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Jantar à base de socol e inhame das Montanhas Capixabas

por CLAUDIO SCHAPOCHNIK_Venda Nova do Imigrante/ES*

O Socol de Venda Nova do Imigrante, embutido de carne de porco de origem italiana, e o Inhame São Bento, tubérculo da região de São Bento de Urânia, na Zona Rural de Alfredo Chaves, ambas cidades das Montanhas Capixabas, são produtos que têm Indicação Geográfica (IG) – respectivamente, desde 2018 e 2016.

“A IG identifica a origem de um produto ou serviço que tem certas qualidades graças à sua origem geográfica ou que tem origem em um local conhecido por aquele produto ou serviço”, diz a página do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). A autarquia federal é a responsável legal pela emissão de uma IG.

“A proteção concedida por uma IG, além de preservar as tradições locais, pode diferenciar produtos e serviços, melhorar o acesso ao mercado e promover o desenvolvimento regional, gerando efeitos para produtores, prestadores de serviço e consumidores”, emenda a página do Inpi.

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No alto, a Inhamada de São Bento de Urânia (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!), um dos pratos do jantar no Senac de Venda Nova do Imigrante e, acima, peças de socol e o produto fatiado da marca Dona Martha Delícias (foto reprodução_página da Dona Martha Delícias no Facebook)
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Entrada do Senac de Venda Nova do Imigrante (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)

Em relação ao socol, o nome é uma adaptação da palavra italiana para a carne do pescoço – no caso, de porco –, ossocollo, trazida pelos imigrantes italianos, sobretudo do Vêneto, radicados no Espírito Santo a partir do último quarto do século 19. Eles vieram ao Brasil para trabalhar com a cultura do café.

Ossocollo designa o embutido produzido com a carne do pescoço do porco no Norte da Itália. Em terras capixabas, além da mudança de nome, passou a ser feito com o lombo suíno.

O lombo suíno recebe como temperos sal, alho e pimentas do reino e calabresa. Somente. Depois de um período de cura, que geralmente tem um mínimo de seis meses – envolvido no peritônio, membrana dos órgãos abdominais do porco –, está pronto para o consumo. É servido em fatias bem finas, praticamente transparentes.

Sobre o inhame, o tubérculo chegou ao Brasil trazidos de Cabo Verde pelos portugueses no século 17. “Há mais de 40 receitas à base de inhame”, disse, durante o jantar no Senac, o pesquisador e coordenador da IG do vegetal, Jandir Gratieri.

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Caixas de Inhame de São Bento, IG da região das Montanhas Capixabas (foto Pedro Callegario, Seag/ES)

Para conhecer a aplicação na culinária destes dois patrimônios culinários das Montanhas Capixabas, o chef Renato Santos, do Senac de Venda Nova do Imigrante, assinou um cardápio exclusivo aos jornalistas da presstrip da qual participei em novembro de 2023.

Os pratos foram preparados e servidos, na sede do Senac de Venda Nova do Imigrante, com a colaboração de jovens do Projeto “Jovem Chef”, da mesma instituição.

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O chef Renato Santos com seus alunos do Projeto “Jovem Chef”, no jantar (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)

Natural da capital capixaba, Vitória, o chef Santos é ainda membro da Delegação Brasileira da Federação Italiana de Chefes (Fic). Ele elaborou o menu com duas entradas, dois pratos principais e uma sobremesa. De um modo geral, o menu estava bastante saboroso. Que gostooooooso!

Seguem abaixo a descrição dos pratos e a experiência com os mesmos:

Entrada: Chips de inhame com antepasto de palmito e socol
Os chips estavam bastante irregulares: havia alguns secos e crocantes e outros murchos e oleosos. Os primeiros estavam ótimos e caíram bem com a mistura de palmito e socol – este bem suave. Que gostooooooso!

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A entrada de Chips de inhame com antepasto de palmito e socol (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)
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Em destaque, o antepasto de palmito e socol da entrada: poderia ser um prato independente (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)

Entrada: Salada com mix de folhas (alface americana, rúcula e agrião), tomate-cereja, cebola-roxa, socol, pólen, mel de aroeira, azeite de abacate e tangerina
Adoro salada com frutas, gosto que tomei pela minha amada mãe, Eva, que usava muito a manga. A mistura dos ingredientes me agradou demais. Que gostooooooso!

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A salada da refeição (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)

Prato principal: Inhamada de São Bento de Urânia
Sopa de inhame cozido com carne seca e temperos. Caldo bem saboroso e inhame bem macio. Os pedaços de carne seca poderiam ser maiores. Ótima. Que gostooooooso!

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O chef Soares exibe a Inhamada de São Bento de Urânia (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)

Prato principal: Risoni cremoso com socol e queijo resteia
Primeira vez que comi esta massa bem fininha e delicada, o risoni, que parece arroz. Adorei e virei fã. Que gostooooooso!

O risoni recebeu uma maravilhosa fonduta feita com azeite de abacate, cebola, socol, creme de leite fresco e queijo resteia. Deu vontade de repetir. Que gostooooooso!

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Prato do Risoni cremoso com socol e queijo resteia: poderia repetir numa boa (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)

Sobremesa: Sorvete de inhame e mel de macadâmia e caramelo salgado de café
Ingredientes de primeira fizeram um sorvete bastante diferente. Que gostooooooso!

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A sobremesa do jantar, com flor comestível (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)

Uau, este jantar foi sensacional, e o socol e inhame revelaram-se deliciosos e versáteis. Simples assim. Parabéns ao chef Renato Santos e à sua equipe.

*O QUE GOSTOSO! viajou a convite do Sebrae/ES, da Secretaria de Turismo do Estado do Espírito Santo e do Montanhas Capixabas Convention & Visitors Bureau

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