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A boa cozinha e o empreendedor do Tahiti, no Guarujá

por CLAUDIO SCHAPOCHNIK_Guarujá/SP*

No Guarujá, a “Pérola do Atlântico”, a praia das Pitangueiras é a mais central. Possui como extremos o lindo Edifício Sobre as Ondas, de um lado, na divisa com a praia das Astúrias. O prédio remete aos glamour do destino nos anos 1950, quando foi inaugurado, e leva a assinatura do famoso arquiteto judeu-ucraniano naturalizado brasileiro Gregori Warchavchik (1896-1972). E, por outro lado, o Morro da Campina — mais conhecido pelo apelido de Morro do Maluf —, que marca ainda a divisa de Pitangueiras com a maior praia da cidade, a da Enseada. O local oferece um mirante sensacional, visita “obrigatória” de todo o turista.

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No alto o prato robalo com banana da terra (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!) e, acima, vista da praia das Pitangueiras (foto divulgação/Viste Guarujá)

Pertinho desse morro fica uma outra (ótima) atração guarujaense, desta vez na área da gastronomia. É o Tahiti Restaurante Pizza Bar, aberto em 1993. Com a cobertura de sapé, é fácil identificá-lo. Oferece petiscos, drinques, pratos, pizzas num salão em frente à praia. Tão interessante quando a casa em si é a história do fundador e proprietário, o empresário Jairo Nobre — também dono do tradicional bar alemão Rudy´s, localizado na mesma praia. Tive o prazer de conhecer este paulistano apaixonado pelo Guarujá e ouvir suas inspiradoras histórias de lutas e vitórias. Mas primeiro vou contar como foi o meu almoço.

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A entrada do restaurante (foto divulgação/Tahiti)

DRINQUES E ENTRADAS
O restaurante tem o clima despojado, é pra ficar a vontade mesmo. Segue verdadeiramente o slogan local — “A sua verdadeira casa de praia”. Cheguei por volta das 13h30 de uma sexta-feira (dia 10), e o salão estava cheio. Ótimo sinal que as coisas começam a melhorar, após a maciça vacinação, depois de cerca de um ano e meio de pandemia do coronavírus. Por lá, vale lembrar, todos os protocolos de enfrentamento da Covid-19 são seguidos.

O cardápio é bem variado e, como estamos em frente à praia, há muitas opções de peixes e frutos do mar — de fato os “carros-chefe” da casa. As porções de petiscos, vi passar algumas, são fartas e atraentes.

Para beber, eu e minha esposa pedimos drinques à simpática bartender Rafaela: ela, porque dirigia, foi numa opção sem álcool e eu pedi um com álcool.

Os drinques foram o Pérola do Atlântico, que leva suco de abacaxi, Curaçao Blue, rum e xarope de maçã verde; e o da minha esposa chamado apropriadamente de Pôr-do-Sol, feito com granadine, suco de laranja e tangerina. Ambos estavam muito bons e com cores fantásticas.

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O meu drinque, “Pérola do Atlântico” (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)
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O drinque pedido pela minha esposa, Pôr-do-Sol (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)

O bar do Tahiti é uma atração a parte: é montado num barco de verdade, que singrou pelos mares guarujaenses. Está em bom estado de conservação e, na semana que visitei a casa, iria ganhar uma repaginada ao fazer “cabelo, barba e bigode”.

Para entrada, pedi a tradicional casquinha de siri e, minha esposa, um ceviche de salmão.

A minha opção é montada em cima de uma casquinha de barro e, uau, super bem servida. Então estava diante de um cascão de siri, trazida com um pedaço do indispensável limão. Veio gratinada e bem quente. Também pedi o molho de pimenta caseiro da casa — ótimo e bem ardido.

Quanto ao sabor, a casquinha de siri estava muito bem temperada e farta da carne do crustáceo. Adorei. Foi um ótimo reencontro com a entrada, pois havia anos que não a saboreava.

Não provei o ceviche da minha esposa, mas ela me disse que estava muito bom. Visualmente estava bonito, ornado com pedaços de rabanete, raiz que ela adora, e um chips de banana.

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A farta e gostosa casquinha de siri (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)
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A entrada pedida pela minha esposa: ceviche de salmão (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)

PRINCIPAIS
Em relação aos pratos principais, eu e minha esposa continuamos a prestigiar o mar. Pedi um linguado numa cama de banana com camarão, molho bechamel com raspas de limão e palmito assado, acompanhado de arroz com salsa e alho; minha esposa escolheu o robalo com banana da terra, creme de leite de coco, crisps de alho poró e arroz de camarão.

Quanto à montagem, meu prato estava bacana. O camarão e as pimentas biquinho vermelhas sobre o branco do molho bechamel ficaram bonitos. Sobre o gosto, sou fã dos sabores doce, salgado e picante juntos. Então adorei comer o linguado com a banana e o molho de pimenta. Aliás, como combina bem essa fruta com peixes em geral. O palmito assado caiu bem, assim como o cheiroso arroz com salsa e alho e comer o peixe com o molho branco. Prato gostoso e completo.

