por CLAUDIO SCHAPOCHNIK
O Ministério do Turismo de Israel se prepara, com investimentos em infraestrutura, capacitação das pessoas que trabalham no segmento e promoção, para a retomada vigorosa do retorno dos turistas internacionais ao país do Oriente Médio.
Essa foi a principal mensagem (entusiasmada) passada pelo diretor e representante para Espanha e América Latina do ministério, Yosef Penhos, aos agentes de viagens e operadores de turismo – os profissionais que, de fato, “vendem” o destino – no workshop Israel 4U.
Realizado pelo escritório brasileiro do ministério, com sede em São Paulo e liderado pelo diretor Paulo Barbosa, o evento foi realizado hoje (14/10) no Teatro Anne Frank, no clube A Hebraica, na Zona Sul da cidade.
“A meta do ministério é receber 7 milhões de visitantes em 2030, e estamos trabalhando bastante para alcançá-la”, afirmou Penhos, que falou em espanhol durante sua apresentação – ele nasceu no México.
“Em 2025, Israel recebeu 1,318 milhão de turistas internacionais”, revelou Penhos. “O número é 37% maior que o aferido em 2024”, emendou ele.
O número do ano passado demonstra que há um movimento de recuperação.

Israel, no entanto, recebia números mais robustos de visitantes estrangeiros antes da pandemia de covid 19, em 2020/22, do atentado perpetrado pelo grupo terrorista Hamas no Sul do país, que resultou em 1.200 mortos e 251 sequestrados para a Faixa de Gaza, no dia 7 de outubro de 2023, e do posterior conflito das Forças de Defesa de Israel com o Hamas em Gaza e com o grupo terrorista Hezbolá, no Líbano.
Motivo: os fatos fizeram com que as companhias aéreas cancelassem ou reduzissem os voos para Israel. Afinal, os visitantes estavam com medo.
Praticamente todos os turistas internacionais chegam ao país por via aérea no Aeroporto Ben Gurion, em Tel Aviv.
A falta de uma malha de voos mais consistente, portanto, é o maior gargalo para ampliar os números.
“Em 30 de novembro, a empresa aérea israelense El Al passará a voar, sem escala, entre Buenos Aires, na Argentina, a Tel Aviv”, exemplificou Penhos.
Em relação ao Brasil, infelizmente, não há previsão de voos diretos para Israel partindo do Aeroporto de Guarulhos (SP).
Anos atrás, a El Al operava no aeroporto brasileiro. A Latam também, sendo que a operação iniciava em Santiago, no Chile.
Portanto, o brasileiro pode chegar a Israel voando sempre com uma conexão – na maioria das vezes em algum país europeu.

Segundo estatísticas do Ministério do Turismo de Israel, o recorde no recebimento de turistas de outros países ocorreu em 2019: 4,55 milhões de turistas.
O número despencou, por causa da covid 19, para 832,5 mil em 2020; em 2021, aumentou para 396 mil; em 2022, cresceu vertiginosamente para 2,67 milhões; alcançou 3 milhões em 2023 – ano do fatídico ataque terrorista de 7 de outubro; e registrou outra queda, para 961,7 mil, em 2024.
Em relação ao mercado brasileiro, um dos mais importantes na América Latina, Penhos disse que, até setembro de 2026, “cerca de 20 mil turistas visitaram Israel”.
O recorde ocorreu em 2019. Naquele ano, o país registrou a entrada de 82 mil brasileiros.
Segundo Penhos, a cidade mais visitada pelos turistas estrangeiros – algo como 80% deles – é a capital israelense, Jerusalém.

Na leitura da presidente executiva da Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa), Marina Figueiredo, também presente no Israel 4U – o Ministério do Turismo israelense é membro da associação – , o otimismo está presente também.
“Há uma demanda reprimida. A hora que for possível, vamos ter um pico [no movimento]. Isso vai acontecer, só não sabemos quando”, previu Marina.
De acordo com o boletim mais recente da Braztoa, de agosto passado, com várias estatísticas consolidadas junto aos 60 associados, países do Oriente Médio, como Israel, ficaram em quarto lugar entre os destinos mais vendidos.
Motivo? “O impacto do aéreo, sobretudo”, justificou a presidente executiva da entidade, que ainda não conhece Israel.

“E o que a gente faz para ajudar? Damos apoio incondicional. Vocês não estão sozinhos”, afirmou o diretor do escritório do Ministério do Turismo de Israel no Brasil, Paulo Barbosa, aos profissionais de turismo.
“Estamos aqui. Não paramos. Trabalhamos ativamente todos os dias”, ressaltou Barbosa.
Em relação à promoção do turismo israelense no Brasil, Penhos deu uma boa notícia aos profissionais de turismo.
“Vamos investir em propaganda e publicidade ´casada´ dentro da nossa nova campanha, cujo slogan é I am Israel”, prometeu o executivo, sem dar detalhes.

Na opinião do casal João Vicente Lobo e Ygor Czovny, produtor da página gayscomlucidez no Instagram e também presentes no Israel 4U, o grande destaque em Israel é o povo.
Lobo e Czovny cobriram a Parada do Orgulho Gay de Tel Aviv 2026, uma das maiores do mundo, a convite do escritório do Ministério do Turismo de Israel no Brasil.
“O país é seguro, lindo, as pessoas têm espírito colaborativo, a comida é maravilhosa. Então deixar de visitar Israel por medo é um grande vacilo”, finalizaram eles, que são brasileiros e católicos.
O Israel4U teve ainda interessantes palestras do diretor geral da Confederação Israelita do Brasil (Conib), Sérgio Napchan, e do professor, pastor, escritor e hebraísta Luiz Sayão.
NOTA DA REDAÇÃO: texto alterado em 15/10/2026, às 10h28.