Conheça as classificações e os estilos dos vinhos

por Lucia Grimaldi*

Olá, caros internautas! Hoje falarei um pouco sobre os estilos de vinho.

É comum as pessoas que iniciam neste mundo delicioso da degustação de vinhos confundirem ou não entenderem porque alguns vinhos são chamados “vinhos de mesa” e outros “vinhos finos”. Claro que, como sempre, há certas divergências neste tipo de classificação, mas abordarei o tema da maneira mais usual.

Inicialmente, é preciso que você saiba que esta diferença de estilo se deve às uvas utilizadas na vinificação.

VITIS VINIFERA E VITIS LABRUSCA
A Vitis vinifera é uma espécie de uva de origem europeia, de bagos pequenos e casca grossa. Exige grande conhecimento no cultivo, pois precisa de muitos cuidados no plantio e não se adapta em qualquer terreno ou clima. É a espécie mais adequada para a produção de vinhos. São exemplos muito conhecidos a cabernet sauvignon, a merlot, a chardonnay e a sauvignon blanc.


Aqui mostro um cacho de uvas tempranillo, também espécie Vitis vinifera (fotos Lucia Grimaldi)
Observe no detalhe como estas uvas são pequeninas

A Vitis labrusca é uma espécie mais comum de uva, de origem americana. É a que compramos em feiras e supermercados, conhecida como uva de mesa, excelente para o consumo in natura e em sucos. Os grãos são maiores e sua casca é mais fina que a Vitis vinifera. Se adapta mais facilmente em diferentes lugares e não exige grandes conhecimentos técnicos para o cultivo. São exemplos desta espécie as uvas niagara e isabel.

Plantação de uva isabel em Louveira, no Estado de São Paulo. Observe como os bagos são bem maiores

A título de curiosidade: as videiras americanas são muito usadas na produção de porta-enxertos para as mudas das Vitis viniferas, por serem resistentes às doenças que destroem estas últimas. Entretanto, os sabores não são agradáveis o suficiente para serem vinificadas

VINHO DE MESA E VINHO FINO
O vinho de mesa é elaborado pelas uvas comuns, da espécie Vitis labrusca, que não têm a capacidade de concentrar açúcar suficiente para ser transformado em álcool durante a fermentação e garantir um vinho estruturado. São vinhos fáceis de beber, com aromas e sabores mais simples e maior doçura. As cores são mais fortes, opacas e não estagiam em barris de carvalho, nem envelhecem em garrafa, devendo ser consumidos logo.

Vinho de mesa Chalise, à venda no Pão de Açúcar

Já os vinhos finos são elaborados por uvas da espécie Vitis vinifera, que concentram açúcar em quantidade tal que a fermentação produzirá álcool suficiente para um vinho de qualidade e estruturado, além de possuir maior riqueza em sabores e aromas, com cores vivas e brilhantes. Quando passam por barris de carvalho, adquirem maior estrutura e uma gama de sabores e aromas. E o envelhecimento em garrafa os torna mais macios e agradáveis para beber.

Vinho fino Villa Castro, da Vinha Gramado

VINHO SUAVE E VINHO SECO
Esta classificação tem a ver com a quantidade de açúcar residual que fica no vinho após o processo de fermentação do mosto, ou seja, após a transformação do açúcar das uvas em álcool pela ação das leveduras.

Tradicionalmente, o vinho suave, como o próprio nome diz, é mais suave que o vinho seco, feito com uvas mais simples, e é mais doce e, portanto, mais fácil de beber para quem está iniciando no mundo dos vinhos. O grande problema está no fato de que o açúcar mascara os sabores autênticos do vinho: a fruta, os taninos e a acidez, entre outros aspectos. Além disso, é muito mais difícil harmonizar um vinho suave com a comida: o vinho seco é muito mais gastronômico. Podem ser elaborados com uvas das espécies Vitis labrusca, conhecidos como “vinho de garrafão”, ou Vitis vinifera, chamados “vinho suave fino”.

Com poucas variações, o vinho será considerado seco quando tiver até quatro gramas de açúcar residual por litro, enquanto será suave para concentrações maiores que 25 gramas por litro. Na maioria das vezes, a classificação de doçura consta no rótulo da garrafa.

