por CLAUDIO SCHAPOCHNIK_Tamerza e Ong Jmal/TUNÍSIA
A saga da franquia cinematográfica Star Wars do diretor estadunidense George Lucas, que juntou milhões de fãs por esse mundão, começou também na Tunísia. Uma das locações foi em Ong Jmal, no deserto nas proximidades de Tozeur. O primeiro dos vários filmes, chamado Star Wars, chegou aos cinemas em 1977. No Brasil, no ano seguinte. As locações tunisianas estão lá ainda, passados 45 anos das filmagens, nem tão firmes e fortes e com a areia querendo devorá-las.
Esse foi o final de um passeio muito bacana que incluiu ainda a visita ao oásis de Tamerza, também nas cercanias de Tozeur, com direito a banho de cachoeira.
Conheci tudo isso na viagem com um grupo de agentes de viagens brasileiros, do qual fazia parte no início do mês passado.


CARROS 4×4 NO DESERTO
O grupo de 50 pessoas do grupo de profissionais de turismo, convidado e liderado pela Flot Viagens, foi dividido para ir numa caravana moderna ao oásis de Tamerza.
Moderna porque não foi em dromedários mas, sim, em carros 4×4. Automóveis ideais para o ambiente desértico e com crucial ar condicionado. A partida foi do resort de luxo Anantara Tozeur.



O motorista, desculpe por esquecer o nome dele, era um tunisiano de seus 40 anos, mais ou menos. Ao que tudo indica, ele trabalha no verão na ilha tunisiana de Djerba e com turistas italianos — além de sua língua mãe, o árabe, falava um pouco de italiano e não me perece ser falante de francês. Fora dessa temporada, presta serviços em outras localidades. Achei o motorista muito zeloso e que, de fato, conhecia o caminho.
Minha comunicação com o motorista foi uma beleza. Escolhi o italiano para falar com ele. Foi uma embromazzione totale, mas muito divertida, pois meu vocabulário é bastante restrito.
No entanto, falava o que sabia, com a pronúncia de cantores, atores, atrizes e cantoras italianas guardadas na memória, da lembrança da novela O Rei do Gado (TV Globo, 1996/97, escrita por Benedito Ruy Barbosa e dirigida por Luiz Fernando Carvalho), por causa das famílias italianas Mezenga e Berdinazi, e do dialeto ítalo-caipira de Juó Bananére, pseudônimo do jornalista Alexandre Ribeiro Marcondes Machado (1892-1933). Para interessados nesta última citação, sugiro a leitura do ótimo Juó Bananére: As Cartas d´Abax´o Pigues, de Benedito Antunes (Editora Unesp, 424 páginas).
Pensava numa frase e saia cada coisa… Rs… Mas pelo houve comunicação pois, como diria o querido e saudoso Chacrinha, “quem não se comunica se trumbica”.
E assim foi o trajeto desde o hotel em Tozeur até o oásis. No caminho o visual bicolor da terra ocre do deserto, pontilhada por tufos de pequenas plantas, e do azul do céu.

CAMINHADA ATÉ A CACHOEIRA
O oásis de Tamerza fica “colado” à fronteira da Tunísia com a Argélia e remonta à presença do Império Romano no atual país norte-africano.
De longe deu pra perceber que a localidade é um oásis: uma grande mancha verde, das copas de milhares de tamareiras, em meio ao deserto. Onde há tamareira há água.



A caravana parou perto de uma lanchonete e de, lá, parti com vários agentes de viagens por um caminho que levaria à cachoeira.
Paisagens bonitas de rocha ocre, mais ângulos das tamareiras, a estátua de um cabrito das montanhas e passagem num estreito corredor em meio ao sol mandando seu calor pontuaram o roteiro.

Um fio d´água anunciou a presença e, metros à frente, o mesmo arroio caia de uma altura, sei lá, de menos de seis metros. Cheguei à tal cachoeira. A vazão não estava forte e alguns agentes tomaram banho. Eu não entrei n´água.
Uma hora e meia depois, o grupo que foi à queda d´água voltou à lanchonete e de lá partiu para duas locações cinematográficas de Star Wars.

SETS DE GEORGE LUCAS
No caminho desde o oásis de Tamerza até a localidade de Ong Jmal, o motorista guiou o 4X4 numa rodovia asfaltada e, logo após, numa estrada de terra batida e, depois, em caminhos na areia do deserto. Tudo sempre com muito zelo, porém com momentos de aventura.
Ong Jmal (pescoço de camelo, em árabe) é uma montanha no meio do deserto. Lá ocorreram filmagens de Star Wars. Subi até o alto numa boa e de lá observei o deserto num alcance de 360 graus. Valeu.



Quilômetros à frente cheguei ao cenário de Mos Espa. No filme, apenas as cenas externas foram filmadas naquele lugar, pois as partes internas foram feitas em estúdios. Portanto ali está Star Wars de verdade.
Mos Espa, me recordo da estreia da franquia, era uma vila com um bar onde frequentavam vários alienígenas. Vale destacar que Lucas se inspirou nas incríveis casas trogloditas da etnia bérbere para seu filme.




As casas estão com a manutenção deficitária. Algumas, eu vi, estão cheias de areia por dentro e escoradas, também internamente, por grandes pedaços de madeira. Uma delas, conferi, tinha a parte do estuque à mostra. Uma pena.


No local há vários vendedores de lembranças e de água e outras bebidas. Vi seguranças armados também. A visita levou cerca de 20 minutos, o suficiente para conhecer um segundo set da Star Wars real.
O local é, sobretudo, para os fãs da franquia cinematográfica ou quem já assistiu o primeiro filme. Quem não tem algum tipo de relação com os personagens da película (Luke Skywalker, Yoda, Chewbacca etc) pode até ir, mas a interação não será a mesma.


Eu adorei e revi, mentalmente, as cenas de Mos Espa. Na volta para o hotel, vi alguns dromedários andando junto à via. Cena linda para fechar um grande dia.


SERVIÇO:
Flot Viagens
Lufthansa
Turismo da Tunísia
Star Wars (site oficial)
O QUE GOSTOSO! viajou a convite da Flot Viagens, voando Lufthansa e com apoio do Ministério do Turismo e Artesanato da Tunísia, do Escritório Nacional de Turismo da Tunísia e da Gold Experiences, receptivo da operadora brasileira naquele país
Estou amando ler suas materias nesta viagem linda que fizemos juntos . Parabens ! Janice Valle
Muito boa sua reportagem, é muito “gostoso” lembrar da viagem maravilhosa.