Oba! Conheça as dicas de um expert em Gonçalves (MG)

por Claudio Schapochnik

A cidade de Gonçalves, na Serra da Mantiqueira e com cerca de 5 mil habitantes, “é praticamente um tesouro escondido”. É assim que o jornalista formado pela UFRGS (1986) e consultor da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Adrian Alexandri, de 54 anos, define o município mineiro. Para dar dicas bem bacanas desta pérola da Mantiqueira, o Que Gostoso! conversou por email com Adrian, gaúcho de São Leopoldo.

Com grande experiência no jornalismo, tendo trabalhado em vários veículos de comunicação (jornais e TV) em Porto Alegre e São Paulo – cidade onde vive há muitos anos –, o meu colega de profissão é um expert em Gonçalves. Ele começou a frequentar a cidade em 2011. A partir de 2015 passou a ter uma casa por lá.

Nesta entrevista, Adrian conta porque tem uma relação tão estreita com Gonçalves, fala sobre a magnífica natureza da Mantiqueira e, claro, dá dicas de bares e restaurantes e o que ele gosta de comer nestes lugares.

Neste ótimo bate papo, Adrian revela também algo que desconhecia: a cidade se destaca pela produção de alimentos orgânicos. “Visitar Gonçalves é obrigatoriamente conhecer a Feira dos Orgânicos no sábado pela manhã”, recomenda ele, que foi redator, entre 1988 e 1998, do extinto programa Jô Soares Onze Meia (SBT).

Segundo Adrian, “Gonçalves é um destino muito diurno, com menos atrações à noite”. E o que tem pra fazer além de desfrutar da deliciosa culinária? Há cachoeiras, trilhas e mirantes. Nas viagens e permanências no município, o fiel vira-lata do jornalista, o bonitão Zago, está sempre presente. O cão é outro grande admirador da cidade mineira.

No início do texto, a paisagem espetacular de Gonçalves; acima, Adrian Alexandri e o seu cachorro Zago na cidade mineira (fotos acervo particular/Adrian Alexandri)

Por causa da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), infelizmente, “a cidade está fechada para os turistas, algo inédito, mas necessário neste momento”, afirma Adrian, que desde 2001 tem se dedicado à comunicação corporativa – trabalhou no Anhembi (2001/2), na Embratur (2003/6) e como diretor de Comunicação da Abear (2012/19).

Meu muito obrigado ao Adrian, que pretende se dedicar ao ofício de professor “num futuro (bem) próximo”. Acompanhe abaixo a entrevista na íntegra e aproveite para planejar uma viagem a Gonçalves quando esta loucura do Covid-19 acabar. O que pretendo fazer também. Conheço o município: fui uma única vez, creio que em 2003 ou 2004. Amei! Bem, espero que você goste do bate papo a seguir.

QUE GOSTOSO! – Adrian, Gonçalves entrou na sua vida como tema de sua pós-graduação de mestrado. Em qual instituição de ensino? Por que escolheu essa cidade mineira?
Adrian Alexandri – Sou jornalista, então fiz meu mestrado em produção jornalística e mercado, na ESPM, entre 2016/18. Já frequentava Gonçalves, a cerca de 200 quilômetros de São Paulo, desde 2011. Em 2015 passei a ter uma casa na cidade, para os finais de semana e feriados. Vi que havia ali excelentes oportunidades para explorar questões ligadas à agenda pública da cidade.

QUE GOSTOSO! – Você pode falar sobre sua tese?
Adrian – Meu trabalho, defendido em março de 2018, se chama Desafio: Transformar a área rural de Gonçalves em uma cidade conectada. A proposta foi criar, em uma cidade de 5 mil habitantes, sem meios tradicionais de comunicação e com deficiências de alcance de tecnologia, uma ferramenta jornalística, que revelasse os principais problemas da região, de modo a tornar mais transparente (ou público, talvez seja a melhor palavra) o que acontece lá. Criei um site (www.goncalvesnomapa.com.br, hoje desativado), com a ideia de provocar os moradores para que produzissem matérias e imagens para o projeto.