O espumante Cavas Hill semi seco, da Cantu

Os vinhos finos são classificados, segundo o nível de doçura (açúcar residual) em:

Vinho seco: aquele que não tem açúcar residual, ou quando o seu nível é tão baixo que o nosso paladar não consegue percebê-lo.

Vinho quase seco: é aquele que tem um nível baixo, mas perceptível de açúcar ao paladar. Na verdade, os vinhos produzidos em grande quantidade, os quais chamamos de vinhos econômicos, na verdade não são secos: são quase secos.

Vinhos meio secos e meio doces: tem o sabor do açúcar claramente perceptível, mas não são vinhos doces o suficiente para acompanhar uma sobremesa, como é o caso do vinho do Porto, por exemplo. É bom saber que os vinhos meio doces são mais adocicados que os meio secos.

Vinhos doces: são aqueles cujo açúcar presente na composição é uma característica que o define, como acontece com os vinhos do Porto e os Sauternes, e tradicionalmente acompanham sobremesas.

Ah! É muito desejável que os vinhos doces tenham acidez alta para que não se tornem enjoativos.

VINHOS DA ERA NATUREBA
Cada vez mais busca-se uma agricultura sustentável, na tentativa de reduzir ao máximo o uso de produtos químicos na agricultura. E na viticultura não é diferente! Neste sentido, há uma busca incessante de conhecimento sobre a biodiversidade e o equilíbrio biológico que abrangem a vinha como um todo.

Além dos vinhos tradicionais, você já deve ter ouvido falar em vinhos orgânicos, biodinâmicos e naturais. Se ainda não ouviu nada sobre isso, vamos lá!

Vinhos biológicos ou orgânicos: são elaborados por uvas cultivadas com uma metodologia sustentável muito estrita, na qual o uso de tratamentos químicos e defensivos agrícolas é extremamente restrito ou inexistente. As vinhas devem ser adaptadas para se adequarem aos padrões biológicos necessários. Para ser considerado orgânico, são exigidas certificações concedidas pelos órgãos de acreditação dos vinhos, as quais constam nos rótulos.

Vinho orgânico da Herdade do Esporão, à venda na Sonoma
Vinho rosé orgânico da linha Adobe da Emiliana Organic Vineyards, produtora chilena que caprichou na embalagem…
…e aqui a garrafa sem o lindo papel da embalagem

Vinhos biodinâmicos: são feitos com uvas cujo plantio é baseado na agricultura biodinâmica, de Rudolf Steiner e Maria Thun. Utiliza práticas da agricultura biológica, mas aplica também conhecimentos da cosmologia, da filosofia e da bioenergética, compreendendo a vinha como integrante de um organismo vivo muito mais amplo que apenas um mero conjunto de videiras.

O cultivo observa os ciclos da lua e dos planetas, por exemplo. As pragas são evitadas e tratadas com preparados naturais, como pó de osso e ervas. Assim como os vinhos orgânicos, também passam por certificação própria.

Vinhos naturais: são vinhos orgânicos ou biodinâmicos, cuja fermentação do mosto é espontânea ou natural, ou seja, a fermentação é feita pelas leveduras que estão na pele (casca) da própria uva, não sendo acrescentadas leveduras externas selecionadas pelo produtor. A interferência humana é mínima.

Cacique Maravilla Malbec Blend 2014 (Biodinâmico/ Natural), à venda na Sonoma
Imortali: o primeiro vinho biodinâmico brasileiro, à venda na Santa Augusta

Esta redução da intervenção humana na produção dos vinhos é uma tendência mundial. Claro que atende a um nicho de consumo, mas, definitivamente, veio para ficar!

E por que conhecer os diversos estilos de vinho? Para que você busque aqueles que mais lhe agradem e que correspondam mais às suas expectativas, afinal, vinho bom é aquele que você gosta de beber!

Saúde!

*Lucia Grimaldi, colunista do Que Gostoso!, é graduada e pós-graduada em fonoaudiologia e direito e possui a certificação internacional Wine & Spirit Education Trust (WSET) nível 2. Contatos: grimaldipervino@gmail.com e o instagram @grimaldipervino

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