por CLAUDIO SCHAPOCHNIK
Tradicionais hits da gastronomia judaica, como varenike, salmão gravlax, guefilte fish, pastrami, latke e yuch, que antes tinham de ser encomendados ou levados para ser consumidos em casa, agora podem ser degustados no local. Esta é a proposta da Deli 325 Delicatessen, o novo nome da Doris Gastronomia Rotisserie – que fica numa casa com uma gostosa e verde área externa no bairro de Perdizes, na Zona Oeste de São Paulo. Liderada pelas sócias Doris Friedmann e Rosely Zatz, o estabelecimento mantém ainda o caráter de mercearia – que, nesta nova fase, se tornou mais acentuado.

A Deli 325 foi inaugurada formalmente no final do mês passado (quarta, dia 21). As mesas e cadeiras continuam as mesmas, apenas os painéis ganharam novas palavras e a fachada ganhou uma nova cor – verde escuro e o número 325 grande e branco.
Na área onde fica o caixa, as geladeiras exibem massas e tortas (doces e salgadas) congeladas – agora também em tamanhos e pacotes menores. Os produtos já eram comercializados na fase anterior do estabelecimento.
No salão vizinho, prateleiras têm vinhos de diversas procedências, em parceria com a importadora Mistral, e bolachinhas caseiras. A delicatessen dispõe ainda de cervejas artesanais.


(foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)

(foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)
SAI O COMERCIAL E ENTRA A COMIDA JUDAICA
A grande mudança com a Deli 325 ocorreu no cardápio. Em resumo: saíram os pratos comerciais, ficaram alguns campões de pedidos, como as tortas – a de palmito pupunha e a de costela bovina na cerveja preta, ambas ótimas – e entraram sanduíches, folhados e receitas judaicas.
A Deli 325 não é kasher. As receitas são praticamente do universo cultural asquenazita–iídiche, ou seja do Leste e Norte europeus, como o varenike (“ravióli” de batata cozido servido com cobertura de cebola bem frita), o guefilte fish (bolinho cozido de peixe servido com chrein – molho de raiz forte), o latke (“panquecas” de batata”) e o yuch (caldo de frango quente acompanhado de bolinho de matze – feito com farinha de pão ázimo).
Os pratos judaicos, assim como todos os demais de delicatessen, são feitos com esmero e capricho pela Doris, que lidera a cozinha, e suas auxiliares. As receitas são “raiz“, sem modinhas e/ou invencionices que comprometam significativamente o DNA dessa cozinha.

(foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)

(foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)
Doris aprendeu as receitas judaicas com sua mãe, Eva. Isso na casa da família em Erechim (RS) – terra da esperança para o reinício de uma vida sem o câncer do antissemitismo sofrido por famílias do Leste Europeu.
Na cidade gaúcha, a Jewish Colonization Association (JCA), fundada pelo banqueiro e filantropo judeu alemão, barão Moritz von Hirsch (1831-1896), comprou terras para alojar famílias perseguidas pelo ódio e pela violência que sofriam em seus países de origem – apenas e tão somente por serem judias.
“Foi minha mãe que me ensinou tudo”, disse Doris. “Ela foi uma excelente cozinheira.”
Portanto, a comida judaica servida na Deli 325 carrega bastante história e resistência.
O ALMOÇO
Recentemente, num domingo, almocei com minha esposa e meu enteado. Para começar, pedimos os três itens do “Pra Compartilhar” do menu de abertura da casa.
Confira: latkes (R$ 18), guefilte fish com chrein (R$ 22) e falafel (R$ 15) – bolinhos de grão-de-bico fritos servido com molho tahine, de gergelim; prato típico do Oriente Médio.

