções (bem) pequenas

por Claudio Schapochnik

Conheci no ano passado os maravilhosos queijos feitos predominantemente de leite de cabra do Capril do Bosque, fundado pela mestre queijeira Heloisa Collins, em feiras de pequenos produtores em São Paulo, como a Sabor Nacional e Comida de Herança. Neste ano, antes dessa praga chamada novo coronavírus (Covid-19) começar a causar no Brasil, viajei com minha esposa a Joanópolis, no interior paulista e distante 120 quilômetros da capital, para também conhecer o local onde Heloísa e sua equipe fazem todos aqueles queijos saborosíssimos. Antes da viagem, fiz a reserva – é necessário mesmo – para almoçar no restaurante local chamado Bistrô do Bosque. Liderada pela chef Ju Raposo, a casa oferece ótimos pratos – para comer com os olhos e a boca –, mas o tamanho das porções… Deixa (muito) a desejar.

Cabras que vivem num cercado ao lado do Bistrô do Bosque (fotos Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)

Eu e minha esposa chegamos pouco antes do meio-dia no Capril do Bosque, na Zona Rural de Joanópolis, após uma viagem de cerca de 2h desde a Zona Oeste de São Paulo. Paramos o carro embaixo de uma árvore e em frente à área das cabras. O horário marcado para o nosso almoço no Bistrô do Bosque era as 12 horas. Naquele domingo alguns clientes estavam petiscando na área externa do restaurante, onde há redes e uma mesa coletiva.

Entramos no Bistrô do Bosque, um salão com lareira e dez mesas para cerca de 30 pessoas. Naquele horário havia só nós como clientes. Do meu lado direito estava o bar, o caixa e o balcão com queijos para vender e dava para ver parte da cozinha. A chef Ju Raposo nos recebeu com a descrição de alguns dos drinques e das bebidas da casa.

Fachada do restaurante
Boneco de cabritinha na decoração do bistrô
Vista do salão da casa

Vi o cardápio e resolvi ir no menu da chef: salada de salmão defumado e molhinho dijon, ragu de pernil de porco sobre talharine fresco (foto no início do texto) e sorvete de queijo boursin com amoras. Preço: R$ 98,80 por pessoa. Minha esposa pediu uma massa com creme de leite e laranja. Não me recordo do preço. Para beber fomos de água.

Primeiro chegou minha salada: uma cama de alface com quatro pedaços de salmão defumado e dois – sim, dois! – tomates cereja – sim, tomates cereja! Para render, cortaram os tomates na metade – então havia quatro pedacinhos dessa fruta. “Nossa, quanto tomate!”, pensei irônico. O salmão estava ok, já o “molhinho dijon”… Deixou a desejar: ralinho, praticamente imperceptível. Quanto à quantidade no geral podiam informar que é uma mini salada.

O cardápio da chef que escolhi
Salada de salmão defumada: dois tomates cereja!

Para a chegada dos dois pratos principais, o intervalo foi bem longo, acho que cerca de 40 minutos.

O garçom trouxe as massas, que chegaram quentes à mesa. O queijo ralado, que deveria ser trazido junto ou um minuto depois, foi esquecido pelo profissional. Só chegou à mesa porque eu pedi para ele.

O macarrão da minha esposa estava fantástico, já que provei uma garfada. Ela adorou também. Um sabor de laranja, mais pela presença do cítrico do que pela doçura, que fez a diferença no creme de leite. Nota dez!

Em relação ao sabor, o meu talharine fresco com ragu de pernil de porco estava bom – mais pela massa do que pelo ragu. O macarrão estava leve e cozido corretamente. Na carne suína faltou mais de sal e outros temperos. Agora a porção como um todo deixou a desejar pela quantidade. Parecia prato de cardápio infantil.

A sobremesa, sorvete de queijo boursin (de cabra) com amoras, estava um arraso: sorvete delicado e várias amoras – sem a mesquinhez dos dois tomates cereja da salada – que, não sei qual técnica foi utilizada, ficaram com uma textura muito agradável. Um sabor e, saliento, uma textura inesquecíveis. Show! No entanto, pela terceira vez, vi uma quantidade de sorvete que deixou a desejar.

O sorvete da sobremesa: sabor inesquecível
Insetos polinizando flores no jardim do bistrô

Pela comida irregular, mas com mais altos do que baixos – tenho de ser justo –; pela demora na chegada, sobretudo dos pratos principais; pela muquiranice nas quantidades – colocar dois tomates cerejas realmente… –, o menu da chef poderia custar menos, não as praticamente 100 pratas. Refeição cara pelo custo benefício e, por este motivo, não volto mais.

Depois do almoço, compramos alguns queijos com o atendimento da própria dona do Capril do Bosque, Heloisa Collins. Muito simpática, nos explicou e nos ofereceu os seus queijos para provar.

A “cacetada” da conta do almoço

TOUR PELO CAPRIL É CARO
Antes de irmos embora, eu e minha esposa fizemos um tour pelo local onde ficam as cabras lactantes e os bodes reprodutores. A visita guiada é feita pelo filho da proprietária do Capril do Bosque, Victor. É paga a parte, pois trata-se de um negócio separado do restaurante. Valor: R$ 30 por pessoa!

Naquele horário, 14h (um dos horários de visita), só havia duas pessoas para o tour: eu e minha esposa. Percebi, então, que Victor entrou no bistrô para conversar com Heloisa. Não ouvi a conversa, mas pela comunicação não verbal, percebi que a mãe ficou constrangida e ele com uma cara “de quem comeu e não gostou”. Meu palpite: o tour das 14h, por ter apenas um casal, deveria ser cancelado, visando uma visita com mais pe$$oa$.

Vista do estábulo das cabras
Uma das cabras lactantes do capril no estábulo
Jaca no pé: lugar reúne árvores frutíferas também

Acho que acertei meu palpite, pois o Victor não pareceu muito a fim de guiar. Sentimos isso. Mas ele honrou sua função, ainda que não foi muito agradável a visita após todo esse “climão” – que não tivemos absolutamente nada a ver.

Bem, conhecemos o estábulo, onde Victor nos dava informações básicas sobre os animais e respondia as nossas perguntas. A visita levou no máximo 20 minutos.

Sem entrar no estábulo e ter as informações técnicas do Victor, ou seja, sem fazer o tour, dá para ver as cabras e fotografá-las. Por serem dóceis, dá até para fazer um afago na cabeça desses animais. Se isso bastar, recomendo não fazer a visita guiada. E, de quebra, seu bolso vai agradecer bastante. Achei R$ 30 um preço bem alto.

As cabras foram dóceis comigo durante a visita guiada
O vermelho intenso de uma flor de hibisco no jardim
O galinheiro do capril
O comprovante de pagamento: visitação cara, com “climão” antes

SERVIÇO:
Capril do Bosque – Bistrô do Bosque
Estada Serras e Águas, Km 16, Joanópolis/SP
Horário: normalmente almoço aos sábados, domingos e feriados, das 12h às 17h – cozinha fecha às 16h30
Café da manhã: apenas mediante reserva antecipada, das 9h30 às 11h30
Taxa de rolha: R$ 60 por garrafa
Aceitam todos os cartões
Estacionamento grátis
Reservas e informações: Whats App (11) 95555-9232
www.caprildobosque.com.br/bistro/

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