Primavera é tempo de comer jabuticaba

Primavera é tempo de comer jabuticaba

DA SECRETARIA DE AGRICULTURA E ABASTECIMENTO DO ESTADO DE SÃO PAULO

Quem nunca teve o gostinho de saborear uma jabuticaba no pé, com certeza tem o desejo de um dia fazer isso. E para quem não tem um pé no quintal ou na casa de alguém próximo, atualmente está mais fácil concretizar essa vontade pelo número de propriedades que produzem essa fruta nativa e têm aberto as porteiras e os pomares para a modalidade de turismo rural, que envolve o ´colhe e pague´. Mas para todos aqueles que querem consumir a fruta no dia a dia, neste período em que se inicia a safra, as gôndolas dos supermercados e as bancas das feiras já estão ficando abastecidas com fruta de qualidade, produzidas por agricultores dos três maiores Estados produtores do País: São Paulo, Minas Gerais e Goiás.

São Paulo, inclusive, tem uma cidade chamada Jaboticabal, distante 345 quilômetros da capital paulista, batizada em homenagem à fruta (a origem do nome deriva de um bosque de jabuticabeiras nativas existente dentro do primeiro perímetro demarcado no município). Na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) — um dos maiores centros de comercialização do País –, a fruta (foto acima) oriunda do Estado de São Paulo está em evidência. Segundo o engenheiro agrônomo do Centro de Qualidade em Hortifrutigranjeiros da Ceagesp, Hélio Satoshi Watanabe, das 2.445,85 toneladas recebidas e comercializadas por 39 atacadistas em 2019, 98,54% vieram de propriedades paulistas.

Em Casa Branca, município de quase 30 mil habitantes, distante cerca de 230 quilômetros da capital paulista, os pés carregados já estão quase no ponto de colheita. Segundo dados do Levantamento Censitário das Unidades de Produção Agropecuária (Lupa), realizado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento, são mais de 22 mil jabuticabeiras na cidade (17 mil na área rural e cinco mil pés espalhados de forma difusa na área urbana). “Aqui na região central de São Paulo, o clima garante uma fruta doce e saborosa. Este ano, por conta do clima mais seco e quente que dominou o inverno, é possível que haja uma redução na produção, mas a expectativa é que as bagas estejam ainda mais doces, pois essas condições aceleram a maturação e deixam a fruta com maior concentração de açúcares”, explica o engenheiro agrônomo responsável pela Casa da Agricultura local, ligada à área de atuação da Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS) Regional São João da Boa Vista, André Luiz Antonialli.

Mudas de jabuticabeiras (fotos Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo)

Segundo o agrônomo, o município tem 141 hectares cultivados por 47 produtores, os quais dedicam, em média, em suas propriedades, três hectares para a produção de jabuticaba. “A média de produção considerada é de mais ou menos 90 quilos por planta, o que nos leva à aproximadamente 2 mil toneladas da fruta produzidas, por safra, em nosso município. Por esses dados, Casa Branca é considerada a maior produtora paulista e uma das maiores do Brasil. A área cultivada tem se mantido estável, com tendência a um aumento no número de plantas, devido ao adensamento de plantio em áreas de renovação de pomar irrigados. A colheita ocorre naturalmente entre setembro e novembro, dependendo muito das condições climáticas do ano e se o pomar é irrigado ou não. Para este ano, prevemos uma queda na safra, a ser confirmada de acordo com o balanço térmico e hídrico na região. Consideramos que a cadeia produtiva da jabuticaba é de relevância para a economia do município, sendo geradora de renda e empregos diretos e indiretos no campo, principalmente na época de colheita (na safra passada foram empregadas mais de 500 pessoas)”, detalha o agrônomo da Casa da Agricultura.

Para os interessados em iniciar na cultura, o agrônomo faz uma ressalva. “A jabuticaba é uma cultura rentável, mas que demora anos para iniciar a produção. Por isso, principalmente os pequenos produtores, devem diversificar a área com outras culturas e/ou atividades, para ter renda ao longo da implantação do cultivo da fruta.”

