A tradição bicentenário do pão Brocojó no Caraça (MG)

A tradição bicentenária do pão Brocojó no Caraça (MG)

por Claudio Schapochnik

Ah, a culinária mineira… Deliciosa, rica, saborosa, bem temperada… E que sempre traz surpresas. Uma destas vem do Santuário do Caraça, fundado em 1774 e localizado entre os municípios de Catas Altas e Santa Bárbara: é o Brocojó, pão produzido na cozinha do santuário que carrega uma herança cultural e gastronômica de mais de 200 anos.

Ainda não conheço o santuário e nem provei o Brocojó. No entanto, conto a história pra você, caro(a) leitor(a), desse pão que parece ser mesmo muito gostoso por meio do material de divulgação do Caraça, que recebi do Grupo Balo — que faz a assessoria de imprensa do santuário mineiro.

“O Brocojó é uma receita que mistura farinha, muitos ovos e alguns segredos”, explica o gerente geral do Santuário do Caraça, Márcio Mol. “O pão é uma adaptação do brioche francês, ajustada aos temperos e ingredientes da região. O sabor incomparável, a casca crocante e o aspecto rústico são características marcantes deste pão. A iguaria atravessou gerações seguindo o mesmo modo de fazer de antigamente”, emenda Mol.

´No alto o tradicional Brocojó (foto Márcio Mol) e, acima, o Santuário do Caraça, em Minas Gerais (foto Miguel Andrade)

RESGATE
Segundo os registros, a riqueza gastronômica do Caraça se fez presente há mais de dois séculos. Por isso, para aproveitar os cereais mais comuns da região, a farinha virou uns dos principais ingredientes da cozinha do santuário. O item compôs receitas que resultavam em pães, bolos e biscoitos para alimentação dos padres, seminaristas e alunos. Com o fechamento do colégio, em 1968, esse conhecimento quase se desfez. Quase porque 47 anos mais tarde a receita do Brocojó foi resgatada.

Por meio do projeto “Primórdios da Culinária Mineira”, do Santuário do Caraça, em parceria com Senac/MG, a receita foi encontrada em 2015. Objetivo: “resgatar e dar novos usos a hábitos, técnicas e produtos alimentares dos primeiros habitantes de Minas Gerais, com foco no desenvolvimento regional”.

De acordo com Mol, em dias de festa no Colégio do Caraça o Brocojó era assado com uma fava de feijão dentro e, então, usado para fazer um sorteio entre os oito alunos que dividiam cada “quadrado” da mesa coletiva. O aluno que saía com a fava se tornava o “rei do quadrado” e ganhava algumas vantagens com isso, como poder ser o primeiro a servir a refeição e até se sentar à mesa dos padres e professores.

Além do Brocojó, o Santuário do Caraça também oferece aos visitantes outras receitas tradicionais e originais da casa: Pudim de Gabinete e Pão de Ora-pro-nobis, além dos doces diversos, queijos e fermentados, incluindo o histórico hidromel.

O Brocojó é feito no Caraça novamente desde 2015 (foto Márcio Mol)

TOMBADO
O Santuário do Caraça é tombado como Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e Estadual. Foi escolhido como uma das Sete Maravilhas da Estrada Real. Conta com um amplo conjunto arquitetônico onde estão a primeira igreja de estilo neogótico do Brasil, o prédio do antigo Colégio (hoje Museu e Biblioteca), o hotel com 57 apartamentos, com capacidade para até 230 pessoas, e a Fazenda do Engenho, com 26 apartamentos.

O local possui enorme diversidade de fauna e flora. Na ampla diversidade da fauna, há 386 espécies de aves, 42 espécies de répteis, 12 espécies de peixes e 76 espécies de mamíferos.

A Reserva Particular do Patrimônio Natural do Santuário do Caraça faz parte de duas importantes reservas ecológicas: as Reservas da Biosfera da Serra do Espinhaço Sul e a da Mata Atlântica, onde há diversas espécies de flora e fauna, algumas encontradas somente no Complexo do Santuário do Caraça, que fica na transição entre Mata Atlântica e Cerrado, onde também há campos rupestres. Nas serras há nascentes, ribeirões e lagos, que possuem águas de coloração escura por causa do material orgânico em suspensão.

O território do Complexo do Caraça integra a Área de Proteção Ambiental ao Sul da Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde começam duas grandes bacias hidrográficas: a do rio São Francisco e a do rio Doce, que abastecem aproximadamente 70% da população de Belo Horizonte e 50% da população da região metropolitana.

Para mais informações, acesse www.santuariodocaraca.com.br.

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