Broa de centeio de Curitiba conquista selo IG Foto Divulgação ASN_PR

Broa de centeio de Curitiba conquista selo IG

por AGÊNCIA SEBRAE DE NOTÍCIAS – PARANÁ

Com mais de 150 anos de história, as broas de centeio de Curitiba (PR) receberam, nesta terça-feira (14), o registro de Indicação Geográfica (IG) do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi).

O reconhecimento na modalidade de Indicação de Procedência é o primeiro concedido a um produto de panificação no País.

O registro engloba os municípios de Curitiba, Araucária, São José dos Pinhais, Almirante Tamandaré, Colombo, Pinhais e Piraquara.

A receita das broas acompanhou a formação e o desenvolvimento do Paraná e, mais especificamente, de Curitiba, com base nas origens dos imigrantes europeus.

O processo de levantamento de informações e a estruturação do pedido aconteceu no início da pandemia de covid19.

Broa de centeio de Curitiba conquista selo IG Imagem Divulgação ASN_PR
No alto, broas de centeio de Curitiba (foto/divulgação ASN/PR) e, acima, o selo elaborado para a IG (imagem/divulgação ASN/PR)

Vilson Felipe Borgmann, empreendedor e presidente do Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria no Estado do Paraná (Sipcep), destaca que o exercício possibilitou um resgate histórico e cultural do produto.

“Vemos que esse processo foi e seguirá sendo importante para o setor de panificação. Hoje, podemos dizer que temos registros e sabemos a origem das broas de centeio de Curitiba. Está em andamento um pedido para que o produto se torne um Patrimônio Cultural de Curitiba, além de também estar planejada a criação de um roteiro gastronômico com padarias locais. Agora, aliado a um trabalho de capacitação com negócios locais, o consumidor terá o conhecimento de que está consumindo um bom produto e que segue as receitas tradicionais”, comenta Borgmann.

A consultora do Sebrae/PR, Maria Isabel Rosa Guimarães, aponta ainda para o potencial de Curitiba e região, com um grande potencial consumidor e destaque em diferentes áreas, como gastronomia e turismo.

“A broa de centeio é a menina dos olhos, pois agrega e valoriza a história. Esse reconhecimento vem em um momento onde também está sendo buscado o selo de IG para a ´carne de onça´ de Curitiba, pratos que tradicionalmente andam em conjunto. Além disso, estamos realizando um trabalho junto das panificadoras e cafeterias que vem desde 2019 para envolver e incentivar o uso desse e de demais produtos de Indicação Geográfica que temos espalhados pelo Paraná”, conta Maria Isabel.

COMO É PRODUZIDO?
A broa é um pão obtido por meio da combinação de farinhas de centeio e trigo, com a adição de água e sal, resultado do processo de fermentação e cocção, podendo ter outros ingredientes como açúcares, gorduras e fermento biológico.

O produto passou de um alimento simples e hoje é um patrimônio da capital paranaense. Há registros de que foi oferecido a visitantes ilustres como o imperador Dom Pedro 2°, no século 19, e ao papa João Paulo 2°.

Mesmo sendo um produto tradicional, as broas de centeio de Curitiba passaram por transformações. Durante mais de um século e meio, as receitas e os processos de produção se adaptaram à disponibilidade de farinhas, fermentos, às alterações nos processos de produção de pão, à legislação e às demandas dos consumidores.

“O produto também ganhou, ao longo dos anos, relevância cultural e econômica, ocupando um espaço de destaque na identidade gastronômica e no imaginário coletivo da cidade, aspectos que contribuíram para a concessão da IG”, destaca a divulgação do Inpi.

INDICAÇÕES GEOGRÁFICAS
As Indicações Geográficas (IG) são ferramentas coletivas de valorização de produtos tradicionais vinculados a determinados territórios. Possuem duas funções principais: agregar valor ao produto e proteger a região produtora.

O sistema de Indicações Geográficas promove os produtos e a herança histórico-cultural, que é intransferível. Essa herança abrange vários aspectos relevantes: área de produção definida, tipicidade, autenticidade com que os produtos são desenvolvidos e a disciplina quanto ao método de produção, garantindo um padrão de qualidade. Tudo isso confere uma notoriedade exclusiva aos produtores da área delimitada.

A coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro do Sebrae, Hulda Giesbrecht, diz que as IGs são uma forma de ter mais valor agregado, além de promover a geração de empregos nas localidades.

“As Indicações Geográficas têm um papel de fortalecer a reputação e promover a abertura de novos mercados para os produtos das regiões reconhecidas, o que passa a acontecer com as broas de centeio de Curitiba. Os pequenos negócios de panificação da região serão protagonistas na proteção desse patrimônio e na garantia da qualidade de um produto tradicional com possibilidades de maior retorno para todos os envolvidos na produção e comercialização”, comenta ela.

NO PARANÁ
Atualmente, no Estado do Paraná, há 15 Indicações Geográficas reconhecidas pelo Inpi: cachaça e aguardente de Morretes; melado de Capanema; mel de Ortigueira; cafés especiais do Norte Pioneiro; morango do Norte Pioneiro; vinhos de Bituruna; goiaba de Carlópolis; mel do Oeste do Paraná; barreado do Litoral do Paraná; queijos coloniais de Witmarsum; bala de banana de Antonina; erva-mate São Matheus; camomila de Mandirituba; uvas finas de Marialva e, agora, as broas de centeio de Curitiba.

Além destas, há uma IG concedida para Santa Catarina, que também envolve municípios do Paraná e Rio Grande do Sul, que é o mel de melato da Bracatinga do Planalto Sul.

Outros produtos estão em busca do registro e possuem pedidos depositados no Inpi: tortas de Carambeí; mel de Prudentópolis; urucum de Paranacity; queijos do Sudoeste do Paraná; cracóvia de Prudentópolis; ´carne de onça´ de Curitiba; café de Mandaguari; ponkan de Cerro Azul; ovinos e caprinos da Cantuquiriguaçu; ginseng de Querência do Norte; e ostras do Cabaraquara.

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