Viveirista, integrante de uma família que tem mais de meio século de tradição na produção de mudas de jabuticaba, José Carlos Rezende Nogueira fala sobre a fama da cidade, conhecida como a capital da fruta no Estado de São Paulo, a qual conta, inclusive, com uma festa anual onde podem ser degustados pratos à base de jabuticaba, bem como produtos de higiene e beleza tendo a fruta como ingrediente.

“A nossa cidade tem muita história com a produção de jabuticabas, pois estamos em região de Mata Atlântica, que é o centro de origem. Além disso, tem tradição com as inúmeras propriedades que cultivam há décadas e com a produção de mudas, como é o caso da minha família, na qual meu pai começou o viveiro há 55 anos. Por essa longa história, foi instituída a festa anual da jabuticaba, cuja primeira edição data do final da década de 1920, quando algumas mulheres preparam pratos tendo a fruta como ingrediente principal. Mas, logo após essa realização, houve um hiato de muitos anos e a festa foi retomada na década de 1960. Após outra parada, ela foi retomada na década de 1990. Por esse histórico e a grande produção, em 2012, Casa Branca foi estabelecida por lei como a capital estadual da jabuticaba, o que fez com que as frutas produzidas aqui se tornassem uma referência e uma marca no País.”

CONTRIBUIÇÃO DA EXTENSÃO RURAL
Além da assistência técnica prestada aos produtores, como uma ferramenta de extensão rural, a Secretaria de Agricultura investe há décadas na produção de mudas de qualidade nos vários núcleos, principalmente no Núcleo de Produção de Mudas de Pederneiras, unidade do Departamento de Sementes, Mudas e Matrizes, da CDRS.

Com um bosque de jabuticabeiras, composto por exemplares de mais de 50 anos de idade, que enchem os olhos dos clientes e visitantes da unidade, o núcleo tem uma produção anual de cerca de cinco mil mudas, as quais são comercializadas em diferentes idades (desde as de saquinho, com dois anos, até árvores de dez a 12 anos, já em produção), voltadas tanto para produtores quanto para interessados em instalar pomares domésticos, modalidade que teve aumento na demanda por conta da quarentena estabelecida pela pandemia do novo coronavírus, que resultou em um número expressivo de pessoas que passaram a investir em hortas e pomares em casa e mesmo em varandas de apartamentos.

Caixas de jabuticaba prontas para a comercialização

“Temos sido procurados por um número crescente de compradores com tal perfil. No entanto, a procura maior ainda acontece por parte de produtores de várias regiões e até de outros Estados, por conta de garantia de qualidade e preços adequados à idade das mudas. As mudas estão sendo produzidas com a tecnologia de enxertia pelo método de garfagem (enxerto de um ramo de uma planta que já está produzindo em uma muda feita a partir da semente), o que garante uma redução no tempo de frutificação, ou seja, um ganho considerável no tempo de início de produção, haja vista que uma jabuticabeira leva mais de dez anos para dar frutos”, explica o diretor do núcleo, José Roberto Bois, informando que as mudas de jabuticaba também são produzidas e comercializadas nos Núcleos de Produção de Mudas de São Bento do Sapucaí, Marília, Itaberá e Tietê.

Outro ponto importante levantado pelo engenheiro agrônomo é que a secretaria não comercializa apenas mudas, mas presta um trabalho de assistência técnica. “Nossos técnicos orientam os produtores e outros compradores quanto ao plantio, à condução das mudas e ao manejo da cultura.”

Obedecendo aos protocolos sanitários e de distanciamento social, a compra de mudas está sendo feita por telefone e e-mail; a retirada ocorre com horário agendado. Mais informações: tel. (14) 3284-1364 e e-mailnpmpederneiras@sp.gov.br.

