Os famosos bolachões tchecos de wafer

por Claudio Schapochnik_Karlovy Vary_Boêmia Ocidental/Tchéquia

Na linda e charmosa cidade de Karlovy Vary, capital da região da Boêmia Ocidental, na Tchéquia – o segundo nome oficial da República Tcheca, que “convive” também legalmente com a primeira denominação –, dois alimentos são oriundos da região e famosos por lá e no mundo: o licor Becherovka (fala-se “berrerovka”) e a bolacha estilo wafer oplatky. Neste texto, fruto de minha viagem de férias à Karlovy Vary em 2008, vou abordar o produto de comer. Gostosa, a bolacha é enorme (o termo bolachão não é a toa), mas super leve.

Cheguei à Tchéquia vindo da Alemanha, país que faz fronteira com a nação eslava, mais precisamente do Estado da Saxônia. Essa viagem de carro começou na capital saxônica, Dresden, onde vive o Jan, meu amigão-irmão alemão e também jornalista. Ele fala fluentemente português e um pouquinho de tcheco. De Dresden fomos para a região serrana saxônica de Erzgebirge, que faz fronteira com a Tchéquia e, de lá, para Karlovy Vary. A partir de Dresden, a cidade tcheca dista 180 quilômetros.

Eu e as minhas primeiras mordidas na oplatky, em calçadão de Karlovy Vary (foto Jan Kummer)

Logo após nos instalarmos num hotel fora da área turística, eu e o Jan pegamos um ônibus e fomos passear pelo centro. Linda, limpa, cheia de jardins floridos e lotada de turistas – sobretudo de russos, com suas roupas de gosto bem duvidoso e cheios de sacolas de compras –, Karlovy Vary é um balneário bastante famoso há séculos e dista apenas 130 quilômetros da capital nacional, Praga. As águas termais, com propriedades medicinais, teriam sido descobertas pelo fundador da cidade – o rei tcheco e imperador do Sacro Império Romano Germânico, Carlos 4° (1316-1378), cujo reinado teve início em 1355 e durou até a sua morte. Ele a fundou em 1370.

Vista parcial do centro de Karlovy Vary: cidade é cerca de montanhas verdes (fotos Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)
A bandeira da cidade tcheca (reprodução Wikipédia)

Com o passar dos séculos, a cidade foi ganhando notoriedade por causa das águas termais. Pudera… Escritores como Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832) e Nikolai Gogol (1809-1852) e compositores do porte de Ludwig van Beethoven (1770-1827) e Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), por exemplo, frequentaram a cidade por causa, sobretudo, dessas fontes. Ah! Todos eles e os tantos outros famosos que visitaram a cidade, assim como nós, os turistas “normais”, comeram a oplatky. Mais abaixo vou contar o motivo.

Com o passar do tempo, igrejas, prédios, villas e hotéis foram erguidos – e com estilos arquitetônicos de grande beleza. Tudo isso pode ser visto no excelente passeio de cerca de 2 quilômetros, apenas para pedestres (em uma parte), que acompanha o curso do rio Teplá e também nas adjacências. Aliás, Karlovy Vary é uma cidade bem verde. Não apenas pelas praças e pelos jardins, mas pelas montanhas verdinhas que a cercam.

Esse passeio que segue o rio Teplá termina em frente ao famoso Grand Hotel Pupp, fundado em 1701. Além de hospedar muita gente famosa, entre artistas, cientistas, estadistas e cineastas, o estabelecimento de luxo foi cenário de muitos filmes como o 007 – Cassino Royale (direção de Martin Campbell, 2006). O ator Daniel Craig interpretou o agente James Bond.

À direita, embaixo da cúpula abobadada, fica uma das 12 fontes de Karlovy Vary
Turistas aproveitam o sol nos bancos no calçadão que acompanha o leito do rio Teplá

Em relação ao turismo termal, no passeio pelo calçadão junto ao rio Teplá dá para visitar e beber as águas medicinais de 12 fontes em três colunatas – conjunto de colunas enfileiradas de forma simétrica – chamadas Mlýnská (acento no “y”!), Tržní (acento no “z”!) e Sadova. Sim, o tcheco é uma língua bem difícil.

Aqui abro um parêntese. O Jan, que é jornalista de uma emissora de rádio alemã, me contou uma vez que uma excelente frase que ele pronuncia várias vezes para “destravar a língua”, antes de entrar no ar, está escrita no idioma… Tcheco. Fecho o parêntese.