Massa recheada com quatro queijos ao molho de tomate e manjericão, do Gastrô Massas

QUE GOSTOSO! – Antes da pós, você já conhecia e frequentava Gonçalves desde 2011. O que te chamava e chama a atenção por lá?
Adrian – Desde a primeira vez que fui, me chamou a atenção a beleza da Serra da Mantiqueira. Gonçalves é uma cidade rural e turística, com muitas cachoeiras, pousadas, bons restaurantes e agora com algumas boas cervejarias artesanais. Mas ainda tem um clima de “roça”, como muitos moradores se referem a Gonçalves. A altitude é de 1.229 metros, o que garante sempre noites muito agradáveis para dormir no verão e um frio mais intenso no inverno, claro, mas com dias ensolarados durante quase todo o ano. É praticamente um tesouro escondido.

QUE GOSTOSO! – Com idas mais frequentes e permanências mais extensas, você passou a conhecer Gonçalves mais a fundo. Como você define este município? Quais são os aspectos bacanas e os desafios?
Adrian – Entendo que Gonçalves vive o dilema de toda cidade turística: como crescer sem se desconfigurar? Participo de grupos de discussão de moradores e empresários locais e isso sempre vem à tona. Cidade cheia nos finais de semana e feriados é felicidade para o comércio, mas também risco cada vez maior de degradação. Mas é algo debatido sempre, e a luta pela preservação é muito forte. Lembrando que Gonçalves está na Área de Proteção Ambiental (APA) Fernão Dias.

Um dos pratos do Restaurante do Chiquinho (foto reprodução da página no Facebook)
O creme de pinhão, do Quinta da Bel (foto reprodução da página no Facebook)

QUE GOSTOSO! – Em relação à restauração e aos meios de hospedagens, Gonçalves têm alguns destaques na área da Serra da Mantiqueira. Como você analisa o turismo na cidade de um modo geral?
Adrian – Por estar na serra e possuir muitas cachoeiras, a cidade é frequentada durante o ano inteiro. A cidade tem uma produção de alimentos orgânicos que é exemplar. Visitar Gonçalves é obrigatoriamente conhecer a Feira dos Orgânicos no sábado pela manhã. Ali você vai encontrar muito da produção local, tudo de excelente qualidade. A cidade tem uma ótima estrutura para receber o visitante. Há agências que oferecem todo tipo de passeio (cavalgadas, esportes mais radicais, tours gastronômicos etc). Além das inúmeras pousadas, os turistas podem optar por casas como refúgio, bem no meio do mato, com toda a infraestrutura. Gonçalves é um destino muito diurno, com menos atrações à noite.

Porção de pasteis do restaurante Flor de Cerejeira (foto reprodução da página no Facebook)

QUE GOSTOSO! – Por favor, dê três dicas de restaurantes que você gosta e frequenta na cidade, os pratos que adora de cada um e os motivos.
Adrian – Ao Pé da Pedra – para mim a melhor comida mineira da cidade. Paga-se R$ 38 por pessoa em um bufê muito caprichado. Fica a uns 8 quilômetros do centro, na Terra Fria. Se o dia estiver bonito, vale sentar no enorme gramado na entrada do estabelecimento.
Serras e Quintais – restaurante orgânico da Vilma e do Juarez, no centro da cidade (saída para o Sertão do Cantagalo), tem uma comida tão saborosa que eu, gaúcho, nem sinto falta da carne. Um almoço (salada, arroz, feijão, acompanhamentos mais o prato do dia) é muito bem servido e custa R$ 30.
Detrás da Matriz – comando pelo casal Leca e Cris, é um restaurante-empório. Costuma abrir somente de sexta a domingo. Cada final de semana tem duas ou três opções de pratos, sempre privilegiando produtores locais e alimentos orgânicos. Já provei um bobó vegano e um nhoque de semolina divinos. Difícil a Leca repetir os pratos. Também tem pães feitos lá, além de queijos mineiros e cervejas artesanais.
Cito estes três lugares porque, entre outros tantos da cidade, são petfriendly. Meu vira-lata Zago, que sempre me acompanha, chega a ser servido antes de mim. Mas há outros tantos, como o Quero Quero, Gastrô Massas, Bar do Correia, Santa Massa e Jardim do Bem Dizer, pizzaria, todos fora do centro, que valem a visita.