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O prato que pedi (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)
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Detalhe do camarão e do molho bechamel em cima dos filés de linguado (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)

Não provei o prato da minha esposa, que comentou ter gostado — ela ama peixes. A travessa é que chamou a atenção: de metal no formato de um peixe.

Como sobremesa, dividi com minha esposa um pudim de tapioca com bolinhas de sagu coberto com raspas de coco queimado. Brasileiríssimo, diferente pela adição do sagu e sabor delicado sem ser tão doce.

Pelo que provei, pelo clima da casa e pelo bom atendimento, só posso recomendá-la. Comida saborosa e honesta.

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A sobremesa (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)

MAIS SOBRE A CASA
O Tahiti serve ainda pizzas à noite. “Nosso cardápio oferece cerca de 30 sabores, todas assadas em forno à lenha”, diz o proprietário da casa, Jairo Nobre. Segundo ele, o estilo da pizza é paulistano. “Fazemos também com massa integral”, destaca.

Às quartas-feiras e aos sábados, Nobre oferece a tradicional feijoada na cumbuca acompanhada de um grupo de chorinho. “Antes da pandemia, servíamos o prato no sistema de bufê e somente aos sábados”, recorda ele.

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Cobertura de sapé: Tahiti tem clima bem informal (foto divulgação/Tahiti)

O EMPREENDEDOR
Assim que você entra no Tahiti há um carrinho de pipoca e algodão doce super bem conservado apesar da idade de 31 anos. “É meu amuleto”, afirma o simpático paulistano Jairo Nobre. Antes de se tornar o restaurateur e dono do Tahiti e Rudy´s, ele foi pipoqueiro.

“A pipoca foi a minha porta de entrada para a gastronomia nos anos 1990”, conta Nobre, que veio primeiramente do ramo têxtil. “Não havia a Cinemark [rede de cinemas estadunidense] no Shopping Continental, em São Paulo e pertinho de Osasco, e virei pipoqueiro. Foi uma ótima oportunidade”, emenda. De fato, a “dobradinha” filme com a pipoca é demasiadamente praticada, e a pipoca paga em “cash”.

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O proprietário do Tahiti, Jairo Nobre, junto ao seu “amuleto”: o único carrinho de pipoca de quando era pipoqueiro em São Paulo (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)

“Fui a uma fábrica de carrinhos de pipoca e comprei alguns e o milho estourando prá lá e prá cá”, lembra Nobre. O negócio é tão rentável que as redes de cinema entraram no setor. A Cinemark, mais radical, foi além. Proibiu o público de entrar com comes e bebes e os vendia, de modo monopolista, antes do corredor das salas de exibição.

E foi justamente com a chegada da Cinemark naquele shopping que o promissor negócio de Nobre “faliu”. Dos vários carrinhos de pipoca só ficou o que adorna o Tahiti. Mas, seguramente, o capital adquirido como pipoqueiro ajudou ele nos negócios à frente.

Impossível não me recordar, neste ponto da conversa, da dona Cida, mãe de minha primeira ex-esposa. Talentosa pipoqueira há muitos anos [imagino que ainda esteja no ramo] na praça de uma cidade do interior paulista, ela sustentou sua família com o dinheiro das pipocas doce e salgada. O carrinho dela — pintado de vermelho e amarelo e sempre limpíssimo, com as partes de metal como se fossem espelhos de tão areados que eram —, se ainda for o mesmo, foi obra do também talentoso irmão dela, o Toninho. Caprichoso, ele mesmo desenhou, comprou as placas de metal, soldou, pintou e finalizou o carrinho. Um verdadeiro artesão.

“Vim para o Guarujá para fazer um restaurante do meu tio na praia da Enseada e conheci o Tahiti pelo mesmo tio”, recorda Nobre sobre o ponto que iria comprar. “Vendia muito hambúrguer pra garotada antes da chegada do McDonald´s e, depois, comecei a fazer pizza em 1998. Com o tempo, o Tahiti foi se firmando como restaurante e pizzaria.”

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A gerente do Visite Guarujá, Sandra Chiamulera, a gerente de RH do Tahiti, Renata Terêncio, o cozinheiro da casa, chef Marivaldo, e Nobre (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)

E assim o restaurante chegou a ser essa super casa que é hoje, vencendo perrengues e desafios, inclusive ficando quatro meses fechados no ano passado por causa da pandemia. Claro, ninguém faz nada sozinho, e Nobre tem uma grande equipe de profissionais dedicados. O empreendedor dá sinais que não para, pois estuda um novo negócio.

*A reportagem do QUE GOSTOSO! almoçou a convite do Tahiti; viagem a convite do Visite Guarujá e hospedagem no Hotel Vicino al Mare

SERVIÇO:
Tahiti Restaurante Pizza Bar
Avenida Marechal Deodoro da Fonseca, 367, Praia das Pitangueiras, Guarujá/SP
Tel. (13) 3387-2272
Instagram, Facebook

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