Minha visita às vinícolas Rio Sol e Miolo no Vale do São Francisco

por Lucia Grimaldi*

Ah, como é fácil falar sobre nossas paixões! E como é difícil escolher por onde começar!

Depois de muito pensar, achei interessante inaugurar este nosso espaço (nosso sim, porque conto com as opiniões, sugestões e experiências de vocês, caros internautas) falando sobre minha visita ao Vale do Francisco: um verdadeiro milagre no sertão do Nordeste brasileiro.

Estive lá com meu pai e meu filho em outubro de 2018, num passeio organizado pela agência de viagens Marlin. Partimos de Recife e, após um tranquilo voo de cerca de uma hora pela Avianca Brasil, fomos recebidos no aeroporto de Petrolina pelo receptivo da agência, que nos levou ao hotel, o Nobile Suítes Del Rio, na orla do rio São Francisco.

Vista do rio São Francisco desde a suíte do hotel Nobile Suítes Del Rio (fotos Lucia Grimaldi)

Petrolina é um importante polo de exportação de frutas tropicais, graças ao sistema de irrigação implantado no Vale do São Francisco. A vitivinicultura (plantio de uvas para produção vinícola) e, consequentemente, o enoturismo vêm crescendo ultimamente. Os espumantes brasileiros passaram a despertar o interesse internacional e vêm alcançando muitos prêmios.

Após uma noite de sono revigorante, fomos apanhados no hotel pelo ônibus de turismo que nos levaria à região de Lagoa Grande, onde há o cultivo irrigado pelo rio São Francisco.

Já no caminho é possível observar o milagre da irrigação: veja as diferenças da paisagem, nas margens direita e esquerda da rodovia:

Duas paisagens opostas: de um lado o sertão nordestino…

…e do outro, um campo e vinhas irrigados

Visitamos duas vinícolas: a Rio Sol (passeio incluído no pacote) e a Miolo.

Entrada da Vinícola Santa Maria – Rio Sol

A vitivinícola Santa Maria da Rio Sol pertence ao grupo português Global Wines e fica em Lagoa Grande, no sertão pernambucano, a cerca de uma hora do centro de Petrolina. O tour tem início com um passeio livre pelas vinhas, numa propriedade que possui cerca de 120 hectares de área plantada, onde podemos andar por entre as fileiras de videiras de tempranillo e cabernet sauvignon, tirar fotos e, o que é melhor, degustá-las diretamente do pé. Lá, o funcionário responsável pelo enoturismo da vinícola faz uma breve explanação sobre o cultivo das uvas, em regime de irrigação, espécies plantadas e ciclos de plantio. Tudo muito interessante e nem um pouco cansativo.

Plantação de uvas tempranillo, também chamada de aragoês…

…e a pequena notável

Depois seguimos para o setor de maquinário, onde é feito o desengace das uvas, ou seja, a sua separação dos cachos, e a prensagem, num sistema de moderna tecnologia. Em seguida, na sala dos barris, é passado um breve vídeo sobre a vinícola, com linguagem bem acessível.

Equipamentos modernos fazem parte da tecnologia da produção de vinhos e espumantes

Para quem vai com a família, especialmente crianças ou pessoas que não curtem tanto a vinicultura, o que segue é bem legal: um passeio de catamarã pelo rio São Francisco, com música regional. E para refrescar o calor, há uma degustação de quatro espumantes da Rio Sol, com uma parada para banho de rio.

Vista do rio São Francisco, o Velho Chico, da proa do catamarã

Após esta refrescante pausa, seguimos para o casarão da Rio Sol, à beira rio, onde é servido um almoço regional, acompanhado de bebidas não alcoolicas e de vinhos de entrada da vinícola. Vinho de entrada é aquele vinho mais simples da casa, geralmente os mais acessíveis, tanto no preço, quanto no paladar.

Espumantes da Rio Sol degustados durante o passeio de catamarã: Demi-Sec Grand Prestige…
…o Moscatel Grand Prestige…
…e o Brut Branco Grand Prestige

Após o almoço e o descanso, é feita uma parada na pequenina loja de vinhos da vinícola. Os preços são muito atrativos, além do desconto oferecido para quem fez o passeio todo. Além deste passeio de dia inteiro, a Vinícola Santa Maria oferece opções mais curtas, de meio dia, por exemplo.