Lembro que visitei algumas dessas 12 fontes e provei algumas dessas águas medicinais. Valeram a pena!

Viajamos a Karlovy Vary no mês de julho, e o tempo na cidade estava ótimo: sol, céu azul e temperatura amena. Apesar de ser verão (Hemisfério Norte), acho que as montanhas bem verdes que cercam a cidade desenvolveram um microclima, que produz estas temperaturas não altas. Perfeito para andar.

Segundo o Czech Tourism, órgão oficial de turismo do país, viajei então na melhor época do ano – que vai de abril a outubro.

Cardápio em russo: turistas da Rússia adoram a cidade
O rio Teplá, que cruza o centro de Karlovy Vary
Adorei as praças e os canteiros: tudo limpo e bem conservado

BOLACHÃO TCHECO
Até esta visita a Karlovy Vary, jamais tinha ouvido falar em oplatky – o nome em tcheco da enorme bolacha wafer local. Foi ideia do Jan comermos essa iguaria assim que chegamos no centro turístico da cidade. Fomos em uma das lojinhas num calçadão e compramos duas oplatkys – talvez de sabor baunilha. Ele comeu tomando um café e eu somente pura.

Gostei bastante. É super fina, crocante, leve, sequinha e, me recordo bem, bastante cheirosa. Outra característica é o baixo relevo – cada fabricante “imprime” o logo. Por todos os lados da cidade você vê lojinhas e quiosques que vendem oplatkys. As bolachas também estão nos mercados.

Oplatkys da marca Kolonáda (reprodução)
O Jan com seu café e sua oplatky

Além de comer na cidade, os turistas compram caixas para levar aos seus países de origem – como eu fiz. Creio que levei três caixas de sabores diferentes. É um super e gostoso suvenir! Só tem de tomar cuidado em acondicioná-las com cuidado e proteção na sua mala. Caso contrário, você terá trazido “farofa” de oplatkys… Rs…

Há alguns tipos de oplatkys. A mais tradicional é o wafer aromatizado – o que comi de estreia. Mas há também, por exemplo, a com creme, de avelã, de chocolate etc, entre duas camadas de wafer.

A origem da bolacha vem do século 18. O alimento era produzido apenas com farinha de trigo e água – os mesmos e únicos ingredientes do pão ázimo consumido pelos judeus durante o Pessach (“Páscoa”), chamado de matsá e assado na forma quadrangular, e da hóstia recebida pelos cristãos ao final das missas. Circular, o proto-oplatky tinha 13 centímetros de diâmetro. Com o passar dos anos, o diâmetro, arrisco dizer, no mínimo duplicou.

As oplatky da marca Karlovarské Oplatky
Eu em território da Tchéquia, junto à fronteira com a Alemanha (foto Jan Kummer)

De acordo com uma lenda do século 19, o chef de um mosteiro na cidade de Teplá – distante 45 quilômetros de Karlovy Vary – “recebeu a tarefa de preparar uma sobremesa para os convidados e pensou em usar uma bolacha. Ele melhorou a massa simples de água e farinha adicionando açúcar e leite e polvilhou uma deliciosa mistura de nozes, açúcar, canela e outras especiarias finas entre as bolachas assadas”. A explicação é dada no site de uma das fábricas de oplatkys – a Kolonáda, fundada em 1856 em Mariánské Lázně, município localizado a pouco mais de 50 quilômetros de Karlovy Vary.

Segundo o Czech Tourism, em relação aos oplatkys, “os cozinheiros preparavam bolachas polvilhadas com açúcar”. A qualidade da água e do sal de Karlovy Vary, “conferem às bolachas um sabor distinto”.

A bolacha era servida às pessoas depois dos tratamentos medicinais com as águas termais. Com isso o produto foi ganhando fama, novos sabores, recheios e formatos. Até virar um ícone da cidade e de outras na região, como Teplá e Mariánské Lázně. Em Karlovy Vary a primeira padaria especializada na produção dos oplatkys foi aberta em 1867.

Seja como for, o oplatky é “onipresente” em Karlovy Vary e deve ser provado e levado como suvenir. Há marcas como a Kolonáda e a Karlovarské Oplatky, produzidas de forma industrial, e, seguramente, outras artesanais feitas possivelmente em docerias. Estas, que devem ter na cidade, não conheci. Em todos os casos, recomendo uma viagem à esta linda região tcheca e comer o bolachão tcheco.

SERVIÇO:
Turismo na Tchéquia
www.destinotchequia.com

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