Pesquisadora dá dicas para evitar compra azeite fraudado

Confira dicas para evitar compra de azeite fraudado

DA SECRETARIA DE AGRICULTURA E ABASTECIMENTO DO ESTADO DE SÃO PAULO

As prateleiras dos supermercados estão sempre abastecidas de azeites (foto ilustrativa acima/Steve Buissinne/Pixabay) de várias nacionalidades e de diversos preços. Apesar de a maioria deles ser classificada na embalagem como “extravirgem”, isso nem sempre é verdade. A fraude de azeite é um problema mundial e uma das formas mais eficazes de saber se o produto que se está comprando tem boa qualidade, é experimentando. Mas como se degusta azeite?

A pesquisadora da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Edna Ivani Bertoncini, que atua na Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), ensina os consumidores a fazer a degustação em casa, de forma simples, para identificar se o azeite adquirido pode ser mesmo classificado como extravirgem e possui boa qualidade.

A explicação foi dada em uma live sobre azeite de oliva realizada pelo SP Gastronomia, da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, em 21 de julho, por meio do programa #CulturaEmCasa. O evento online contou também com a participação da sommelier de azeites, Patrícia Galasini, que coordena a Expo Azeite, uma feira internacional do produto.

Uma boa dica dada pelas especialistas é comprar azeites de boa qualidade e os produtos paulistas são excelentes neste quesito. Apesar de a produção de azeite em São Paulo ainda ser baixa – cerca de 50 mil litros por ano –, a qualidade dos rótulos é bastante alta, sendo alguns premiados em concursos nacionais e internacionais na Itália, nos Estados Unidos, na Inglaterra e nos dois concursos internacionais realizados no Brasil, em 2019.

“São Paulo produz oliveiras em cerca de 600 hectares e toda a produção é concentrada em altitudes acima de 900 metros, por conta do frio necessário para o florescimento da planta. Percebemos, porém, um interesse grande dos produtores em iniciar o plantio. Cerca de dez a 15 produtores entram na atividade por ano”, conta a pesquisadora Edna.

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo mantém um grupo de 23 cientistas para estudar e desenvolver tecnologias para a produção de azeitonas em território paulista. Chamado de Oliva SP, o grupo foi instituído em 2009 e tem auxiliado com tecnologia e assistência técnica produtores paulistas e de outros Estados brasileiros.

Extração de azeite de oliva (foto Ulrike Leone/Pixabay)

DICAS PARA COMPRAR E ARMAZENAR

1) Compre azeites envasados em embalagens bem escuras. A luz é um dos fatores que prejudicam a qualidade dos azeites;
2) Produtos envasados em embalagens de metal (lata) podem ser uma boa opção, mas as latas não podem estar batidas;
3) Verifique se os produtos estão expostos no supermercado em locais frescos e sem a incidência direta de luz;
4) Analisar o índice de acidez não ajuda muito na compra do azeite, isso porque o produto é analisado no momento do envase e na logística de transporte até chegar à mesa do consumidor os índices de acidez podem não ser aquele expresso na embalagem;
5) Opte por produtos com data de envase mais recente e só consuma azeites dentro do prazo de validade. A pesquisadora da Apta ressalta, porém, que a data de envase do azeite nem sempre corresponde ao dia em que ele foi extraído. É sabido que algumas empresas demoram muito a fazer o envase após a colheita das azeitonas
6) Prefira comprar embalagens menores do produto, assim é possível consumi-lo de forma mais rápida e dentro do prazo de validade
7) Desconfie de produtos muito baratos. Um litro de azeite extravirgem produzido na Europa custa de seis a dez euros, ou seja, de R$ 30 a R$ 50, isso sem as taxas de importação e lucro do importador e revendedor. Produtos importados da Europa e vendidos no Brasil com preço abaixo disso, podem não ter a qualidade esperada. Os azeites da América do Sul podem chegar a preços menores no mercado brasileiro, em função da redução de impostos para o Mercosul;
8) Observe o rótulo. Evite comprar azeites que foram produzidos e envasados em locais diferentes. Apenas a informação do local de envase não é suficiente para identificar a procedência do produto;
9) Caso tenha comprado um azeite e o produto apresentar os defeitos citados acima em intensidade perceptíveis e não ter as qualidades de frutado verde ou maduro e na embalagem estiver escrito extravirgem não compre mais esta marca. Denuncie o produto e o seu lote para o supermercado, Procon e Ministério da Agricultura, da Pecuária e do Abastecimento. Assim estará contribuindo para a seleção de bons azeites no mercado brasileiro
9) Não adianta comprar um bom produto e armazená-lo de forma incorreta. O melhor azeite do mundo ficará rançoso um dia, e se mal conservado esse dia será breve. Deixe o azeite sempre longe de locais quentes. Opte por guardá-lo em armários frescos e longe da luz, e sempre as embalagens tampadas. Luz, calor e presença de oxigênio são inimigos da qualidade de azeites. A temperatura correta de armazenagem é menor de 15 ºC a 18ºC;
10) Não guarde o produto destampado

Oliveira carregada: pesquisadora da Apta destaca produção paulista de azeite de oliva (foto Vesna Harni/Pixabay)

ANÁLISE SENSORIAL
Para fazer a análise sensorial, é necessário um copo de café descartável e cerca de 15 ml de azeite. Siga os passos abaixo:

1) Coloque o azeite no copo de café descartável; 2) Incline o copinho e o feche com as mãos; 3) Esquente o copo girando-o na palma das mãos por cerca de 20 segundos. O objetivo é esquentar o azeite. Nas degustações profissionais, o azeite deve estar a uma temperatura de 27º C para ser analisado; 4) Cheire o azeite. A azeitona é uma fruta, e o azeite é o seu suco. Por isso, o cheiro do azeite deve ser frutado, de fruta verde (grama cortada, folha macerada, maçã verde e amêndoa verde) ou madura (banana e maçã madura). Esses são cheiros que devem ser obrigatoriamente encontrados em azeites extravirgens; 5) Se identificar cheiro de ranço, ou seja, de óleo de fritura muito usado e manteiga estragada ou odor de aquecimento, que é um cheiro de azeitona em conserva, ou ainda odor de vinagre, significa que houve problemas na conservação do azeite e/ou no processo de pós-colheita das azeitonas. Saiba que estes são defeitos e que não deveriam ser encontrados em um azeite extravirgem; 6) Se o azeite tiver uma intensidade de frutado e não apresentar defeitos, pode ser classificado como extravirgem. Se tiver frutado e tiver defeitos, ele cai para a categoria de azeite virgem de oliva. Se não tiver frutado e tiver defeitos com intensidade muito alta, é classificado como azeite lampante e não deve ser consumido; 7) Coloque na boca uma pequena quantidade do azeite; 8) Rode o produto pela cavidade bucal; e 9) Trave os dentes e faça um movimento de sucção. Ao fazer esse processo, você vai poder sentir o amargo nas laterais da língua e o picante com picadinhas em cima da língua e na garganta. Quanto mais amargo e picante for um azeite, maior sua quantidade em polifenóis e mais benefícios ele traz para sua saúde.

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