CLAUDIO SCHAPOCHNIK_Gandria, Lugano/SUÍÇA*
Adoro passeios aleatórios, daqueles não programados – claro, desde que seguros; ainda que essa condição não dá muito para saber antes de terminá-lo. Em Lugano, no Cantão (Estado) de Ticino, no Sul da Suíça, fiz um que somou natureza e cultura: foi visitar de barco Gandria – outrora pequeniníssima cidade que, desde 2004, tornou-se um bairro de Lugano – e, de lá, à margem do Lago Lugano, até o Grand Hotel Villa Castagnolla. Uma delícia, uma descoberta atrás da outra. Que gostooooooso!


Em agosto de 2023, estava com minha esposa, Mirella, andando pela rua que margeia a baía do Lago Lugano e vimos um barco atracado no píer.
“Vamos dar um passeio pelo lago?”, Mirella me perguntou. “Vamos”, respondi. Mostramos o cartão de transporte da cidade para o funcionário da embarcação. Tudo certo: pudemos entrar e curtir a viagem.



Pensei em descer no mesmo local após o itinerário completo do barco. No entanto, quando a embarcação parou em Gandria, no sopé do Monte Brè, resolvi descer pelo aspecto pitoresco do lugar. Foi a melhor coisa que fiz com minha esposa naquele dia ensolarado de verão.
Os celtas foram os primeiros povos a habitar a região onde fica Gandria, isso por volta de 800 A.C.. Depois vieram os romanos. De fato, a primeira menção de Gandria é de 1237.
Atualmente o local reúne cerca de 200 habitantes. Também dá para chegar de carro e ônibus. A maior parte das ruas e vielas de Gandria é bem estreita, íngreme e cheia de escadas. Nesta área, veículos, exceto bicicletas e motos, são proibidos de circular.


O Museu Suíço da Alfândega e do Contrabandista fica no bairro. Não fui visitá-lo.
As casas, algumas voltadas para o Lago Lugano, são simples por fora. O lugar parece ter parado no tempo.
Nesse cenário que poderia ser tranquilamente usado para locação de cinema, li algumas placas com direção ao bairro de Castagnolla e Monte Brè – que já tinha visitado nessa mesma viagem, talvez no dia anterior. “Opa, vamos seguir essa trilha”, comentei com a Mirella. Ela topou.

Percorri a trilha entre Gandria e o Lugano em pouco mais de uma hora. É totalmente autoguiada. Valeu demais. Que gostooooooso!
Depois de um giro por Gandria, a trilha começa com chão de terra batida e margeando o lago junto a densas áreas de matas. No caminho, vi muitos turistas a pé também e de bicicleta.



De vez em quando, uma placa, em quatro idiomas (alemão, francês, italiano e inglês), indicava com informações relevantes. Totalmente bem conservada e sem registros de vandalismo.
Em vários trechos, a trilha fica bem perto do lago. Cenários lindos se descortinavam, com as montanhas verdes, árvores frondosas e barcos atracados.
Um momento de grande surpresa positiva foi quando parei para beber água. O bebedouro estava junto à construção que abriga os banheiros feminino e masculino. Tudo limpo por fora. Nada de vandalismo e lixo.
Por dentro, pois usei o banheiro masculino, a mesma limpeza: vaso sanitário e pia limpíssimos e descarga funcionando. Só não me recordo se havia papel higiênico.
Nossa, a Prefeitura de Lugano está de parabéns! Uma instalação pública bem no meio de uma trilha com tudo funcionando e limpo. Show.

Ainda com a trilha com piso de terra batida, começam a surgir algumas casas, dos dois lados, e um ou outro restaurante. Ou seja, a urbanização começou a dar as caras.


No decorrer do caminho, entrei num Lido. É a palavra que denota o que, para nós brasileiros, seria um beach club – no caso, um lake club.
A mecânica é a mesma: ao pagar uma taxa, você pode usar a infraestrutura local (vestiário, cadeira, espreguiçadeira etc) e tomar banho no lago numa área delimitada. Geralmente, o espaço serve – pago a parte – comida e bebida. E aí dá para passar um dia bem divertido.


Se soubesse o que era um lido, possivelmente eu e Mirella teríamos ficado nesse à beira da trilha. O dia lindo, o sol e o calor convidavam, sim, para o banho lacustre.
Depois o cenário muda bastante. A trilha ganha asfalto e vira uma rua normal, com acesso de carros. Dos dois lado, vi casas, condomínios e villas.


Algumas villas têm obras de arte, geralmente, esculturas nos jardins. Gostei bastante de vê-las. Seguem abaixo quatro exemplos.




Nesse trecho, quase no final, descobri o sensacional Parque Villa Heleneum, que foi comprado pela Prefeitura de Lugano após a morte da antiga proprietária: a culta e rica francesa, patrona de muitos artistas, Hélène Bieber (1890-1967).
Hélène construiu os jardins e o prédio no início da década de 1930 em estilo art nouveau – cópia do Petit Trianon de Versalhes. O objetivo dela era manter um centro de encontro social e cultural na sua residência na Suíça.

Os jardins, com canteiros de flores e árvores como laranjeiras, limoeiros e tamareiras, entre outras espécies de vários pontos do planeta, formam um microclima. De fato, estava mais fresco por lá.
Desde 2023, a villa abriga a Fundação Bally. É uma instituição dedicada à exposição de arte contemporânea em todas as formas. O local sedia duas exposições temporárias por ano.

Não entrei na villa. Estava fechada. Curti mesmo os jardins e os bancos da propriedade. Lugar maravilhoso, incrível. Que gostooooooso!
Abre diariamente, com entrada grátis, das 6h30 às 23h30 (março a outubro) e às 21h (novembro a fevereiro).

E assim terminei a trilha. Um show de caminhada. Achei ainda super segura e vi muitos turistas caminhando sozinhos. Recomendo demais.
SERVIÇO:
Turismo da Suíça
Turismo da Região de Lugano
Bally Foundation
Ferrovia Suíça
*O QUE GOSTOSO! viajou com apoio do Swizterland Tourism e da SBB/CFF/FFS (Ferrovia Suíça)