por CLAUDIO SCHAPOCHNIK_Segóvia/ESPANHA*
Seja numa viagem de interesse judaico, como foi a minha, seja numa de interesse geral, conhecer o Alcázar de Segóvia faz parte sem dúvida dos pontos a visitar na linda e vibrante cidade espanhola – distante cerca de 1h de carro desde a capital, Madri.
Motivo: o palácio real, por si só uma obra de arte, reúne uma grande coleção com quadros, esculturas, vitrais, tapeçarias, armas e peças de armadura que ilustram a passagem de nobres, príncipes, princesas, reis e rainhas espanhóis de séculos atrás.
Cheguei ao Alcázar vindo das ruas do antigo bairro judaico. O primeiro contato visual com o palácio se deu por meio das torres da edificação. Pouco antes da entrada, há um jardim bem conservado e cheio de flores.



Alcázar é uma palavra espanhola originária do árabe alcácer e significa fortaleza. É uma das inúmeras heranças advindas o extenso período de dominação moura na Península Ibérica (711-1492).
Os mouros construíram seu alcácer sobre uma rocha nas bases de outro edifício, também com finalidades defensivas, erguido pelos romanos séculos antes. Um local extremamente estratégico.


Com o avanço da Reconquista cristã, liderada por nobres dos vários reinos que viriam a formar o que conhecemos como Espanha, o Alcázar de Segóvia foi erguido pelos espanhóis durante o século 12. Com o tempo ganhou mais uma função além da defesa: a de residência de governantes e reis e rainhas.
Vinte e dois reis e rainhas passaram pelo Alcázar até o final do século 16. Com a fixação da corte espanhola em Madri, em 1561 por iniciativa do rei Felipe 2°, o edifício perdeu a função de residência real. Durante mais de 200 anos foi uma prisão.


Desde o final do século 18, o edifício ganhou funções puramente militares, com foco na formação de oficiais. Em 1862, um incêndio consumiu quase todo prédio. A restauração mais fidedigna possível foi baseada nas obras do pintor e professor de pintura espanhol José María Avrial y Flores (1807-1891).
Na página oficial do palácio na internet, há a informação que “diz-se que Walt Disney inspirou o castelo da Cinderela” no Alcázar de Segóvia. Novidade total para mim.



A entrada para o castelo segoviano é “nervosa”, pois dá vista ao profundo fosso seco. Lá dentro há lindas vistas dos arredores da cidade e uma grande coleção de arte.
Gostei das armaduras, dos forros, das salas, dos vitrais e de alguns quadros. Uma dessas pinturas têm muito a ver com o roteiro judaico: a proclamação como rainha de Castela de Isabel, a Católica, em 13 de dezembro de 1474. Ela e o marido, o rei Fernando, assinaram em 1492 o Édito de Alhambra, o ato legal do Estado que expulsou os judeus da Espanha. Esse quadro é de autoria do pintor segoviano Carlos Muñoz de Pablos.



Por tudo isso, o Alcázar de Segóvia é imperdível.
SERVIÇO:
Turismo da Espanha
Red de Juderías de España
Alcázar de Segóvia
*O QUE GOSTOSO! viajou a convite do Turismo da Espanha e da Red de Juderías de España