por CLAUDIO SCHAPOCHNIK_Izmir/Turquia
O bairro de Alsancak – fala-se Alsandjak, em turco – lembra bastante a região dos Jardins, na Zona Sul de São Paulo.
Com ruas bastante arborizadas, Alsancak é um misto de edifícios residenciais, não tão altos como os da região da capital paulista, lojas as mais variadas e muitos estabelecimentos da área gastronômica – cafés, pizzarias, sorveterias, restaurantes, docerias etc.
É nesse cenário que fica maravilhosa Reyhan Pastanesi, algo como Confeitaria Reyhan, em turco.

Atualmente é a terceira geração da família turca Heyhan que administra a confeitaria.
A incursão da família Heyhan na área da confeitaria ocorreu na Rússia czarista, onde os ancestrais viviam e trabalhavam.
Com a Revolução Russa (1917) e a queda do regime absolutista dando lugar aos comunistas, os Heyhan imigraram para a Turquia. E assim continuaram a atividade.
Além da loja em Alsancak, há outras cinco unidades em operação na cidade.
Segundo o site da Reyhan, as seis lojas têm capacidade para receber, no total, 1.100 pessoas sentadas. A confeitaria emprega mais de 200 pessoas e possui uma cozinha central com 2 mil metros quadrados de área.

CHÁ FAMILIAR
Estive na Reyhan de Alsancak, em outubro de 2024, por um motivo muito nobre. Lá que eu e minha esposa, Mirella, conhecemos a Naomi.
Naomi é prima da avó da Mirella – Claire, já falecida, que nasceu em Izmir e imigrou para o Brasil no início do século 20.
Naomi é ainda mãe do, portanto, outro primo da Mirella: Besim, o simpático guia de turismo profissional que já citei nesta série especial sobre a gastronomia de Izmir.
Se a comunicação com o Besim foi tranquila, pois ele também fala português muito bem, com a Naomi foi perto da compreensão total. Além do turco, ela é fluente em ladino ou djudeo-espanyol.
Eu não sei ladino, e Mirella recorda de algumas palavras e frases que ouviu de sua avó, Claire. Então eu usava o espanhol e a minha esposa, ladino e espanhol. Naomi sempre falava em ladino com nós.
Dessa forma, eu, Mirella e Naomi, de alguma forma, nos entendíamos. Quando faltava o vocabulário ou outro problema, Besim intervia e tudo ficava bem.

PUDIM E CHÁ
O convite para o chá da tarde familiar partiu de Naomi, uma senhora muito educada, gentil e simpática.
Quando cheguei com Mirella, ela e Besim já estavam à mesa.
A Reyhan é uma confeitaria fina. Praticamente todas as mesas estavam ocupadas. Vi famílias, casais, grupos de amigos por lá. Grande parte bebendo chá ou café e saboreando um doce.
A impressão que tive é que os turcos também têm o hábito de beber chá (ou café, em menor escala) e comer um doce, como em outros países da Europa, por volta das 16h, 17h.
Como me disse o Besim, os turcos gostam de café mas, mais ainda, de chá. A Turquia, de fato, faz parte da lista de países onde o chá é bastante tradicional.
Pedi um chá turco, do qual sou fã e cujo sabor é bastante agradável. Para comer, antes fui ver a deliciosa vitrine de doces turcos.

Escolhi o super clássico kazandibi – e não me arrependi. Trata-se de um pudim de leite cuja crosta é caramelizada. Até então jamais tinha comido esse doce.
Já na primeira mordida… Que gostooooooso! O kazandibi tinha a massa levíssima e bastante cremosa, um dulçor razoável – muito bom e distante dos super doces brasileiros nesse quesito – e a crosta queimadinha, que fazia um delicioso contraste. Show. Que gostooooooso!
Portanto, super recomendo a Reyhan Pastanesi. Lugar bacana que serve delícias turcas com esmero.
Para mais informações sobre a confeitaria, clique aqui.