Queijo artesanal do Sul obtém selo Indicação Geográfica

DA EMPRESA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA E EXTENSÃO RURAL DE SANTA CATARINA (EPAGRI)

A região produtora de queijo artesanal serrano (foto acima/Fernando Dias_Seapdr/RS), que engloba 18 municípios catarinenses e em 16 do Rio Grande do Sul, obteve reconhecimento da Indicação Geográfica (IG). No dia 3 de março passado o Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI) publicou a concessão da IG “Campos de Cima da Serra” na modalidade Denominação de Origem (DO) para o produto. Esta é a primeira IG nessa modalidade para queijos nacionais e a segunda IG interestadual do Brasil.

A IG representa reconhecimento das especificidades da região e a valorização dessas características únicas vai beneficiar os mais de dois mil produtores do queijo serrano nos dois Estados do Sul. Foi concedida em nome da Federação das Associações de Produtores de Queijo Artesanal Serrano de SC e RS (Faproqas), entidade na qual os agricultores estão organizados. Para essa conquista foi fundamental a assessoria técnica da Epagri e da Emater/RS prestada há mais de dez anos, com apoio subsidiado pelo convênio do Ministério da Agricultura, da Pecuária e do Abastecimento.

O gerente da Estação Experimental de Lages (EEL) e coordenador do grupo de trabalho para obtenção da IG, Ulisses de Arruda Córdova, destaca que a Epagri coordenou o trabalho a campo para levantamento de dados, organização e assistência aos produtores; para a sistematização, organização de dossiê e estudos e para a delimitação geográfica envolvendo os dois Estados. Esse trabalho envolveu equipes da pesquisa da EEL e da Epagri/Ciram e equipes de extensão rural de Lages e de São Joaquim.

A logomarca da IG (imagem divulgação)
O queijo artesanal serrano: história começa no século 18 (fotos Aires Mariga/Epagri)

Para a coordenadora do projeto Queijo Artesanal Serrano e extensionista de Lages, Andréia Meira, o impacto da Indicação Geográfica ultrapassa o econômico. “A região Serrana de Santa Catarina apresenta um dos menores índices de desenvolvimento humano (IDH) do Estado, e esse dado é ainda mais agravante no meio rural. A venda do queijo artesanal serrano é a principal fonte de renda de propriedades familiares e é esse recurso que vem mantendo a permanência das famílias no campo. Assim, aliada à legalização desse produto e ao fortalecimento da cadeia produtiva, a IG pode ser um diferencial para a qualidade de vida, a preservação ambiental e a valorização histórica e cultural que caracteriza o modo de ser e de viver do povo serrano”, diz ela.

Com a concessão da IG, Andréia visualiza novos desafios para o grupo, como a organização da entidade gestora e do conselho regulador que envolve os dois Estados e a implantação do caderno de normas. “É fundamental ainda o fortalecimento da cadeia produtiva, pois a maior parte dos produtores é de pecuaristas familiares que vivem da renda da produção. O investimento para legalização das unidades e a dificuldade para aumento da produção são obstáculos presentes na região. O governo do Estado, sob a coordenação da Epagri, apoiou a construção de 28 queijarias pelo programa SC Rural com investimentos acima de R$ 700 mil. As ações de capacitação e a organização dos produtores do queijo serrano continuam, com o objetivo de informar e organizar os produtores envolvidos”, salienta a extensionista.

HISTÓRIA DO SERRANO
A história do queijo artesanal serrano remonta a 1730, com o início do tropeirismo em Santa Catarina e o surgimento das primeiras propriedades rurais na Serra Catarinense. O produto reúne características únicas e o saber-fazer que atravessou o Atlântico com os portugueses.

Mais de duas mil famílias produzem esse queijo nos Estados de SC e RS, que comercializam mais de 1,6 mil tonelada por ano e obtêm um faturamento bruto de cerca de R$ 21 milhões. A produção ocorre em propriedades que se dedicam à pecuária de corte, com métodos tradicionais, mão de obra familiar e reduzido padrão tecnológico.

Queijo artesanal serrano só pode ser produzido em apenas 18 cidades de Santa Catarina e 16 do Rio Grande do Sul

O queijo é feito com leite de vacas de raças de corte ou mista alimentadas basicamente com pastagens nativas e tem maior percentual de gordura. A textura amanteigada, o aroma e o sabor que se acentuam com a maturação são algumas características que diferenciam esse queijo dos demais artesanais do Brasil. Para ser queijo artesanal serrano, é necessário ser produzido na região à qual pertence. Isso porque, além dos fatores culturais, humanos e históricos envolvidos, o clima, o solo, a altitude e a vegetação também contribuem para dar ao queijo um sabor único. Outro fator que diferencia o produto é o processo produtivo, que se caracteriza por um saber-fazer que está sendo transmitido de geração a geração por mais de dois séculos.

O produto é produzido nos seguintes municípios catarinense: Anita Garibaldi, Bocaina do Sul, Bom Jardim da Serra, Bom Retiro, Campo Belo do Sul, Capão Alto, Correa Pinto, Lages, Otacílio Costa, Painel, Palmeira, Ponte Alta, Rio Rufino, São Joaquim, São José do Cerrito, Serro Negro, Urubici e Urupema; e nas seguintes cidades gaúchas: André da Rocha, Bom Jesus, Cambará do Sul, Campestre da Serra, Capão Bonito do Sul, Caxias do Sul, Esmeralda, Ipê, Jaquirana, Lagoa Vermelha, Monte Alegre dos Campos, Muitos Capões, Pinhal da Serra, São Francisco de Paula, São José dos Ausentes e Vacaria.

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