O restaurante Ao Pé da Pedra (foto reprodução da página no Facebook)
O bufê do restaurante Ao Pé da Pedra (foto reprodução da página no Facebook)

QUE GOSTOSO! – E quais são as dicas de três bares que você gosta e frequenta na cidade, os pratos que adora de cada um e os motivos.
Adrian – Libertas Atrás do Alto – é um grande galpão, a 1,5 quilômetro do centro, onde pode-se ir beber, comer petiscos deliciosos (pastel de angu, uma delícia) e hambúrgueres e muitas vezes assistir a músicos e bandas da cidade ou da região.
Cervejaria Três Orelhas – tem uma vista linda da região. Lá pode-se experimentar, junto à fábrica, diversas cervejas artesanais. As IPAs são minhas preferidas, mas vale provar todas.
Elenco aqui outros bares onde o turista vai comer e beber bem: no centro tem o Janelas com Tramela, o Empório São Bento (serve também café e tem uma lojinha com produtos da região), o Depois do Escuro (1 quilômetro do centro) e, a 4,5 quilômetros, a Cervejaria Teresa, espaço muito agradável onde tem também brinquedos para as crianças.

O x-salada do Libertas Atrás do Morro (foto reprodução da página no Facebook)
Uma das cervejas produzidas pela 3 Orelhas (foto reprodução da página no Facebook)

QUE GOSTOSO! – Parece que em Gonçalves há pequenos produtores rurais que recebem visitantes. Poderia recomendar alguns e os motivos dessas indicações?
Adrian – Será injusto com muitos eu elencar alguns poucos. Há visitas para conhecer a produção de azeites, a criação de ovelhas e produção de queijos e iogurtes, além de sítios que plantam todo tipo de frutas e verduras orgânicas. Acredito que a cidade, nos últimos 20 anos, tenha se transformado muito, com vários agricultores que trabalhavam com a plantação tradicional mudando radicalmente suas hortas e investindo no plantio orgânico. A Feira dos Orgânicos é um ótimo início para o turista conhecer estes produtores e agendar visitas depois.

Juarez, do Serras e Quintais, prepara salada (foto reprodução da página no Facebook)
O Zago junto à mesa do Serras e Quintais

QUE GOSTOSO! – Em relação à natureza (cachoeiras, trilhas, vistas, mirantes etc), quais são os points que você recomenda a quem for visitar a cidade?
Adrian – Cachoeiras há várias: Simão, Cruzeiro, Henriques, cada uma com características diferentes, e em todas têm que se tomar cuidado, principalmente com crianças. Trilhas eu indico duas: a que fica atrás do restaurante Ao Pé da Pedra e a Pedra do Jair. Em ambas, dá pra terminar a trilha e sentar para comer e beber. Mirante indico dois: um fácil de subir, no lado esquerdo quando se entra na cidade, onde há uma cruz e consegue-se ver bem todo o centro de Gonçalves. A outra é a Pedra de São Domingos, a cerca de 2 mil metros de altitude, onde se pode avistar várias cidades, com o distrito de Monte Verde, em Camanducaia. Mas o melhor passeio, para mim, é pegar as estradas e desbravar. Gonçalves é muito extenso, então carro é fundamental. Andando pelas estradas sempre descubro um lugar diferente ou ângulo novo para apreciar a beleza da Serra da Mantiqueira.

Bolo de ricotta com calda de frutas vermelhas, do Serras e Quintais (foto reprodução da página no Facebook)
Cervejas artesanais do Detrás da Matriz (foto reprodução da página no Facebook)
Pães produzidos na Detrás da Matriz (foto reprodução da página no Facebook)
O Zago adora Gonçalves

QUE GOSTOSO! – Você disse que a cidade é para ser mais curtida durante o dia. Quais são as atrações do centro da cidade?
Adrian – Há diversas lojas de artesanato e móveis no centro, que é pequeno. Vale conhecer o Dona Terra, tudo feito em Gonçalves e na região, o Ensaboa, o Arte Zen, o Chic na Roça e as roupas e bijuterias descoladas da Rebeca Guerberoff. Se a fome apertar, há vários restaurantes, além dos que eu já citei: Paulo das Trutas, Quinta da Bel, Flor de Cerejeira e o Restaurante do Chiquinho, que tem um PF maravilhoso (de sexta a domingo, no almoço). Se quiser levar comida para casa, pronta ou para preparar, só passar no Degustare, do casal Renata e Gustavo. Há sopas, massas, molhos e pães deliciosos.

2 comentários sobre “Oba! Conheça as dicas de um expert em Gonçalves (MG)

    1. Olá, Virgínia! Como vai? Que bom que você gostou! Sim, pode usar a entrevista, dando o devido crédito ao site jornalístico Que Gostoso!, para divulgar a maravilhosa Gonçalves. Muito obrigado!

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