As dicas e curiosidades do dia-a-dia do vinho

por Lucia Grimaldi*

Olá, caros internautas apaixonados por vinho! Recebi algumas mensagens com dúvidas e curiosidades de pessoas que estão iniciando (ou já transitando) no mundo dos vinhos. Esta matéria é para vocês.

Antes de mais nada, é preciso entender que o prazer de apreciar um vinho está ao alcance de qualquer um. Apesar da aura de glamour que envolve o vinho, os rituais de degustação, as taças, os acessórios, a temperatura, a harmonização com a comida, entre outras coisas, nada mais são do que elementos para enriquecer esta experiência. E, sim, estão acessíveis a todos que queiram vivenciar esta experiência.

Para começar, use os sentidos para aproveitar melhor o vinho. Olhe para a taça, veja as cores, as tonalidades da bebida, o perlage. Depois cheire e sinta os aromas que emanam da taça. Grande parte do prazer do vinho está em seus aromas. É por isso que giramos o vinho na taça: para liberar seus aromas e senti-los, antes dos seus sabores. Feche os olhos e aproveite esta experiência de múltiplos sentidos.

A colunista da seção Saúde!, do Que Gostoso!, Lucia Grimaldi (foto divulgação)

Quero que tenhamos em mente duas premissas: desmistificar o vinho não significa vulgarizá-lo. Quero dizer, por exemplo, que não é legal tomá-lo em um copo plástico ou colocar gelo se estiver quente, a menos que seja um estilo ice edition, elaborado para ser bebido com pedras de gelo. Frescura? De modo algum! Apenas estaremos desperdiçando qualidades essenciais para os grandes prazeres que esta bebida fascinante nos proporcionaria.

A outra premissa é muito simples: vinho bom é aquele que você gosta e que pode comprar com frequência. Não adianta muito se apaixonar obcecadamente por um vinho difícil de comprar, esgotado para venda, ou que custe o preço um Iphone, por exemplo.

Falarei um pouco sobre alguns pequenos (e simples!) detalhes que, longe de serem frescura, podem enriquecer o prazer da sua experiência enófila. E para não ficar um texto “enochato”, algumas curiosidades deste delicioso mundo do vinho.

TAÇAS PARA VINHO
As taças têm diversos tamanhos e formatos com o objetivo de realçar as características próprias de cada vinho. Confira abaixo:

As taças (da esquerda para a direita): Flute, Bordeaux, Borgonha, taça para vinhos brancos e rosés e taça para vinhos fortificados (fotos Lucia Grimaldi)

Taça Flute – ideal para espumantes, pois o formato alongado faz com que as bolhas, ou o perlage, se direcionem mais lentamente para a borda, potencializando os aromas do vinho

Taça Bourdeaux – a maior de todas, possui bojo grande e borda mais fechada, concentrando, assim, os aromas. É muito usada para vinhos tintos mais encorpados e com taninos marcantes, como os elaborados pelas uvas cabernet sauvingnon, syrah, merlot e tannat

Taça Borgonha – também para vinhos tintos, mas para aqueles com maior complexidade e riqueza de aromas, como os italianos Amarone, Nebbiolo e o clássico bongonhês Pinot Noir. Tem o bojo mais alargado que a taça Bourdeaux, permitindo ao vinho uma área maior de contato com o ar, o que proporciona uma maior liberação dos aromas e sabores

Taça para vinhos brancos e rosés – são menores que as taças usadas para os vinhos tintos, a fim de concentrar mais as características frutadas e, principalmente, manter a temperatura mais baixa, devido ao menor volume em taça

Taça para vinhos fortificados, como o Vinho do Porto – são pequenas, pois o teor alcóolico deste estilo de vinho é muito alto e a quantidade em taça deve ser, portanto, reduzida, embora garantindo que possamos girá-lo para liberar os aromas

POR QUE DECANTAR O VINHO?
Há muitos modelos de decantador ou decanter – nome mais comum –, sendo que alguns deles são verdadeiras obras de decoração. Mas qual é a função? Alguns bons vinhos tintos como os Porto Vintage, por exemplo, durante o processo de envelhecimento formam um depósito no fundo da garrafa. Isto é absolutamente normal, mas significa que o vinho precisa ser decantado, a fim que estas partículas, que incomodam muita gente, não vão para a taça. Além disso, alguns vinhos de qualidade superior, quando são muito jovens e tem os taninos ainda muito adstringentes (com aquele gosto de “banana verde”), pois o tempo na garrafa não foi suficiente para suavizá-los, podem ser muito beneficiados pelo arejamento que uns 30 minutinhos no decanter proporcionam, além de terem realçados os aromas frutados e florais.

