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Luberon (FR): Cucuron atrai com graça e biquinho

por CLAUDIO SCHAPOCHNIK_Cucuron, Luberon/FRANÇA*

A língua francesa, um dos idiomas mais lindos no meu ranking de vernáculos, está presente na minha vida desde muito cedo – ainda que não seja fluente.

Ao escrever sobre o vilarejo de Cucuron, região de Luberon – liberrôn, na pronúncia francesa –, na Provence-Alpes-Côte d´Azur localizada no Sudeste da França, algumas memórias afetivas surgiram devido à pronúncia do u no francês.

O u tem som de i com mais algum tempero próprio.

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No alto, Torre da Cidadela e trecho de muralha em Cucuron e, acima, vista do centrinho do vilarejo desde o mirante junto à torre (fotos Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)
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Trecho da muralha da época medieval (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)

BIQUINHO FRANCÊS
“Pra falar francês correto, bonito, você tem de fazer biquinho [com os lábios para frente]”, ouvi essa frase em algum momento, décadas atrás, quando criança ou adolescente. Isso é fato.

E aí chego numa cidadezinha de Luberon com minha esposa, Mirella, a bordo de um Citroën da década de 1980 da empresa Oh my Deuche, guiado pelo motorista gente boa Laurent, cujo nome pede um duplo biquinho!

Cu-cu-ron…

Que gostooooooso! Quel délice!

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Localização da região, em vermelho, no mapa da França e a bandeira do país europeu (mapa/Google Maps)
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Limite do município de Cucuron e o brasão de armas da cidade (mapa/Google Maps)

LÍNGUA FRANCESA
Estudei francês no curso ginasial, na Escola Estadual de Primeiro e Segundos Graus “Padre Manoel de Nóbrega”, apelidado de Matão, no bairro da Casa Verde, Zona Norte de São Paulo.

Depois estudei Francês Instrumental no curso de jornalismo, na PUC-SP.

No seio familiar, recordo, com bastante carinho, do casal francês – creio que de Paris –, Ernesto e Fanny. Eles eram, respectivamente, sogro e sogra de um de meus primos, Gerson, casado à época com Simone, também francesa.

Ernesto, Fanny e Gerson faleceram há muitos anos.

No alto, porta de casa com azulejo que retrata um burro branco (fotos Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)

Minha família frequentava o apartamento do casal, no bairro do Bom Retiro, região central da capital paulista. Era criança. Nas visitas, brincava com meus primos Claudia e Alexandre, filhos do casal Gerson e Simone, portanto netos de Ernesto e Fanny. Passei algumas festas judaicas por lá também. O ambiente era sempre dos melhores.

Quando ouvia Ernesto, que muitas vezes falava com o charuto na boca, ou a Fanny, que todos chamavam carinhosamente de Fifinha, falarem constatava meu entendimento mas, ao mesmo tempo, ficava intrigado com aquele português falado com um forte sotaque – francês.

Dito isso, ou melhor, escrito isso, nesse preâmbulo pessoal, dá para entender porque adorei demais Cucuron e, mais ainda, falar o nome da cidadezinha com o biquinho duplo da língua francesa.

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Adereço na Fonte do Obelisco, do século 19, na Praça Maurice Taron (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)
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Vista da montanha de Luberon desde Cucuron (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)

CIDADE ERA MURADA
A primeira menção de Cucuron é do início do século 11, de 1004. A informação é de Pierre Guernier, francês de Nancy, num artigo hiper detalhado que leva sua assinatura no seu excelente blog French Moments.

Desde o início, a cidade nasceu e se desenvolveu ao longo dos primeiros séculos dentro dos limites de uma muralha. Com o crescimento da população e do comércio, se expandiu fora dos muros.

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Estátua da Virgem com o Menino, que mede 1,42 metro, instalada em um dos prédios do centro de Cucuron (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)

Cucuron passou pelo controle de algumas famílias proeminentes da Provence, sofreu e sobreviveu com a peste, as Guerras Religiosas e a Revolução de 1789.

Atualmente, com menos de 2.000 habitantes (2022), Cucuron mostra ter no turismo um vigoroso alicerce financeiro.

RUAS CHARMOSAS
Visitei a cidade no final de uma manhã bastante quente e ensolarada, em plena terça-feira, dia 17 de junho de 2025.

Comecei pela Torre da Cidadela, erguida no século 16, junto à então muralha. Por falar em muralha, Cucuron tem aqui e acolá trechos dessas construções, mas nenhum trecho de longa extensão.

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Torre da Cidadela com trecho de muralha e a placa de informação turística (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)
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Porta de casa com figura do galo (coq, em francês), super ícone francês (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)

Junto à torre, meus olhos alcançaram o centrinho de Cucuron, tão belo quanto os demais vilarejos de Luberon. Por lá ocorre ainda a mesma predominância de cores: o ocre, das edificações, e o verde escuro, das árvores.

Dois prédios se destacam pela altura: a Torre do Relógio, cujo mecanismo do tempo foi instalado em 1541; e a Igreja de Nossa Senhora de Beaulieu, do final do século 13.

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No alto, fachada e interior da Igreja de Nossa Senhora de Beaulieu e, acima, a Torre do Relógio com o campanário (fotos Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)

Depois, caminhei pelas ruas estreitas e charmosas, vendo as floreiras e os adereços nas fachadas das casas até chegar ao Portal d´Étang, do século 16. Lá parece ser o centro nervoso da atual Cucuron.

Havia muitos turistas, mas sem comparação a Gordes – talvez o cartão-postal de Luberon – e Lourmarin.

O portal fica pertinho do Bassin d´Étang. Trata-se de um antigo reservatório de água usado para mover um então moinho de farinha, instalado em 1403.

Sem dúvida, é o lugar mais fresco de Cucuron. Motivo: as frondosas árvores plantadas pela municipalidade junto ao formato retangular do reservatório.

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Trecho do Bassin d´Étang, ponto mais movimentado da cidade (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)
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Fachada do prédio do restaurante La Petite Maison de Cucuron, do chef Eric Sapet (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)

No entorno do reservatório que ocorre a feira semanal de Cucuron, que contarei no próximo texto dessa série especial sobre Luberon.

Foi uma sorte danada visitar a cidade no dia da feira. Que gostooooooso! Quel délice!

Meu passeio por Cucuron foi curto, mas o suficiente para ficar fã do vilarejo. Se tivesse de escolher um lugar para passar 15 dias em Luberon, como um morador da região, escolheria, sim, Cucuron.

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O autor do texto junto à placa: adorei demais Cucuron (foto Mirella/Que Gostoso!)

*O QUE GOSTOSO! viajou em Luberon com apoio do Destination Luberon, representado no Brasil pela CC Hotels, e seguro de viagem Intermac

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