No passeio, você ainda ganha uma taça de acrílico como lembrança

O dia seguinte era livre em Petrolina. Optamos por conhecer outra grande produtora de vinhos brasileiros: a Miolo. Como a visita não estava inclusa no pacote da agência, contratamos os serviços do motorista particular Rômulo Estanislau, que nos levou em seu confortável automóvel para a Vinícola Terranova, da Miolo, localizada na cidade baiana de Casa Nova, a cerca de 50 minutos do centro de Petrolina. O local é lindo e muito bem estruturado para o receber os turistas. Lá também há opções de passeios de dia inteiro, com passeio de barco por Sobradinho e almoço, ou apenas uma visitação na adega.

Portão de entrada da Vinícola Terranova, da Miolo, em Casa Nova (BA)

O giradouro da entrada da vinícola é feito com garrafas de vinho

O caminho para o casarão: bela fachada guarda toda a estrutura de produção do vinho

Enquanto aguardávamos a chegada de um grupo, ficamos livres para visitar a loja de vinhos, tirar dúvidas e fazer compras. Os preços e os descontos são realmente muito bons. A loja tem um serviço de guarda volumes e, ao término do tour, pudemos retirar nossas compras, evitando o tumulto do grupo ao fim do passeio. Pudemos ainda caminhar pelas vinhas mais próximas e observar o sistema de irrigação por gotejamento.

Videiras em uma fase do ciclo de desenvolvimento diferente daquelas vistas na Vinícola Santa Maria (após a vindima/colheita)

O cano preto que atravessa as fileiras de videiras conduz água para irrigá-las por gotejamento

Quando o grupo chegou, fomos conduzidos por todo o setor de produção do vinho, desde o desengace e prensagem das uvas, passando pelo laboratório de aromas, pelos tonéis de inox para fermentação, sala de alambiques, sala de barris para estágio/envelhecimento e setor de engarrafamento.

Estruturas para o processamento das uvas: recebimento, desengace, esmagamento e prensagem

O laboratório onde são avaliados os aromas e sabores das diferentes castas (espécies de uva) para elaboração dos vinhos de corte, também conhecidos por blend ou assemblage, feitos com mais de uma espécie de uva
Alambiques de cobre, que antigamente usados para a produção de destilados
Colunas de destilação para a produção do Brandy Imperial da Miolo, uma espécie de conhaque produzido destilando-se vinho ou suco de uva. Veja como fiquei pequenininha entre elas
Sala de estágio, onde os vinhos e o brandy são envelhecidos em tanques de aço inox e em barris de madeira de carvalho

E então veio a melhor parte: a degustação em grupo. Foram apenas três vinhos de entrada, numa mesa bastante cheia de gente, mas valeu a pena pela divertida experiência.

Clique durante a degustação
Degustei três vinhos na Miolo: o Almadén Shiraz 2016…
…o Terranova Blanc de Blancs…
…e o Terranova Moscatel

As pessoas das duas vinícolas visitadas nos atenderam muito bem, foram muito solícitos e atenciosos. Embora usassem uma linguagem bem acessível, tiraram as dúvidas técnicas e mais específicas dos enófilos de plantão. Um sinal que o enoturismo no Vale do São Francisco está em franca e sólida expansão.

Bem, está inaugurada a nossa coluna sobre vinho e afins. Conto com vocês para trocarmos ideias e experiências: curtam, sugiram, opinem! Como disse antes, este espaço é nosso, caros internautas amantes do vinho! E como ele, deve ser compartilhado!

Um brinde!

*Lucia Grimaldi, colunista do Que Gostoso!, é graduada e pós-graduada em fonoaudiologia e direito e possui a certificação internacional Wine & Spirit Education Trust (WSET) nível 2. Contatos: grimaldipervino@gmail.com e o instagram @grimaldipervino

10 comentários sobre “Minha visita às vinícolas Rio Sol e Miolo no Vale do São Francisco

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