Estes modelos mais comuns são encontrados em todos os home center, como a Ferreira Costa
Mas há verdadeiras obras de arte, como as acima, à venda na Spicy

Na falta de um decanter, experimente um aerador portátil para o vinho. Adaptado na boca da garrafa, produz o arejamento do vinho à medida que a bebida é colocada na taça. Prático, rápido e estiloso, além de caber na bolsa!

O Wine aerator da marca Vacu Vin…
.., à venda na Etna

TEMPERATURA IDEAL
Como já foi tema de outra matéria, a temperatura influencia muito nos sabores e aromas do vinho. Para exemplificar: um vinho tinto muito gelado parecerá muito áspero e “duro” na boca; por outro lado, se estiver quente perde o frescor e fica difícil identificar os sabores e aromas. Também é muito comum ouvir que os vinhos brancos e espumantes são bebidos gelados e o vinhos tintos, em temperatura ambiente. No caso dos tintos, isto só funciona em climas temperados, quando a temperatura ambiente está em torno dos 17° C, o que não é o caso dos países tropicais, como o Brasil.

Para facilitar, segue uma tabelinha com a temperatura média ideal para potencializar a experiência de degustar os diferentes estilos de vinho, com alguns exemplos:

Vinhos espumantes, como champagne e prosecco: 6° a 7°C
Vinhos brancos leves, como sauvignon blanc e pinot grigio: 8°C
Vinhos brancos mais encorpados, como chardonnay: 11° a 12°C
Vinhos rosés: 11°C
Vinhos tintos leves, como Beaujolais e pinot noir: 13°C
Vinhos tintos encorpados, como carbernet sauvignon e tannat: 16° a 17°C
Vinhos doces e fortificados, como o Sauternes e o Porto: 7ºC

Além dos termômetros comuns, em forma de T, que são colocados na boca da garrafa, com a ponta da haste para baixo, em contato com o vinho para aferir a temperatura, o que tem a forma de cinta é prático e rápido.

Termômetro em cinta, de aço inox, mostra as temperaturas ideais para cada estilo de vinho. À venda na Americanas

Para resfriar uma garrafa de vinho, o balde de gelo é a solução mais prática e acessível. Deve-se enchê-lo até ¾ da capacidade com uma mistura de água e gelo em partes iguais. Assim, a água fica gelada e envolverá totalmente a garrafa, facilitando o resfriamento, o que aconteceria muito lentamente se fosse imersa somente em gelo. Dez minutos para os vinhos brancos e três minutos para os tintos é o suficiente.

Outra opção são os coolers. Geralmente são de plástico ou acrílico por fora e por dentro tem uma bolsa de gel térmico adaptável, que deve ser levada ao congelador por cerca de seis horas antes de uso. Depois é só retirá-la e adaptá-la no interior do cooler, de forma que ela envolva a garrafa de vinho.

Active cooler da marca Vacu Vin, à venda na Etna

VINHO EM CAIXA E EM LATINHA?
Tradicionalmente, estamos habituados aos vinhos vendidos em garrafas de vidro, as preferidas pelos consumidores. Mas é importante saber que atualmente, os vinhos também são vendidos em garrafas plásticas, em caixas estilo bag in box e até em latinhas. A escolha do tipo de acondicionamento leva em conta principalmente fatores relacionados ao estilo do vinho, ao volume de transporte, à durabilidade da embalagem e ao custo e, não menos importante, ao fato de o consumo ser imediato ou após um tempo de envelhecimento em garrafa. Neste último caso, as garrafas de vidro são essenciais, pois são inertes, ou seja, não interferem nos sabores da bebida e impedem que o ar entre em contato com o vinho, o que poderia reduzir muito a sua qualidade.

