Laboratório de Análises de Azeites da Embrapa é credenciado por ministério

DA EMBRAPA

Uma importante conquista para a cadeia produtiva e os consumidores de azeites foi alcançada na semana passada, por meio de assinatura da portaria do Governo Federal, que oficialmente credencia o Laboratório de Análises de Azeites da Embrapa Clima Temperado (foto acima/Paulo Lanzetta), em Pelotas. Localizado no Rio Grande do Sul, Estado que ocupa a primeira colocação na elaboração do produto, o laboratório realizará a partir de agora as análises de qualidade do azeite brasileiro ou importado, podendo ser utilizado por diversos produtores e empreendedores rurais que se dedicam a olivicultura.

A Portaria nº 95, de 29/4/2020, do Ministério da Agricultura, da Pecuária e do Abastecimento (Mapa), publicada no Diário Oficial da União, em 4 de maio, torna oficial o credenciamento do Laboratório de Análises de Azeites da Embrapa. “Não é fácil ter um laboratório de análises credenciado pelo Mapa. O processo é muito rigoroso. Foram mais de dois anos até que tudo fosse adequado aos critérios estabelecidos pelo ministério. Isso é uma conquista bastante relevante”, enfatizou o chefe-geral, Roberto Pedroso de Oliveira.

Segundo ele, com o credenciamento do Laboratório de Análises de Azeites será possível qualificar os sistemas produtivos e atestar a qualidade dos azeites disponíveis aos consumidores.

OS PRIMEIROS PASSOS DA TRAJETÓRIA PARA O CRESCIMENTO
Em maio de 2005, visitou a Embrapa Clima Temperado um grupo de profissionais ligados à Câmara de Comércio Brasil-Portugal, cujo presidente era Joaquim Firmino. A principal demanda era obter informações sobre olivicultura. Firmino relatou ter conhecimento que no Rio Grande do Sul, nas décadas de 1950 e 1960, já havia sido realizado trabalhos de pesquisa com a cultura da oliveira e gostaria de saber por que as atividades tinham sido suspensas. Após respostas e pareceres dos profissionais da Embrapa, formou-se um grupo de trabalho para tratar do assunto, tendo como coordenador o pesquisador Enilton Fick Coutinho.

A primeira ação da equipe foi solicitar apoio ao Mapa, em especial para viabilizar o intercâmbio tecnológico com técnicos e produtores de Portugal. “Em 2006, foi realizada visita técnica, com subsídios do Mapa, em regiões de Portugal cultivadas com oliveiras. Este contato com especialistas portugueses viabilizou a assessoria técnica necessária aos pesquisadores da Embrapa para retomar a trajetória de pesquisa e desenvolvimento com olivicultura na região Sul do Brasil”, contou Coutinho.

Em dezembro de 2011, por meio de Termo de Execução Descentralizada (TED) do Mapa, foi possível comprar os equipamentos do atual laboratório e, também, de um mini lagar de azeite, que auxilia no processamento de azeitonas em pequena escala.

A estrutura do Laboratório de Análises de Azeites teve as instalações concluídas há cerca de quatro anos, sendo inaugurado em 12 de dezembro de 2018, pelo presidente da Embrapa, à época, Sebastião Barbosa.

O laboratório dispõe de equipamentos analíticos sofisticados e conta com equipe qualificada na área de Química e Ciência e Tecnologia de Alimentos, para fornecer as informações necessárias para atestar a qualidade dos produtos, conforme prevê a Instrução Normativa Número 1, de 30 de janeiro de 2012, publicada pelo Mapa.

Embora tenha sido criado prioritariamente para dar suporte às pesquisas desenvolvidas pela Embrapa e instituições parceiras na área da olivicultura, com o credenciamento do laboratório, a Embrapa habilita-se a auxiliar na melhoria da qualidade do azeite de oliva consumido em todo o Brasil, por meio de análises que possibilitam a detecção de adulterações e contaminantes do produto, colaborando, com o Mapa, na fiscalização da qualidade dos azeites de oliva (nacionais e importados) comercializados no País.

O atual responsável técnico pelo Laboratório de Análises de Azeites é o pesquisador Rogério de Oliveira Jorge.

O CREDENCIAMENTO
O laboratório participa, desde a origem, de ensaios de proficiência em análise de azeite pela Rede Metrológica/RS e pelo International Bureau for Analytical Studies (BIPEA), com sede em Paris, França.

Até 2019, a estrutura do laboratório permitia a determinação, em amostras do produto, de acidez livre, índice de peróxidos, extinção específica no ultravioleta e, também, da composição de ácidos graxos e de esteróis, além de esteróis totais, teor de umidade, índice de iodo e índice de saponificação. Também tem capacidade para realizar análises de estabilidade oxidativa e teor de óleo em azeitonas.

