Bebida maranhense obtém Indicação Geográfica 1 Foto Divulgação Agência Nacional de Notícias – Sebrae Nacional

Bebida maranhense obtém Indicação Geográfica

da AGÊNCIA NACIONAL DE NOTÍCIAS – SEBRAE NACIONAL

O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) reconheceu, no mês passado (dia 22/9), a Tiquira de Guaribas, tradicional destilado originário do Maranhão, como o mais novo produto brasileiro com Indicação Geográfica (IG).

A bebida tem origem indígena e é o único destilado de mandioca com produção contínua e expressiva no País.

A conquista de IGs tem o apoio do Sebrae, que destaca a importância de diferenciais no mercado como a IG e orienta produtores e associações por meio de capacitações e fortalecimento da governança.

Com esse anúncio, o Brasil chega à marca de 170 IGs nacionais, sendo 136 Indicações de Procedência e 34 Denominações de Origem.

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No alto, garrafas de Tiquira de Guaribas e, acima, produtores associados da Cooperativa de Produtores de Tiquira e Agricultores Familiares de Guaribas de Urbano Santos, a Cooptaf (fotos/divulgação Agência Nacional de Notícias – Sebrae Nacional)

A coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro do Sebrae Nacional, Hulda Giesbrecht, destaca que o reconhecimento do Inpi é a chancela que garante a proteção legal do nome geográfico vinculado ao produto, resguardando os produtores delimitados no território contra imitações ou uso indevido desse nome.

“Além do aspecto protetivo, a IG atua como um potente motor de desenvolvimento econômico regional. O selo agrega valor de mercado, impulsiona o turismo gastronômico nas regiões produtoras e facilita a inserção do produto em mercados consumidores exigentes em todo o Brasil e no Exterior”, comenta Hulda.

A tiquira carrega a essência no próprio nome. Derivado da língua tupi, o termo tem origem na palavra tykir, que significa “cair gota a gota” – uma referência ao minucioso processo artesanal de condensação do líquido durante a destilação.

A bebida é obtida por meio da fermentação alcoólica e posterior destilação de beijus de mandioca, preservando um saber-fazer herdado das populações originárias e aprimorado ao longo de gerações.

TRADIÇÃO COLONIAL E IDENTIDADE TERRITORIAL
A presença da tiquira na história maranhense remonta ao período colonial. Registros históricos associam a sua fabricação contínua à consolidação da agricultura familiar e ao processamento da mandioca, raiz-símbolo da segurança alimentar e da cultura local.

Diferentemente de destilados à base de cana-de-açúcar ou cereais, a tiquira exige um domínio técnico diferenciado: desde o ponto correto de torra dos beijus para permitir a conversão dos amidos até o rigoroso controle térmico nos alambiques.

A região produtora que impulsionou o reconhecimento pelo Inpi envolve municípios emblemáticos da zona rural maranhense, com destaque para Urbano Santos – notoriamente a comunidade de Guaribas, considerada um dos polos seculares da bebida –, além de municípios vizinhos como Barreirinhas, Santo Amaro do Maranhão, Santana do Maranhão e Santa Quitéria do Maranhão.

Nessas localidades, a feitura da tiquira representa o sustento direto de dezenas de famílias de agricultores rurais.

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A tiquira exige um domínio técnico diferenciado: desde o ponto correto de torra dos beijus para permitir a conversão dos amidos até o rigoroso controle térmico nos alambiques (foto/divulgação Agência Nacional de Notícias – Sebrae Nacional)

DA PRODUÇÃO FAMILIAR AO MERCADO DE ALTO VALOR
Historicamente comercializada em circuitos locais e informais, a tiquira passou por uma profunda transformação nos últimos anos, por meio do apoio técnico do Sebrae/MA, em parceria com gestores locais e a Cooperativa de Produtores de Tiquira e Agricultores Familiares de Guaribas de Urbano Santos (Cooptaf).

A criação de cooperativas permitiu a transição do feitio artesanal para agroindústrias regulamentadas junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária. Com a adequação sanitária, o controle de qualidade sensorial e a padronização do teor alcoólico, o produto ganhou escala sem perder a matriz ancestral.

O trabalho conjunto envolveu mapeamento geográfico, diagnósticos de representatividade coletiva e elaboração do Caderno de Especificações Técnicas, garantindo que a bebida respeite critérios rigorosos de procedência e sustentabilidade.

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