Vinho Casa Perini Bag in Box Arbo Merlot, contendo três litros de vinho e prática torneirinha acoplada. À venda na Americanas (foto baixada do site da empresa)
Vinho tinto seco australiano, à venda na Barokes

Apesar da resistência de muitos consumidores, a praticidade das embalagens bag in box e em latinha é inegável, principalmente em se tratando de vinhos jovens, ou seja, que serão degustados pouco tempo após o “engarrafamento”.

TIPOS DE VEDANTES
Da mesma forma que há diversas embalagens, além da tradicional garrafa de vidro, há também diversos tipos de vedantes, além da tradicional rolha de cortiça.

Da esquerda para a direita, em pares: rolhas de cortiça para vinho tranquilo, rolhas de cortiça para vinho espumante, rolhas sintéticas para vinho tranquilo, tampas de rosca (screw caps) e rolhas encapsuladas usadas em vinhos fortificados, como o vinho do Porto.Só para lembrar: vinhos tranquilos são aqueles que não tem perlage, ou seja, não são espumantes

Mas qual é a importância do vedante? Além de objeto de coleção para muitos, o vedante utilizado reflete uma opção de vinificação. Calma, pois vou explicar…

Alguns vedantes, como a rolha de cortiça, permitem que mínimas quantidades de oxigênio entrem em contato com o vinho durante o período de envelhecimento, resultando numa evolução positiva de sabores além daqueles frutados originais. Por outro lado, o produtor pode desejar que o vinho retenha os sabores de fruta fresca por mais tempo, podendo optar pelas rolhas sintéticas e screw caps.


Rolhas sintética (no alto) e de cortiça, ambas para vinhos tranquilos. Observem o capricho dos detalhes: desenhos dos mapas e paisagens das regiões vinícolas
Rolha de cortiça para vinho espumante: inicialmente, estas rolhas são cilíndricas, como as dos vinhos tranquilos, mas com um diâmetro bem maior. Então, para manter a vedação, são bastante comprimidas e inseridas no gargalo na garrafa, adquirindo esta forma de um cogumelo. Por medida de segurança, uma gaiola de arame chamada muselet mantém a rolha no lugar certo

Há também belíssimas rolhas de vidro, totalmente inertes e garantem uma boa vedação graças à presença de um anel de silicone. Assim com as screw caps, são mais usadas em vinhos jovens.

Rolhas de vidro: as minhas preferidas! Parecem peças de decoração em cristal

O QUE FAZER COM O VINHO QUE SOBROU NA GARRAFA?
Esta é uma questão difícil de responder, pois é difícil sobrar vinho na garrafa: lugar de vinho é na taça! E vinho é como carro zero quando sai da concessionária: saiu da garrafa, perde muito o seu valor. Brincadeiras à parte, o que fazer quando nem todo o vinho da garrafa foi bebido?

O ideal é não guardá-lo por muito tempo. Feche a garrafa novamente com o vedante e guarde na geladeira ou na adega por poucos dias, para que a bebida não perca a intensidade aromática. Hoje em dia há no mercado alguns artefatos baratos que podem preservar ainda mais o vinho, como o sistema de vácuo, que é uma espécie de bombinha que você acopla numa rolha especial e retira o oxigênio da garrafa. Muito prática e eficiente!

Bombinha de vácuo com duas rolhas especiais. Este modelo foi um presente, mas há similares nas melhores lojas de departamentos, como a Magazineluiza, e lojas de vinhos, como a Ingá Vinhos

Bem, caríssimos internautas, como eu sempre digo: este espaço é nosso! Seja curioso, curta, opine e sugira temas para nossa coluna no espaço para comentários, após o texto. Agora você também pode compartilhar por WhastApp e seguir o site Que Gostoso!: cadastre seu e-mail.

Assim como tomar uma taça de vinho, é sempre um grande prazer trocar experiências e ideias com outros amantes desta bebida fascinante!

Um brinde!

*Lucia Grimaldi, colunista do Que Gostoso!, é graduada e pós-graduada em fonoaudiologia e direito e possui a certificação internacional Wine & Spirit Education Trust (WSET) nível 2. Contatos: grimaldipervino@gmail.com e o instagram @grimaldipervino

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