O processo de adequação de parte do escopo do laboratório aos requisitos da Norma ISO/IEC 17.025 fez com que se obtivesse a acreditação pelo Inmetro, no último trimestre do ano passado. Por meio dessa acreditação, viabilizou-se a solicitação de credenciamento pelo Mapa, agora obtido para os ensaios de determinação de acidez livre, índice de peróxidos e extinção específica no ultravioleta.

Segundo o responsável pelo Núcleo de Desenvolvimento Institucional e do Núcleo de Garantia da Qualidade da Unidade de pesquisas, Denilson Gouvêa Anthonisen, os serviços do Laboratório de Análises de Azeites somam-se a outros já credenciados pelo Mapa oferecidos às respectivas cadeias produtivas, como é o caso dos laboratórios de Qualidade do Leite e de Análises de Sementes, localizados no município de Capão do Leão (RS), e de Fitossanidade, instalado em Canoinhas (SC), todos pertencentes à Embrapa Clima Temperado.

O QUE O CREDENCIAMENTO VAI TRAZER AO PRODUTOR E CONSUMIDOR
Para o produtor se oferta um serviço que lhe permitirá garantir a qualidade exigida para que o produto seja oferecido ao mercado. Assim, quem atesta essa qualidade é um laboratório credenciado pelo Mapa. Sem a existência de um laboratório credenciado na região Sul do País, os produtores necessitavam encaminhar suas análises para São Paulo, o que gerava despesas com logística e maior tempo de espera dos resultados. Dispondo do laboratório em Pelotas, no Rio Grande do Sul, Estado com a maior área plantada no Brasil, os olivicultores reduzirão tais custos e terão maior agilidade.

Para o consumidor, quando ele adquire um azeite com certificação de qualidade, ele tem a segurança de estar consumindo um azeite com as especificações que constam no rótulo do produto. Ou seja, reconhecido por um órgão oficial e de credibilidade.

COMO O CREDENCIAMENTO VAI INFLUENCIAR O MERCADO DE AZEITES
O presidente do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), Paulo Marchioretto, vê que o credenciamento do laboratório da Embrapa pelo Mapa dará ao produtor condições de efetuar a comercialização. “Esta análise atesta a conformidade do azeite diante da legislação e que o produto está apto ao consumo. E ainda fornece mais informações ao consumidor das características do azeite extravirgem, o que possibilita melhor compreensão pelo cliente”, diz.

Um dos objetivos do Ibraoliva é mostrar ao consumidor a qualidade do azeite nacional e as vantagens de consumir um azeite jovem, fresco, diferente daqueles importados que não tem a mesma qualidade de um produto recém-extraído. Da mesma forma, pretende-se passar informações ao consumidor que lhe permitam distinguir e reconhecer um azeite de boa qualidade dos demais, em muitos casos adulterados com a mistura de óleo de soja, canola etc. “Aliás, o Mapa tem realizado várias apreensões de azeites falsificados e/adulterados”, confirma Marchioretto.

O Ibraoliva tem registros de pomares implantados, que produzem matéria-prima para azeites com qualidade reconhecida internacionalmente, tendo o Brasil, nos últimos três anos, conquistado mais de 50 prêmios em concursos internacionais.

Como os pomares do Rio Grande do Sul ainda são jovens (a maioridade da oliveira é alcançada aos oito anos), o retorno financeiro ainda vai demorar um pouco, mas as perspectivas são animadoras. “Neste momento, com o dólar valorizado, o produto nacional consegue fazer frente ao importado”, destaca.

Paulo Marchioretto confirma que o Rio Grande do Sul possui aproximadamente 200 olivicultores e na grande maioria produtores de azeites. “Neste momento, poucos se dedicam a produção de azeitonas de mesa, mas é um mercado que tende a se expandir e receberá investimentos”, observa.

A SITUAÇÃO ATUAL
Em função de problemas climáticos ocorridos na época da floração, que ocorre em outubro, a produção de azeite no Rio Grande do Sul deverá diminuir muito em comparação com 2019. Naquele ano, o Estado produziu 180 toneladas de azeite. Para 2020, a previsão é de aproximadamente 80 toneladas.

“A quarentena afetou toda a cadeia produtiva e o comércio em geral e, certamente, afetará o mercado de azeites, porém, acreditamos que num curto espaço de tempo esse mercado se restabelecerá ante a notória qualidade do nosso produto e os efeitos benéficos para a saúde”, avalia Marchioretto.

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