por CLAUDIO SCHAPOCHNIK_Santo Antônio do Pinhal/SP*
Depois de um longo hiato, numa noite fresquinha e, depois, chuvosa na Serra da Mantiqueira, fui jantar com minha esposa no Restaurante Donna Pinha.
Desta vez, em vez de pedir um prato com ingredientes típicos da Mantiqueira, aspecto bastante presente na cozinha da talentosa e criativa chef da casa, Anouk Migotto – também proprietária –, fui num clássico francês. Pedi um medalhão ao poivre vert (pimenta verde, em francês).
Minha esposa foi no caminho oposto ao meu. Ela justamente pediu um prato praticamente feito com ingredientes da Mantiqueira: a Caldeirada da Serra, que recém entrou no cardápio.


O Donna Pinha fica em Santo Antônio do Pinhal, no interior paulista e distante cerca de 2h da capital.
A agradável casa possui, digamos, um mercadinho na entrada, com produtos da região e os livros de receitas da chef Anouk. Depois abre-se um amplo salão envidraçado. Há ainda uma boa adega. O estacionamento, próprio, também é grande.
Chegamos por volta das 20h30, e várias mesas estavam ocupadas.
O COUVERT
Nosso jantar começou com um couvert interessante – o chamado Sabores da Montanha (R$ 59). Numa estrutura de ferro, estavam o filão de pão e seis opções de patês e assemelhados.
O pão, salientou o atencioso garçom, é feito no próprio restaurante. Chegou bem quente, estava saboroso e cortei em diversas fatias.


Gostei especialmente de três: tomate confit, patê de alcachofra e queijo de cabra. Porque, respectivamente, amo tomate confit e estava demais de bom; sou doido por alcachofra de qualquer forma – fora que a flor comestível é uma especialidade da chef Anouk e tema de um festival anual que ela faz há muitos anos –; e o queijo tipo boursin com aquele azeite… Show. Que gostooooooso!
OS PRINCIPAIS
O medalhão ao poivre vert (R$ 98) foi uma escolha certeira. Que gostooooooso! A cozinha francesa está no DNA da chef Anouk. De fato e de direito: seus pais nasceram na França.
O médaillon de filet au poivre vert, como os franceses o chamam, do Donna Pinha é preparado com filé mignon grelhado no azeite de oliva e flambado, servido com molho de pimenta verde e batata sautée.
Pedi o medalhão ao ponto para menos, e assim chegou: com o miolo da carne bem rosa. Estava excelente. Que gostooooooso!

O molho – como os franceses amam molho! –, com as bolinhas inteiras de pimenta verde, estava bastante bom.
A cada pedaço cortado do alto medalhão, chuchava no consistente molho. Que gostooooooso!
Para quem se preocupa com uma possível ardência, a pimenta verde do prato até que estava suave. O ingrediente não é, de forma alguma, um impeditivo para pedir este clássico francês.
Sobre a batata sautée, o prato poderia ter vindo com duas em vez de uma só.
MEMÓRIA: O DANTON
Assim que mordi uma das bolinhas de pimenta verde, uma das pastas de minha memória afetiva gastronômica foi aberta no mesmo momento.
Viajei para a década de 1980, creio que precisamente 1988. No 31 de dezembro daquele ano jantei no restaurante francês Danton. Fechada há muitos anos, o estabelecimento ficava na rua Mourato Coelho, quase esquina com a rua Cardeal Arcoverde, em Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo.
O Danton que deu nome ao restaurante paulistano refere-se a Georges Jacques Danton (1759-1794). Advogado e político francês, ele foi um dos personagens da Revolução Francesa, em 1789, e ministro da Justiça por alguns meses em 1792.

O jantar de réveillon no Danton foi a convite da querida família Ming, liderada pelo casal Maria e Celso Ming. Felipe, o mais velho dos quatro filhos do casal – os demais são Pedro, Frederico e Paulo – , era (e é) um dos meus grandes amigos.
Conheci o Felipe no então Colégio Logos, que funcionava na Avenida Rebouças, na região dos Jardins (Zona Sul de São Paulo), e daí surgiu uma grande e longeva amizade.
Então, no restaurante francês Danton, eu comi justamente o filet au poivre vert. E me marcou demais: pelo sabor maravilhoso e estar junto com os Ming.
O programão com a família Ming continuou após o jantar: fomos todos para a Avenida Paulista para ver a São Silvestre – ah, que saudades de assistir a prova à noite – e ver os fogos de artifício recebendo 1989.
Tudo isso veio em mente saboreando o prato no Donna Pinha. Que gostooooooso!
A CALDEIRADA DA SERRA
A Caldeirada da Serra (R$ 160) é o nome da receita criada pela chef Anouk Migotto para a Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança em 2025, da qual seu restaurante é membro.
Todo o ano, os membros da associação criam receitas, como a Caldeirada da Serra, e cerâmicas (pratos), pintadas à mão, que o cliente pode levar para sua casa após a degustação. É o chamado Prato da Boa Lembrança.


Segundo a chef Anouk, sua receita é feita com “alho laminado com azeite da Serra da Mantiqueira, cogumelos, filé de truta salmonada, vinho branco, molho de tomate, ervas (erva-doce, ervas finas, alecrim), alcaparras, alho-poró, tomate sem semente, cebola, ora-pro-nobis e semente de girassol, com flores comestíveis para enfeitar”.
Minha esposa adorou a receita, e eu também – provei algumas garfadas da Caldeirada da Serra. Que gostooooooso!
Gostei da variedade de vegetais, como a ora-pro-nobis e erva-doce; do tomate, protagonista, e dos cogumelos. Que gostooooooso!
ARROZ DOCE ÍMPAR
A sobremesa foi surpreendente: Arroz Doce Donna Pinha (R$ 38). A receita da chef Anouk foi premiada pela prestigiada revista Prazeres da Mesa.
O arroz doce é preparado com arroz negro da região, aromatizado com especiarias e regado com calda cítrica.
O primeiro ponto que me chamou a atenção foi na temperatura. O arroz chegou quente. Até então sempre comi o doce ou à temperatura ambiente ou frio. Adorei dessa forma. Que gostooooooso!
Outro aspecto ímpar: a utilização de arroz negro em vez do branco. Além da mudança da cor, o sabor e a textura, diferentes do branco, me agradaram demais. Que gostooooooso!


A calda de maracujá… Que surpresa gustativa! O azedinho deu uma quebrada no doce. E o bom também foi mastigar as crocantes sementes. Adoro. Que gostooooooso!
A calda aromatizada estava sensacional. Que gostooooooso!
Ai, ai, ai… Esse arroz doce da chef é imperdível.

Portanto, foi um jantar excelente nesse retorno ao Donna Pinha após um longo intervalo.
Super recomendo o restaurante.
*O QUE GOSTOSO! jantou a convite do Restaurante Donna Pinha
SERVIÇO:
Restaurante Donna Pinha
Avenida Antônio Joaquim de Oliveira, 647, Centro, Santo Antônio do Pinhal/SP
Horário: diariamente para almoço, 11h às 17h; jantar, sexta e sábado até as 23h; e domingo até as 18h
Tel. (12) 3666-2669
Cardápio
www.donnapinha.com.br
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