Como principais, minha esposa pediu uma torta de pupunha com salada verde (R$ 30); meu enteado, um nhoque (R$ 39) ao molho de tomatinhos confitados, servido com duas torradas com azeite; e eu, varenikes de batata (R$ 45), servido com creme de ricota.
Para sobremesa: uma fatia de torta de chocolate belga com crisps de flor de sal (R$ 21). Para beber: água (R$ 6).
A EXPERIÊNCIA
Sobre as entradas, a porção de latkes, clássico da comida judaica, veio com seis unidades. Fritos na hora, como deve ser, os latkes estavam crocantes. Portanto, deu para ouvir aquele som prazeroso ao mordê-los. Que gostooooooso! Poderia ter mais uma pitada de sal. Uma noz-moscada também cairia bem.


O guefilte fish, tradicionalíssima comida judaica… Chegou perto do feito pela minha mamãe, Eva (1939-2018). Portanto, estava muito bom. Que gostooooooso! A porção veio com sete unidades.
Os bolinhos estavam compactos, sem estarem duros, e deliciosos. O chrein, molho de raiz forte, estava saboroso e de ardência suave. Caiu super bem. Que gostooooooso! Novamente: poderia ter mais uma pitada de sal.

(foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)

(foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)
Os bolinhos de falafel (seis na porção), iguaria originária do Egito que ganhou o mundo, eram daqueles de massa bem verde. Fritos na hora, como deve ser, estavam bons.

(foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)

(foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)
Em relação ao guefilte fish e falafel, os bolinhos são muito pequenos. Poderiam, portanto, ser maiores – até para uma melhor degustação.
Sobre os principais, a porção de varenikes, com oito unidades, estava maravilhosa. Esse, sim, é um varenike “raiz”. Bravo. Que gostooooooso!
Chegou quente à mesa. A massa é delicada, tem bom recheio e uma ótima cobertura com os pedacinhos de cebola bem fritos. Degustar os varenikes com o creme de ricota foi dez. Que gostooooooso!


Provei a torta de pupunha e o nhoque. Torta com bastante recheio e bem temperada. E massa que derretia na boca. Adorei ambos. Que gostooooooso!


Para concluir o almoço, a torta de chocolate belga com crisps de flor de sal estava simplesmente maravilhosa e ponto. É imperdível. Que gostooooooso!

Foi um almoço bom demais, ainda que os pratos precisem de pequenos reajustes. Super recomendo a nova casa.

OUTRAS OPÇÕES
O novo cardápio da Deli 325 traz ainda três opções de sanduíches. “Todos os pães são feitos na nossa cozinha”, garantiu a sócia, Rosely.
Confira: Pastrami (R$ 57; feito na casa e servido com relish de pepino e creme de ricota); Mortadela (R$ 44; montado com pasta de azeitona e tomate); e Salmão Gravlax (R$ 59; preparado com creme de dill e pepino azedo).
Durante o almoço, vi passar dois sanduíches, talvez os de salmão e pastrami. Salivei. Devem ser bons.

Há ainda folhados (de pupunha e de cogumelos e bureka de batata, todos R$ 18 a unidade); mais uma massa (fettuccine com molho de gorgonbzola e crisps de bacon, R$ 45); omelete (R$ 35); tortas de frango (R$ 20) e costela bovina na cerveja (R$ 25), caso acompanhadas com salada verde têm acréscimo; quiche (massa de couve-flor e feito com espinafre e creme de ricota, R$ 25); salada Veg Bowl (bolinhos de falafel, folhas verdes, tomate e quinoa, R$ 35); e yuch (caldo de frango à moda judaica, que pode ser servido com bolinho de matze ou kreplach ou mandalach, R$ 35).

Para beber, a Deli 325 tem café, chá, refrigerante, suco, água, vinho e cerveja artesanal. Além da torta de chocolate belga com crisps de flor de sal, a casa serve ainda como sobremesa bolo de coco e strudel de maçã (R$ 15 cada).
Vale dar uma passada na casa. Super recomendo.
SERVIÇO:
Deli 325 Delicatessen
Rua Lincoln Albuquerque, 325, Perdizes, São Paulo/SP
Tel. (11) 3628-1693
Horário: quarta a sexta, 11h às 18h; e sábado e domingo, 10h às 17h
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Amei a sua reportagem,parabéns!
Oi, Rosely! Muito obrigado!