por CLAUDIO SCHAPOCHNIK
Responsável pela produção de 50% de todo o azeite de oliva produzido no mundo, proveniente de 25% da área dos olivais no planeta, a Espanha quer vender mais o saudável e gostoso “suco da azeitona” ou o “ouro verde” aos consumidores brasileiros. Para fomentar o crescimento, a Organização Inter Profissional do Azeite de Oliva Espanhol – entidade sem fins lucrativos, constituída por todas as entidades representativas do setor – escolheu o Brasil como sede da campanha promocional em 2023.



Um almoço para jornalistas e profissionais da mídia realizado hoje (2) na Casa Manioca, o espaço de eventos do Grupo Mani da talentosa e competente chef gaúcha Helena Rizzo (leia-se Maní, Padoca do Maní e Manioca), em São Paulo, abriu oficialmente a campanha da Organização Inter Profissional do Azeite de Oliva Espanhol.
As ações, no entanto, começaram no mês passado com veiculação em programas de televisão como É de Casa e Minha Mãe Cozinha Melhor que a Sua (Globo) e MasterChef (Band).
A Cap Amazon Tropical Marketing, com sede na capital paulista, é a agência responsável pela realização da campanha que usa a marca Azeites de Oliva da Espanha da organização espanhola.


POTENCIAL DE AUMENTO
“Escolhemos o Brasil para sede de nossa promoção em 2023 porque o nosso produto é o mais premiado do mundo”, resumiu a gerente da organização, Teresa Pérez, no evento.
“A Espanha detém o maior consumo per capita de azeite de oliva do mundo, com cerca de um litro por mês; no Brasil, o consumo per capita é de 500 ml por ano. Então o mercado brasileiro tem um grande potencial de crescimento”, emendou a gerente. “Cultivamos mais de 200 espécies de oliveiras em praticamente todo o país, com concentração sobretudo na região da Andaluzia, no Sul, e temos 32 denominações de origem reconhecidas pela União Europeia.”
“A Espanha é o segundo maior vendedor do produto ao Brasil, somente atrás de Portugal. No entanto, desde 2003, as importações brasileiras da Espanha têm crescido”, ponderou Teresa.


“Diretamente da Espanha, o Brasil compra 19 mil toneladas de azeite por ano”, disse ela à reportagem do QUE GOSTOSO!. “Isso representa 17% das exportações espanholas fora da União Europeia; é o segundo posto, atrás dos Estados Unidos”, completou a gerente.
“Vendemos azeite para outros grandes produtores, como Portugal e Itália – o que denota a nossa alta qualidade. Se as empresas destes países comercializam o azeite espanhol para o Brasil, do ponto de vista comercial e contábil, o produto não é originário da Espanha.”



AÇÕES DA PROMOÇÃO
No decorrer do ano, a campanha dos Azeites de Oliva da Espanha, principalmente nos Estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, contempla happy hours, participação em feiras de gastronomia, aulas de culinária profissional em universidades como Senac e Anhembi Morumbi, seminários para importadores do setor, demonstrações e exposições em 200 pontos-de-venda nos principais supermercados do País.
Para mais informações: site oficial e as páginas no Instagram e Facebook.
DEGUSTAÇÃO COM ESPECIALISTA
Após o discurso de Teresa Pérez, houve uma interessante aula-degustação de três azeites de oliva espanhóis com a nutricionista e professora do curso de gastronomia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Isabel Kaiser. A docente também é pesquisadora do produto desde 2013.

Ao comentar o consumo de azeite pelo brasileiro (500 ml por ano por pessoa), Isabel disse que o índice já foi “muito menor; antigamente, era usado apenas nas refeições de datas especiais”.
“E por que o azeite faz bem à saúde? Porque há na composição a gordura monossaturada em abundância, que protege o coração”, explicou a professora. “Os benefícios da chamada dieta mediterrânea ajudou a chamar a atenção dos brasileiros para a importância do azeite e, a partir daí, o consumo começou a crescer”, emendou ela.
Isabel enfatizou que o azeite é o suco da azeitona e ponto final. “Caso seja colocado outro ingrediente, como alecrim, por exemplo, o produto não pode ser chamado de azeite”, disse.
A professora abordou ainda alguns mitos. “O azeite pode ser usado, sim, para fritar os alimentos. O de oliva é o que mais demora para queimar. Portanto, pode e deve ser utilizado na cozinha”, incentivou.


Ela também falou da conservação. “O ideal é consumir o azeite até dois anos da data de fabricação e manter alguns cuidados para evitar a oxidação, como manter a garrafa bem fechada após o uso e em lugar escuro.”
A degustação ocorreu com azeites de oliva extra virgens das variedades hojiblanca, picudo e arbequina com o couvert, os tapas, a entrada, os dois pratos principais e a sobremesa.
O cardápio, maravilhoso do ponto de vista gastronômico, foi assinado pela chef e proprietária do Grupo Maní, Helena Rizzo, e executado pela chef Hélia Pinheiro.


“ÓLEOTURISMO” NA ESPANHA
O QUE GOSTOSO! perguntou à gerente da Organização Inter Profissional do Azeite de Oliva Espanhol, Teresa Pérez, se o agroturismo relacionado ao produto também é desenvolvido no maior produtor do mundo.
“A Espanha possui milhares de produtores de azeite, e muitos destes recebem, sim, turistas interessados em conhecer uma propriedade, fazer uma degustação e/ou refeição e até fabricar uma nano produção exclusiva, onde o nome da pessoa estará no rótulo”, respondeu Teresa.

No Spain.info, portal oficial do Turismo da Espanha, há uma página dedicada ao que o órgão chama de “Óleoturismo”. Para acessá-la, clique aqui. O jornal madrilenho El Diario fez uma reportagem bastante interessante sobre o tema e traz vários links. Para lê-lo, clique aqui. Ambos trazem informações valiosas para planejar uma viagem com o tema dos azeites espanhóis.