FAMÍLIA FAGAN: TRADIÇÃO NO CULTIVO DE JABUTICABA EM CASA BRANCA
Com uma tradição iniciada pelos primeiros imigrantes que vieram da Itália no início do século passado, uma parte da família Fagan, que se estabeleceu no município de Casa Branca, deu início a um dos maiores pomares de jabuticabeiras do Estado de São Paulo. “Meus avós tiveram a visão, muito boa por sinal, de transplantar jabuticabeiras para as lavouras de café, com o objetivo de ter uma atividade agrícola mais fácil de se trabalhar”, conta Neusa Fagan, que ao lado de outros integrantes da família (Valdir, José Roberto, Rubens, Carlos, Arlei, Ângela e Ana Maria Fagan) dá continuidade à tradição de cultivar jabuticaba como a principal atividade agrícola.

Contando um pouco mais da história da família, Neusa relata: “Como as jabuticabeiras demoram anos para frutificar, meus avós foram adquirindo mudas e formando os pomares (muitas dessas plantas ainda estão na propriedade da família), mas como precisavam de renda fizeram um plantio consorciado de jabuticaba e laranja. Quando começaram a colher as primeiras jabuticabas, a produção seguia de trem para a Estação da Luz em São Paulo e de lá seguia para o Mercado Central (atual Mercado da Cantareira). A fruta era embalada em cestas de bambu, feitas na cidade de Itatiba, e cobertas com galhos de jabuticabeira.”

A produtora de jabuticaba, Neusa Fagan, junto a uma jabuticabeira

Atualmente, no sítio Boa Vista, a família tem 1.600 pés de jabuticaba em 20 hectares, cuja produção é toda comercializada na Ceagesp. “Hoje, a cultura da jabuticaba é toda mecanizada; apenas a colheita é feita manualmente. O manejo é realizado com podas, adubação e calagem, em um contexto de lavoura comercial e muito profissional. Investimos em um manejo biológico de pragas e no uso adequado de produtos químicos, com o menor índice de toxicidade possível. Usamos muito esterco e adubos orgânicos para fertilização do solo. A colheita é manual, gerando um grande número de empregos para Casa Branca e região. Tudo isso é fruto de investimento de décadas em um pomar que conta com árvores centenárias e o plantio contínuo de novas plantas, as quais começarão a produzir em dez anos”, diz a produtora.

Sobre o período de seca, Neusa salienta que a produção de jabuticaba sofre como outras culturas com o calor mais intenso, mas como é nativa da Mata Atlântica tende a se adaptar às intempéries climáticas. “As perspectivas para a safra deste ano são razoáveis, pois a nossa área é 100% irrigada por microaspersão (mangueiras que levam água até o pé das plantas), mas, por conta da escassez de chuvas, nos adequamos para controlar muito bem a água, para não haver desperdício.”

BENEFÍCIOS DA JABUTICABA
A jabuticaba é originária do Brasil. De palavra de origem indígena (tupi) “Iaoutikaua”, o nome significa fruto de que se alimenta o jabuti. Nativa da Mata Atlântica, é uma fruta com polpa doce e caroço azedinho, o que confere um sabor único à fruta, que proporciona diversos benefícios para a saúde.

Segundo a nutricionista da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, que atua na CDRS, Denise Baldan, a jabuticaba é uma excelente fonte de vitamina C, ajuda a fortalecer as defesas do organismo e melhorar a absorção de ferro. “Ela ainda contém vitaminas do complexo B, que contribuem para a saúde do sistema nervoso”, informa a nutricionista, ressaltando que, costumeiramente, a jabuticaba é mais consumida in natura, podendo ser ingeridas tanto a polpa quanto a casca, pois ambas possuem nutrientes essenciais para o organismo.

“Mas o que muitos não sabem é que ela é versátil e pode ser usada como ingrediente em diversas receitas culinárias. A polpa é ideal para geleias, compotas e doces. Já a casca pode ser ingerida junto com a fruta ou assada e depois processada, se transformando em uma farinha nutritiva, que pode ser consumida com iogurtes, saladas de frutas e outros”, finaliza Denise.

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