CLAUDIO SCHAPOCHNIK_Basileia/SUÍÇA
Basileia (Basel, no original em alemão-suíço) marcou meu regresso à Suíça alemã na segunda etapa da viagem que fiz ao país em agosto de 2023.
Minha estada em Basileia, cortada pelo importante rio Reno e onde há quase 40 museus, foi de algumas horas num roteiro praticamente outdoor. E mais: sem mapa num primeiro momento e uso do celular – não tinha plano nem roaming; só usava a internet onde havia wifi aberto ou gratuito.


Estava hospedado em Zurique (Zürich), também na Suíça alemã, distante cerca de 1h de trem.
Resolvi conhecer Basileia de fato e de direito porque, até então, só conhecia a estação ferroviária local. Na primeira etapa da viagem, com minha esposa Mirella, estive por duas vezes nessa estação para fazer conexão e ir à França e a Lucerna, na Suíça. A cidade fica numa tríplice fronteira, pois ainda tem borda com a Alemanha.
Minha curiosidade principal, antes do passeio em Basileia, tem a ver com minha orgulhosa condição de brasileiro judeu e sionista.
Eu precisava, então, conhecer o Stadtcasino Basel (Cassino Municipal de Basileia ou Cassino da Cidade de Basileia): local do Primeiro Congresso Sionista, ocorrido entre 29 e 31 de agosto de 1897.
Portanto trata-se de local da história do Sionismo.


Sionismo é o nome do movimento político de autodeterminação do povo judeu em ter uma nação que se materializou, em 1948, com a declaração de independência do Estado de Israel em parte do então Mandato Britânico na Palestina.
A ONU havia partilhado o território do mandato, um ano antes, em um Estado Judeu – que foi aceito pelas lideranças sionistas – e um Estado Árabe – que não foi aprovado pelas autoridades árabes.
Pôxa, estava em Zurique, muito próximo de Basileia. Tinha de ser naquela oportunidade ou sei lá quando.
E eu conheci! Conto essa parte mais à frente.



Considerada a capital cultural do país, Basileia é sede de uma das maiores feiras de arte do mundo, a Art Basel.
Graças à Universidade de Basileia, instituição de ensino mais antiga da Suíça, de 1460, reúne uma grande população estudantil.
Uma das versões sobre a origem da cidade vem do século 3, quando é mencionada como Basilia – nome de um castelo romano. Séculos mais tarde, em 1501, o município entrou na Confederação Suíça.

Minha visita começou na estação de trem (bahnhof), onde desembarquei, creio, lá pelas 10h30, 11h. A partir de então fiz uma agradável caminhada de algumas horas.
Ao seguir uma avenida ao léu constatei que não via nada de turístico, nada do que havia visto no mapa da cidade no dia anterior no hotel em Zurique. Aí fui olhar no mapa de linhas de ônibus, em uma parada, e ok, me achei.
Fui margeando o imponente rio Reno, que estava com a água barrenta, e cheguei à catedral (Basler Münster), grandiosa e toda vermelha. Foi erguida entre 1019 e 1500. Visitei o interior e, atrás do templo, observei a vista de um dos mais famosos terraços da cidade.


Depois andei cerca de 500 metros e cheguei à Praça do Mercado (Marktplatz), onde fica a Prefeitura (Rathaus) – e que prédio a sede do Executivo local tem há séculos. Uau, lindo demais.




Na fachada voltada à praça, o prédio do início do século 16 é vermelho com várias pinturas, relógio e outros detalhes decorativos. Por dentro, cujo acesso ao pátio interno é gratuito, a mesma cor também predomina. Há novamente pinturas, esculturas, relógio e muitos, muitos detalhes.
Adorei demais a Rathaus, belíssima joia da cidade e do país.




Na Praça do Mercado havia de fato um mercado, com barracas de vegetais e comida. Adorei ver o colorido das frutas, dos legumes e das verduras. Que gostooooooso!





Estava com muita fome e fiz um lanche típico: comi uma salsicha (würstli, possivelmente em alemão-suíço) assada na brasa servida com um pedaço de pão preto e mostarda. Custou sete francos suíços.



Depois da Rathaus, dei umas voltas pelas vibrantes ruas comerciais do Centro. À época havia várias obras no calçamento das vias centrais.



No Escritório Oficial de Turismo, onde peguei um mapa – finalmente –, perguntei sobre a localização do Stadtcasino Basel. “É aqui ao lado”, disse-me a funcionária, meio que espantada com minha pergunta.
Opa, fiquei todo feliz de encontrar o local do primeiro congresso sionista. Basileia foi sede ainda de vários outros congressos do tema.


O prédio do Cassino da Cidade de Basel é uma nobre sala de concertos. Não vi nenhuma menção histórica dos congressos naquele prédio.
Dei uma volta no entorno, vi o interior do térreo através do vidro, fiz algumas fotos e ok. Fiquei bastante feliz.

De lá segui para ver a sinagoga Beit Yosef (Casa de José, na tradução do hebraico) da Comunidade Israelita de Basel (Israelitische Gemeinde Basel), na rua Leimen, 24. O templo foi construído em 1869 com projeto do arquiteto suíço Hermann Rudolf Gauss (1835-1868). Uma cúpula foi adicionada em 1892. Desde então, o prédio foi renovado diversas vezes. A mais recente data de 1987.
Como não fiz contato anterior, solicitando uma visita, nem perdi meu tempo com o segurança tentando entrar.


Eu me contentei vendo a fachada do shill (sinagoga, em iídiche – idioma dos judeus asquenazitas, ou seja, dos países do Centro, Leste e Norte da Europa baseado sobretudo no alemão da Idade Média e escrito no alfabeto hebraico).
E tive muita sorte, pois cinco minutos depois que cheguei ao templo começou a chover.



Antes de voltar para o conforto do meu quarto no hotel em Zurique, ainda fui a dois destinos gastronômicos em Basileia (o supermercado Migros da Bahnhof e o Markthalle), mas estes serão tema das próximas reportagens da série Suíça no Verão do QUE GOSTOSO! Aguarde.
Sei que a cidade tem muito, muito mais a ser conhecida, mas esta foi a “minha” Basileia. Espero que você tenha gostado. Super recomendo.
SERVIÇO:
Turismo da Suíça
Turismo de Basileia
Ferrovia Suíça
Cláudio Já fui a Basel e visitei o Hotel aonde Theodor Herzl presidiu o 1o Congesso Mundial Sionista. Mas a visão descritiva de Basel e suas fotos sao excelentes e muito disso eu só vi agora no seu vídeo. Parabéns !!!