DA AGÊNCIA MINAS
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, anunciou no mês passado, no município de Pedra Azul, no Vale do Jequitinhonha, o Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade do Queijo Cabacinha. Produzida há cerca de 80 anos, a iguaria tradicional da região, que é Patrimônio Cultural e Imaterial do Estado, passa a ter regulamento próprio.
A medida do governo mineiro, por meio da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa), vai beneficiar 160 produtores, que agora poderão vender formalmente esse típico queijo artesanal mineiro, abrindo novos horizontes de desenvolvimento e reconhecimento.

“A regulamentação significa valorização desse produto que faz parte da cultura de toda a região. O que nós pretendemos é valorizar aquilo que é a tradição de Minas, que é a produção de queijo, e o Cabacinha, até pelo formato, pelo sabor, é um dos mais diferenciados entre os produzidos aqui”, ressaltou o governador Zema.
“O Queijo Cabacinha é o 15º que tem essa caracterização em Minas Gerais. No meu governo, nós já mais dobramos esse número, que era de sete no início. Queremos que o Brasil e o mundo venham comprar esses queijos, que são sem igual”, concluiu o governador.

BENEFÍCIOS
A Portaria n° 2.377 do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), que detalha a regulamentação, foi embasada pela pesquisa coordenada pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), em parceria com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG), a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e o Instituto Federal do Norte de Minas (IFNMG), com recursos de emenda parlamentar.
“Sem um regulamento próprio, era impossível aos produtores habilitar suas queijarias em qualquer sistema oficial de inspeção. Estamos dando mais um passo na valorização dos queijos artesanais de Minas e estimulando a geração de empregos e renda”, explica o secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas, Thales Fernandes.

QUEIJO CABACINHA
A região caracterizada como produtora do Queijo Cabacinha abrange os municípios de Cachoeira do Pajeú, Comercinho, Divisópolis, Itaobim, Jequitinhonha, Joaíma, Medina, Pedra Azul e Ponto dos Volantes.
A produção anual está em torno de 214 toneladas, com presença significativa da agricultura familiar, que responde por mais de 90% das queijarias.
O queijo, de herança cultural italiana do caciocavallo, é produzido artesanalmente a partir de leite cru, coalho e soro-fermento lácteo, sendo a massa pré-cozida e moldada manualmente no formato de cabaça, fruto da cabaceira.

PRODUTORES COMEMORAM
Em Pedra Azul, o casal Renato e Adriana Rocha trabalha exclusivamente com esse queijo, a partir da tradição familiar de Adriana. Renato acreditou no negócio, deixou o emprego anterior e eles arregaçaram as mangas e investiram na atividade.
Adriana e Renato construíram a queijaria na propriedade do casal e hoje produzem em torno de 20 queijos por dia.

Renato Rocha comemora a regulamentação do sustento da família. “O Queijo Cabacinha está tendo uma visibilidade que nunca teve. Agora, podemos vender nosso queijo para qualquer local, sem o risco de perder. Além disso, vamos poder participar dos diversos concursos”, disse.
Em 2023, o Governo do Estado declarou o Queijo Cabacinha do Vale do Jequitinhonha como Patrimônio Cultural e Imaterial de Minas Gerais, por meio da Lei n° 24.379. Em 2014, a região foi reconhecida pela produção do queijo artesanal Cabacinha, por meio da Portaria do IMA n° 1.403.